Capítulo 290 — A Graça do Reencontro
Aubrey Blackwood
O ar entrou cortando a minha garganta como se eu tivesse acabado de emergir do fundo de um oceano escuro.
Abri os olhos em um sobressalto violento, o coração disparado no peito, a respiração curta e entrecortada. A claridade suave do quarto do hospital me atingiu devagar, desenhando as paredes em tons pastéis e o som rítmico e reconfortante do monitor cardíaco apitando ao meu lado.
— Calma, meu amor… Respira. Eu tô aqui. Você tá segura.
A voz que era a minha âncora neste mundo soou imediatamente à minha direita.
Virei o rosto devagar, sentindo o corpo pesado como chumbo. Tristan estava sentado na beirada da poltrona encostada à minha cama, com os cabelos desalinhados, os olhos verdes fundos e vermelhos de tanto chorar, mas o semblante transbordando um alívio puro e absoluto.
Ele segurava a minha mão esquerda com as duas mãos grandes, aquecendo a minha pele fria com beijos sôfregos nos meus dedos.
— Stan… — a minha voz saiu rouca, um fio quebrado pelo cansaço. Tentei me erguer nos travesseiros, o pânico materno acendendo todas as luzes de emergência na minha cabeça. — O nosso filho… Onde tá o Tobias?! Ele tá bem?! Por favor, me diz que…
— Shhh, calma, meu amor… Olha pra mim — ele pediu com uma doçura infinita, levando uma das mãos até a minha bochecha, acariciando a minha pele com o polegar trêmulo. — O nosso menino tá perfeito. Ele é lindo, saudável, forte como um touro. Três quilos e quatrocentos de pura perfeição. O choro dele foi o som mais incrível que já ouvi na minha existência.
Fechei os olhos por dois segundos, soltando o ar que parecia preso na minha traqueia há horas. Uma lágrima morna escorreu pela minha têmpora.
— O que aconteceu comigo? Eu lembro do bebê… da dor… e de ver você antes de tudo apagar.
— O Elijah me explicou tudo, amor — Tristan explicou com a voz mansa, mas os nós dos seus dedos denunciando a tensão que havia acabado de atravessar. — O impacto no estacionamento causou um pequeno descolamento parcial da placenta, o que provocou o sangramento e acelerou o parto para dilatação total em questão de minutos. O seu corpo foi bombardeado por uma descarga brutal de adrenalina e dor física. Quando o Tobias nasceu e a tensão cedeu, a sua pressão despencou por pura exaustão. Você desmaiou de cansaço extremo, amor. Mas os exames já foram refeitos, o sangramento parou e você tá fora de perigo.
Ele encostou a testa no dorso da minha mão, soltando um suspiro longo que pareceu esvaziar meses de medo acumulado.
— Eu achei que ia morrer quando vi seus olhos fecharem naquela sala, Aubrey. Eu nunca senti tanto pavor em toda a minha vida. Você é o meu ar, a minha vida inteira.
— Eu tô aqui, meu amor… — murmurei com o coração apertado de amor, acariciando os cabelos dele com a ponta dos dedos livres. — Nós estamos aqui.
Duas batidas suaves soaram na porta de madeira, interrompendo o nosso momento.
A porta se abriu com calma e Esther entrou na suíte, trazendo nos braços um pequeno embrulho de mantas de lã azul-celeste. Ela usava o jaleco médico aberto sobre a roupa cirúrgica e trazia nos lábios aquele sorriso acolhedor e maternal de quem cuidou de nós desde o primeiro segundo.
— Tem um rapazinho muito impaciente aqui fora que passou a última hora exigindo o peito da mãe dele. — Esther falou com a voz baixa e carinhosa.
Ela se aproximou da cama e depositou com cuidado o pequeno pacotinho diretamente nos meus braços.
No segundo em que o peso suave e quente do meu filho tocou o meu colo, o mundo ao redor simplesmente perdeu a relevância. Tobias já estava limpo, vestido com um macacãozinho de algodão branco com pequenas estrelas cinzentas e uma touquinha combinando.
O rostinho era gordinho, cor-de-rosa, com lábios desenhados e pequenos tufos de cabelos escuros espetados. Ele abriu os olhinhos miúdos devagar, piscando sonolento ao sentir o meu cheiro e ouvir a minha respiração.
As lágrimas desceram sem freio pelas minhas bochechas. Aqueceu cada centímetro da minha alma.
— Tobias… — sussurrei com reverência, descendo a ponta do indicador pela bochecha aveludada do meu menino.
Tristan se inclinou sobre a cama, apoiando o queixo no meu ombro, olhando para o filho com os olhos transbordando uma adoração visceral.
— Nosso menino, amor… Nosso milagre.
Esther sorriu da lateral da cama, limpando discretamente uma lágrima do canto do olho.
— Ele é a prova viva do significado do nome dele, Bree.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar