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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 265

Capítulo 265 — O Meu Próprio Milagre

Elijah Cross

Eu passei a última década da minha vida dentro de centros cirúrgicos e salas de parto. Conhecia cada centímetro da anatomia feminina, dominava as curvas de dilatação, os ritmos cardíacos fetais e o som exato que um útero faz antes de se abrir para o mundo.

Para centenas de famílias que passaram pela minha clínica em Nova York, eu era a autoridade inabalável, o médico que mantinha as mãos firmes mesmo quando o alarme do monitor disparava em código vermelho.

Mas nenhuma faculdade de medicina do planeta prepara um homem para ver a mulher da sua vida se contorcer na própria cama.

Desde o final da tarde, quando ainda estávamos na sala de estar conversando com as meninas, notei que havia algo fora do prumo com a Mia. O olhar dela fugia, as mãos iam até a lombar com uma frequência que não era comum e a respiração vinha curta. Insisti três vezes para examiná-la, mas ela, com aquela teimosia adorável de enfermeira, desconversou em todas:

"São só contrações de treinamento, Eli. Para de bancar o obstetra neurótico no nosso final de semana de folga."

Eu devia ter confiado no meu instinto.

Fui arrancado da inconsciência no meio da madrugada por um som que gelou a minha espinha. Não era um suspiro de cansaço; era um gemido abafado, rascante e cru. Quando estendi a mão no escuro, o lençol sob as pernas da Mia estava completamente ensopado. A bolsa havia se rompido.

Como médico, eu sabia perfeitamente que bolsa rota não é sinônimo de expulsão imediata. Sabia que o trabalho de parto pode levar horas, que o colo uterino precisa afinar e que a descida do feto obedece a uma mecânica biológica precisa.

Mas no instante em que acendi o abajur e vi o rosto da Mia empapado de suor, as pálpebras tremendo e a contração cavando o ventre dela em um espasmo violento de menos de dois minutos, toda a minha frieza científica evaporou.

O pânico foi físico. O coração subiu para a garganta. Naquele segundo, o doutor Elijah Cross desapareceu; sobrou apenas o marido apavorado, exatamente igual a cada um dos homens que eu já tinha visto perderem o chão nas minhas salas de parto.

A intervenção da Esther no corredor foi o bisturi que cortou o meu desespero. Minha irmã tinha uma autoridade nata que colocava ordem no caos com duas palavras, e a ideia da Violet sobre as banheiras de hidromassagem foi o golpe de mestre. A água morna traria relaxamento para o assoalho pélvico, diminuiria a descarga adrenérgica e compensaria a falta de uma analgesia peridural no meio da serra.

Carreguei Mia de volta para a nossa suíte às pressas. O banheiro do quarto de hóspedes tinha uma banheira funda de alvenaria. Em questão de minutos, Savannah, Emma, Katlyn e Fernanda entraram como uma tropa de apoio silenciosa e eficiente.

Savannah já havia prendido os cabelos e puxado as mangas, organizando compressas, toalhas limpas e os materiais esterilizados que Violet nos entregou antes de assumir o parto da Athena.

Enquanto a banheira enchia, ajudei Mia a tirar a camisola ensopada. O vapor quente subiu pelo mármore, e quando deslizei o corpo dela para dentro da água morna, ela soltou um suspiro entrecortado de alívio, apoiando os braços na borda.

Emma se ajoelhou à esquerda, segurando a mão da Mia com um carinho que me emocionou; Fernanda trazia compressas mornas para a nuca da minha esposa, e Katy mantinha um copo de água fresca à mão, pronta para quando ela pedisse.

Entrei na água de joelhos, sem me importar com a calça encharcada. Calcei as luvas estéreis e fiz o toque com cuidado extremo.

Dez centímetros. Dilatação total.

— A cabeça tá no plano três, meu amor — avisei com a voz trêmula, tentando forçar um sorriso calmo enquanto acariciava a perna dela sob a água. — O nosso garoto tá quase aqui. No final da próxima onda, você empurra devagar.

Mia cerrou os olhos e empurrou. As veias do pescoço dela saltaram, as unhas cravaram na mão da Emma até deixar os nós dos dedos brancos e um grito doloroso ecoou pelo banheiro.

A contração passou. Mia desabou contra a borda da banheira, o peito arfando descompassado, a pele perdendo a cor num tom assustador de palidez. O suor escorria aos montes por sua testa.

— De novo, Mia — pedi, sentindo um suor frio brotar na minha própria nuca. — O queixo no peito, força para baixo.

Ela tentou. Empurrou mais uma vez, mas o esforço foi fraco, desarticulado. A contração cessou e a cabeça do bebê, que havia insinuado a descida, recuou de volta.

