Capítulo 280 — Seria possível?
Aubrey Blackwood
A brisa fresca de Hudson Valley trazia o aroma doce das flores silvestres e o som alegre das gargalhadas que vinham da pista de dança de madeira. O casamento da Fer e do Ozzie estava sendo exatamente o que todos nós precisávamos: leve, luminoso e transbordando vida.
Eu estava em pé perto da mesa de sobremesas, rindo das palhaçadas da Taylor, que tentava convencer Dominic a dançar uma música pop agitada, enquanto Katy e Fer dividiam uma taça de frutas vermelhas. Meus pés descalços agradeciam o alívio de ter deixado os saltos de lado sob a cadeira há quase uma hora.
Peguei uma pequena taça com musse de limão siciliano, mas no exato segundo em que o cheiro cítrico e adocicado tocou o meu nariz, o meu estômago deu uma cambalhota violenta.
Uma pontada fria subiu pela minha garganta. O ar pareceu ficar rarefeito de repente.
Pousei a taça na mesa com a mão trêmula e levei os dedos à testa, sentindo uma onda súbita de suor frio umedecer a minha pele.
— Bree?
A voz grave, rouca e absurdamente atenta do Tristan soou imediatamente ao meu lado. Ele não precisava de mais de dois segundos para notar qualquer oscilação no meu corpo. Antes mesmo que eu pudesse disfarçar, as mãos quentes dele pousaram firmes na minha cintura, os olhos verdes faiscando em pura preocupação.
— O que foi, meu amor? Você empalideceu.
— Nada, Stan… — tentei sorrir, respirando fundo pelo nariz. — Foi só uma tontura boba. Acho que o sol da tarde me deixou um pouco desidratada.
— Você quase não comeu nada na mesa principal — ele repreendeu com aquela doçura protetora, ajeitando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Quer um pouco de água?
— Quero… — comecei a responder, mas uma segunda onda, três vezes mais forte e ácida, atingiu o meu estômago em cheio. A boca encheu de saliva e a náusea me dobrou ao meio. Tapei a boca com as duas mãos, soltando um gemido abafado enquanto o mundo ao redor girava.
Tristan me segurou com força antes que os meus joelhos cedessem.
— Ei, ei! Calma! Eu tô aqui.
— O que está acontecendo aqui? — Esther surgiu na nossa frente. Com o olhar clínico afiado, ela tocou o meu pescoço, checando a temperatura da minha pele, e olhou para o Tristan com autoridade imediata. — Tira ela do meio dessa música e desse barulho agora, Stan. Leva a Bree para a suíte de vocês no andar de cima.
Tristan nem esperou uma segunda ordem. Ele passou um braço pelas minhas costas, o outro por baixo das minhas pernas e me ergueu no colo sem esforço nenhum, subindo as escadas com passos largos e apressados enquanto eu afundava o rosto na curva do pescoço dele, lutando contra a vertigem.

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