Capítulo 281 — O milagre das linhas rosas
Aubrey Blackwood
Elijah cobriu as minhas mãos trêmulas com as dele, apertando meus dedos com uma firmeza paternal e doce.
— Não vamos criar expectativas antes da hora, Bree. Mas a resposta é sim, é perfeitamente possível. Já se passaram quase seis meses desde a sua liberação médica total. O seu útero cicatrizou perfeitamente, o seu ciclo estava limpo e, se vocês dois não estavam usando nenhum método de barreira… as chances são reais e altas.
Tristan paralisou ao meu lado. O homem que nunca perdia a compostura parecia ter esquecido como se respirava. Ele olhava para a caixinha na minha mão, depois para o meu rosto, com os olhos verdes transbordando uma tempestade de emoções cruas.
Foi nesse instante que a porta da suíte foi empurrada com força.
Emma entrou liderando o pelotão, seguida de perto por Taylor, Fernanda e Katlyn. As quatro tinham expressões de puro sobressalto nos rostos.
— O que aconteceu?! — Emma perguntou, com a respiração curta pela subida rápida da escada. — O Chris disse que o Stan subiu com você no colo!
— Você tá passando mal, amiga?! — Fer perguntou com a mão no peito, ajeitando o seu vestido.
Eu ainda estava sentada no meio do colchão, com os olhos marejados e o coração batendo na boca. Em silêncio, apenas ergui a caixinha do teste na altura do peito, mostrando a embalagem para as quatro.
O silêncio no quarto durou meio segundo antes de se transformar em um caos maravilhoso.
— PUTA QUE PARIU! — Taylor soltou um berro agudo, batendo palmas no ar com os olhos brilhando. — EU SABIA! EU SABIA QUE ESSE ENJOO NÃO ERA COMIDA ESTRAGADA!
— Mentira… — Katy cobriu a boca com as duas mãos, as lágrimas saltando instantaneamente.
— Faz logo esse teste, Aubrey Blackwood! — Fer exigiu em um pulo animado, esquecendo completamente que ainda era a noiva da festa.
Tomei coragem, empurrei os edredons e fiquei de pé com as pernas bambas.
— Eu vou… Eu vou lá fazer.
Caminhei em direção à porta do banheiro da suíte, e as quatro mulheres vieram coladas atrás de mim como uma guarda de honra feminina.
Tristan se levantou num sobressalto, tentando dar um passo em nossa direção com a mão estendida.
— Ei! Esperem aí! Esse momento é meu, eu sou o marido! Eu é que tenho que entrar com ela!
Taylor parou na porta do banheiro, virou o tronco, colocou a mão espalmada contra o peito do meu marido e o empurrou um passo para trás com aquela audácia inabalável.
— Alto lá, maridinho atrevido! Ouvir o barulho do xixi na caneta é função sagrada das melhores amigas! Fica aí no quarto roendo as unhas com os médicos que o seu papel na fabricação já foi feito há semanas!
Elijah caiu na gargalhada na poltrona, enquanto Esther dava tapinhas no ombro de Tristan, que nos olhava boquiaberto e derrotado.
Nós cinco entramos no banheiro amplo de mármore e a porta foi trancada.
O espaço virou um formigueiro de emoções. Emma se sentou na tampa fechada do vaso auxiliar, Katy encostou na pia de mãos postas em oração, Taylor cruzou os braços com um sorriso de orelha a orelha e Fer segurava o meu ombro com ternura.
Com as mãos ensopadas de suor e os dedos sacudindo, desembrulhei o teste, fiz o xixi na ponta absorvente da caneta plástica, recoloquei a tampa e a pousei com cuidado sobre a bancada branca da pia.
Nós cinco nos debruçamos sobre o mármore, encarando o visor cinzento como se fosse uma bomba-relógio.
— Meu Deus do céu… Eu nunca pensei que cinco minutos demorassem uma eternidade inteira! — Katlyn quebrou o silêncio, roendo o cantinho da unha em puro nervosismo.
Emma segurou a minha mão esquerda com força, acariciando os meus dedos com o polegar.
— Respira fundo, amiga. Se der positivo, nós vamos gritar e comemorar até o teto cair. E se não der, não tem problema nenhum… É só você e o Stan continuarem praticando sem parar até vir.
— O que não vai ser nenhum sacrifício para aquele bilionário insaciável, convenhamos. — Taylor disparou com um deboche rápido, arrancando uma risada nervosa e aliviada de todas nós.
Fer passou a mão na própria barriguinha sob o vestido de noiva, com os olhos verdes transbordando um brilho emocionado.
— Eu só fico imaginando… Se der positivo, os nossos bebês vão crescer todos juntos, gente. O Mathias, o Juanito, a Arianna, os gêmeos da Em, o meu pacotinho e o seu, Bree… É a nossa turma inteira se multiplicando.
Aquelas palavras fizeram as minhas lágrimas transbordarem sem controle. O visor do teste começou a clarear. A linha de controle apareceu nítida, escura e firme.
E logo ao lado dela… uma segunda linha cor-de-rosa começou a desenhar a sua sombra.

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