— Eu não consigo, Eli… — Mia começou a chorar em desespero, os lábios roxos tremendo, a voz quebrando em soluços abafados. — Tá doendo demais… Eu não tenho mais forças nas pernas. Ele não vai descer… Eu preciso de uma cesariana! Por favor, me leva pro hospital… faz uma cesárea em mim agora!

Ouvir aquilo da minha própria mulher, que conhecia o parto de dentro para fora como enfermeira, foi um soco no estômago.

Eu travei.

As minhas mãos enluvadas começaram a tremer sob a água. Olhei para a dilatação, olhei para a fraqueza nos olhos dela e o chão pareceu sumir sob os meus joelhos. Se eu estivesse no hospital com a minha equipe, saberíamos o momento de converter para cirurgia.

Mas estávamos no meio de uma floresta em Hudson Valley. Não havia centro cirúrgico. Não havia anestesista. Não havia bisturi elétrico. Se o feto entrasse em sofrimento anóxico ali dentro…

— Doutor Cross! — a voz firme e cortante da Savannah quebrou a minha paralisia. Ela se inclinou sobre a banheira, tocando o ombro da Mia com doçura antes de me focar com olhos duros de quem já viu a morte de perto na UTI. — Ela tá em exaustão, mas a frequência cardíaca fetal tá estável. Você precisa comandar isso aqui, Elijah. Agora!

— Eu… — tentei falar, mas a voz engasgou. O pânico de perder os dois em uma banheira me sufocava.

Foi então que uma mão pesada, sólida como uma rocha, desceu sobre o meu ombro direito.

Virei o rosto num sobressalto.

Damien estava parado logo atrás de mim, abaixado na altura dos meus olhos. Ele mantinha a postura calma, os traços firmes e aquele olhar azul tão penetrante que parecia capaz de estancar uma hemorragia só com a presença.

— Respira, Eli — Damien falou com a voz grave, pausada e sem um único milímetro de hesitação. — Olha pra mim. Você é o melhor médico que eu já vi operar neste país. Você salvou vidas quando ninguém mais acreditava que houvesse salvação, a Taylor está aí pra provar isso. Você é o homem que vai trazer o seu filho ao mundo. Se você disser agora que nós temos que colocá-la na caminhonete e voar pela serra, os carros já estão ligados lá embaixo e nós vamos. Mas se você sabe que ela aguenta… assume o controle dessa porra e traz o seu garoto. Nós estamos aqui com você.

As palavras do Damien bateram contra a minha cabeça como um choque desfibrilador.

Um berro rouco, forte, zangado e comovente encheu o quarto.

Gritos de alívio explodiram ao mesmo tempo. Emma chorou abraçada à Fer, Katy levou as mãos à boca rindo em meio às lágrimas, e Savannah soltou um suspiro emocionado enquanto grampeava o cordão umbilical.

O som daquele choro atravessou a porta e ecoou pelo corredor, onde ouvimos os gritos e as palmas dos rapazes comemorando lá fora. A nossa família inteira estava ali, do outro lado da parede, compartilhando cada segundo.

Ajeitei o bebê na toalha felpuda e o deitei diretamente sobre o peito nu da Mia.

Ela desabou sobre a criança, envolvendo-a com os dois braços trêmulos, beijando a cabecinha molhada enquanto ria e chorava em um misto de êxtase puro. O bebê resmungou manhoso, encolhendo os bracinhos gorduchos e procurando o calor da pele da mãe.

Eu não consegui mais conter. As lágrimas que segurei a noite inteira desceram livres, molhando as minhas bochechas, o peito ensopado e a borda da banheira.

Aproximei o meu rosto dos dois, envolvendo a minha esposa e o meu filho em um abraço protetor. Desci a minha boca e beijei o topo da cabecinha macia daquele pequeno ser, sentindo o cheiro mais puro que a vida já me ofereceu.

— Bem-vindo ao mundo, Mathias… — sussurrei com a voz completamente embargada pelo choro, sentindo o meu coração bater no mesmo compasso daquele peitinho minúsculo. — Bem-vindo ao mundo, meu filho.

Mia ergueu os olhos marejados para mim, acariciando a minha barba molhada com a ponta dos dedos.

— Nós conseguimos, doutor Cross… Nós temos o nosso menino.

— Nós conseguimos, meu amor — sorri através das lágrimas, beijando os lábios dela com uma devoção que palavras jamais alcançariam.

Durante anos, eu fui apenas o instrumento que Deus usou para entregar o milagre da vida nas mãos dos outros. Eu vi centenas de pais chorarem, assisti a recomeços e celebrei a vitória alheia como se fosse minha.

Mas ali, de joelhos naquela água, ouvindo a respiração do meu filho colada ao peito da mulher que eu amava, entendi tudo.

Eu não era mais apenas o médico que contemplava o milagre.

Desta vez, o milagre era meu. O meu Mathias. O meu pedaço de céu na terra.

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Mathias significa: "dom de Deus", "presente de Deus", ou "dádiva de Deus".

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