Capítulo 292 — O Calor da Nossa Eternidade
Emma Knight
O gramado da nossa mansão nunca esteve tão vivo.
O sol de início de tarde desenhava reflexos dourados nas folhas das árvores, enquanto uma brisa suave espalhava o aroma doce de algodão-doce, baunilha e terra fresca. Uma estrutura elegante e aberta cobria parte do jardim, enfeitada com balões em tons de azul-celeste, verde-oliva e detalhes em madeira clara. Havia risadas por todos os cantos, música baixa e aquele caos barulhento e acolhedor que só a nossa enorme família conseguia criar.
Era o primeiro aniversário de Callan e Kane.
Um ano inteiro desde aquela madrugada no hospital. Trezentos e sessenta e cinco dias vendo os nossos dois milagres crescerem firmes, saudáveis e cheios de energia.
Callan, a nossa rocha, já dava passos firmes e corajosos pelo gramado com as mãozinhas erguidas, determinado a alcançar qualquer bola que rolasse por perto. Kane, o nosso valente guerreiro, com aquele olhar curioso e atento, batia palmas animadas sentado sobre uma toalha felpuda, arrancando gargalhadas de Luca e Ellie, que não desgrudavam dos irmãos por um único segundo.
Ellie, agora com a postura orgulhosa de irmã mais velha, ajeitava o babador de Kane enquanto Luca corria atrás de Callan para que ele não tropeçasse nos brinquedos espalhados.
— Cuidado, Cal! O capitão tá aqui para segurar você! — Luca gritava entre risos, se jogando na grama para amortecer a queda do menor.
— Deixa ele andar, Luquinha! — Ellie repreendia com aquele jeitinho mandão e doce ao mesmo tempo. — Ele é um homenzinho forte igual o papai Dam! Num é mamãe Em?
Apoiei a taça de suco na mesa de doces, sentindo o peito transbordar tanto que mal cabia nas minhas costelas.
— É sim, minha princesa.
Minha irmã, alguns meses atrás, me fez um pedido. Ela disse que se eu sou um pedaço da nossa mamãe aqui na terra, eu poderia ser mãe dela também. Assim como sou dos seus irmãozinhos.
Eu chorei… muito. Como se meu peito fosse abrir com aquele pedido. Mas então… eu aceitei.
E a Ellie deixou de ser a minha irmãzinha, e passou a ser a minha filha.
Olhei ao redor, e a vida acontecia em sua forma mais plena.
Arianna queria ficar de mãos dadas com Luca o tempo todo, e enquanto Taylor achava lindo, Dominic ameaçava trancar a menina na sala longe do meu filho.
— Pelo amor de Deus grandão, a sua santa tem dois! Dois anos! Ela só acha graça segurar na mão do amiguinho!
— É assim que começa, Taylor! Daqui a pouco ela vai estar pedindo para dormir aqui na mansão mesmo sem a gente!
Todos nós gargalhamos.
— Cara você é maluco! — Ozzie disse enquanto segurava a Amy nos braços com devoção.
— Vamos ver Blair, quando for a sua amada o que é que vai dizer! — Dom retrucou.
— Ainda bem que o meu é menino! — Stan disse orgulhoso com Tobias no colo.
— Eu não te julgo, Dom. Eu quase enlouqueci quando a Laurinha chegou em casa com um chocolate dizendo que o amiguinho deu pra ela. — Noah disse. — Que merda é essa? Qual a intenção daquele garoto dando chocolate para a minha filha?
Juliet sentou no colo do marido.
— Na minha época de escola eu vivia ganhando presentes, talvez ela tenha puxado pra mim.
— Querida, esse tipo de comentário não me acalma. Só me irrita mais! — Noah disse arrancando risos de todos nós.
— Blake, é só me dar os dados do garoto que dou um apavoro nele.
— Pelo amor de Deus, Juan! — Esther repreendeu o marido. — Eu não sei porque tanto drama da parte de vocês! Eu conheço o passado de cada um aqui, então quando eram vocês com as filhas alheias estava tudo certo? — ela perguntou arqueando uma sobrancelha.
— É que o lema aqui é consumir, e não fornecer! — Declan disse e o lugar explodiu em risos.
Eu estava perdida com toda aquela interação. Rindo. Admirando o que nós havíamos construído. Nossa família. Nossos filhos.
— Admirando a nossa obra, senhora Knight?
A voz grave, rouca e inconfundível soou ao pé do meu ouvido, seguida por dois braços fortes e quentes que envolveram a minha cintura por trás.
Recostei a cabeça no peito largo de Damien, suspirando de puro deleite. Ele beijou a curva do meu pescoço com aquela lentidão possessiva e reverente que nunca, em nenhum dia do nosso casamento, havia diminuído.

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