Capítulo 288 — O Fio Oculto do Destino
Aubrey Blackwood
O sol de sexta-feira banhava os jardins da mansão com uma claridade limpa, anunciando um dia que tinha tudo para ser perfeito. Era o aniversário do Tristan. Trinta e três anos do homem que reconstruiu o meu mundo pedaço por pedaço, que secou cada lágrima da minha dor e que agora contava os dias para segurar o nosso filho nos braços.
Toda a família ia se reunir ali na propriedade do Damien para passar o final de semana inteiro comemorando. Os quartos de hóspedes já estavam arrumados, e a cozinha era um formigueiro de panelas sob o comando da minha tia e da Nina.
— Tem certeza absoluta de que quer fazer isso, Bree? — Katlyn perguntou encostada na ilha de mármore da cozinha, me analisando com aquele olhar protetor de quem não queria me ver dar um passo fora da linha.
Ela e Taylor tinham acabado de chegar de Manhattan. Deixaram Diva, Arianna e Marina acomodadas na sala de TV junto com as babás e com as crianças.
Ajeitei o vestido longo de malha que abraçava a curvatura monumental da minha barriga de trinta e oito semanas e meia.
— Eu tenho certeza, Katy — respondi sorrindo, passando a mão pelo tecido macio. — Eu só preciso de uma hora no shopping para pegar o presente do Stan. O Elijah me examinou anteontem e disse que o bebê está ótimo, a dilatação está fechada e eu não estou sentindo nada fora do comum.
Emma, que descia a escada terminando de prender os cabelos loiros em um rabo de cavalo alto, parou ao nosso lado e cruzou os braços com uma sobrancelha arqueada.
— E as dores no pé da barriga que você reclamou ontem à tarde na varanda, dona Aubrey?
— Contrações de treinamento, senhora Knight! — me defendi, fingindo indignação para mascarar o cansaço. — O próprio Eli avisou que a barriga ia pesar nessa reta final. Por favor, meninas… É o aniversário dele. Eu quero escolher o presente do meu marido com as minhas próprias mãos.
Emma e Katlyn se entreolharam, suspirando em rendição, enquanto Taylor pegava a chave da bolsa com aquele sorriso resignado.
— Tá bom, teimosa. Mas se você der um único pio de dor naquele shopping, eu te carrego igual a um saco de batatas de volta pro carro. Vamos logo antes que o Tristan desconfie de alguma coisa lá da empresa.
Entramos no SUV com os seguranças na escolta. Porque depois de tudo que passamos os nossos maridos se tornaram extremamente paranóicos.
O trajeto até o centro comercial foi rápido, embalado por risadas, comentários sobre as travessuras de Luca e Ellie e as piadas ácidas da Taylor sobre como Dominic ficava neurótico com a ideia da Arianna crescer e arrumar um namorado.
No shopping, fomos direto à joalheria tradicional onde eu havia feito a encomenda prévia.
O atendimento foi impecável. Escolhi um relógio clássico suíço para o Tristan, em aço escovado e fundo azul-safira, discreto e imponente como ele. E, do expositor central, pedi para embalarem uma corrente fina de ouro branco com dois pequenos pingentes entrelaçados em forma da letra T.
— Ficou simplesmente perfeito, amiga. — Emma elogiou, admirando a delicadeza da jóia.
Saímos da loja entre risos soltos. Levei a mão ao peito, tocando os pingentes, e fechei os olhos por um segundo. Tristan e Tobias. Os dois homens da minha vida. A razão de cada batida do meu coração. O vazio e o luto daquele passado tenebroso armado pela Giovanna pareciam ter ficado a séculos de distância; nós tínhamos vencido.
Pegamos o elevador panorâmico e descemos até o subsolo dois do estacionamento. O ambiente de concreto era amplo, com iluminação amarelada e pouca movimentação naquele horário.
Emma vinha caminhando colada ao meu lado, com a mão espalmada carinhosamente sobre a minha barriga.
— Ai, Tobias… O bebê da dinda tá tão quieto hoje. Não vejo a hora de ver esse rostinho lindo e apertar essas bochechas, sabia?
— Ele deve puxar a calma do pai. — brinquei, rindo da empolgação dela enquanto ajustava a alça da bolsa no ombro.
Estávamos distraídas, conversando sobre o berço de mogno que havia chegado no dia anterior, quando um som seco de pneus cantando no concreto ecoou pela curva da pista principal do estacionamento. O barulho foi tão estridente que cortou o ar como um tiro.
Um sedã preto desgovernado, em alta velocidade, perdeu a tração ao contornar o pilar e veio derrapando de lado, descontrolado, na nossa direção exata.
O tempo congelou.
— CUIDADO!! — o grito desesperado da Taylor rasgou o espaço.
Mas não foi apenas a voz dela. Quase ao mesmo tempo, uma voz masculina, madura, rascante e carregada de um pavor ensurdecedor berrou o meu nome do outro lado da vaga:
— AUBREY!!
Virei o rosto em um reflexo cego.
Antes que eu pudesse dar um passo, um vulto alto avançou contra mim com uma força desesperada. Um corpo pesado colidiu contra a minha lateral, me envolvendo e me puxando para o chão enquanto outro segurança empurrava Emma para o vão entre dois carros estacionados.
Caí de lado no concreto frio.
O estrondo da batida foi aterrador. O sedã atingiu em cheio a coluna de concreto a menos de dois metros de onde estávamos, estraçalhando a lataria da frente e levantando uma fumaça densa e branca com cheiro de borracha queimada.
O impacto da queda arrancou o ar dos meus pulmões.
— Querida! Você está bem?! E o bebê?! — a voz masculina soou trêmula, urgente, colada ao meu rosto.
Duas mãos grandes, marcadas por veias proeminentes e com a pele calejada, seguraram as minhas bochechas com um cuidado infinito. Abri os olhos atordoada, piscando contra a poeira que subia do chão.
O homem ajoelhado sobre mim era um senhor. Tinha cabelos grisalhos densos, marcas profundas de expressão ao redor dos olhos e uma barba bem cuidada salpicada de branco. Mas o que me paralisou por completo foram os olhos dele.
Verdes. De um tom esmeralda límpido e profundo, idênticos aos…

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