Capítulo 262 — Guerreiro
Emma Anderson
Aos poucos, a movimentação no refúgio dos Blake foi se intensificando conforme os outros carros começavam a encostar no pátio. Dominic e Taylor chegaram logo em seguida trazendo Katlyn e Bruno, seguidos pelo carro de Ambrose e Fernanda, que ainda pareciam flutuar de alegria pela novidade do bebê deles.
Como sempre acontecia nas nossas reuniões familiares, o grupo se dividiu de forma quase orgânica. Os homens foram para a área externa da varanda gourmet, onde Noah e Damien já começavam a acender a churrasqueira e falar sobre carnes e carros, enquanto nós, as mulheres, nos aninhamos na imensa sala de estar aquecida por um tapete fofo, almofadas e mantas grossas.
No meio do círculo de sofás, uma barriga redonda, volumosa e exuberante chamou a minha atenção de imediato.
Athena, a irmã mais nova do Atlas, estava sentada confortavelmente em uma das poltronas reclináveis, acariciando o ventre com aquele brilho sereno e pleno que a maternidade traz.
— Athena! — me aproximei a passos lentos, me abaixando ao lado da poltrona dela e tocando suavemente a curva generosa do vestido dela. — Meu Deus do céu, olha o tamanho desse menino! No casamento do Eli ele não estava desse jeito nem de longe.
Athena soltou uma risada melodiosa, jogando a cabeça para trás.
— Nem me fale, Emma! Parece que ele dobrou de tamanho nas últimas três semanas. Tem dias que eu acho que ele vai furar a minha costela com um chute. Eu não vejo a hora desse moleque decidir nascer logo e me devolver os meus pulmões!
— Nem reclama, Atheninha. — Mia comentou, acomodando-se no braço do sofá com um copo de água, exibindo a sua própria barriga com orgulho. — Meu filho usa a minha bexiga de cama elástica todas as noites. Outro dia quase pedi pro Eli me colocar uma sonda, assim eu evitava a fadiga e as idas a cada uma hora ao banheiro.
Todas nós rimos.
— Eu podia ter pensado nisso. — Penny disse. — Isso teria me ajudado muito, na minha época o Chris acordava junto. E o humor dele ficava péssimo por acordar.
— Não posso reclamar, meu amor sempre foi compreensivo comigo. — Sammy disse suspirando.
— Ah pelo amor de Deus que melação!! — Tay falou jogando uma almofada na nossa amiga.
Esther soltou uma risada do canto da sala ao lado da Violet.
— Deus, vocês pensando nas madrugadas no banheiro, enquanto eu só penso que serei tia e avó pela segunda vez quando esses moleques nascerem.
Pisquei duas vezes, olhando da Esther para a Athena com uma expressão confusa:
— Espera… avó? Como assim a Esther vai ser avó de novo?
Athena abriu um sorriso doce, mas um pouco tímido, segurando a minha mão sobre a barriga dela.
— É por causa do Juan e dos meninos, Emma. Ele adotou a Sammy e o José… tecnicamente a Esther virou avó por extensão familiar.
— Isso se chama complicação burocrática dos Rivera — Esther deu de ombros com aquele charme único, arrancando risos de todas nós. — A Carina mal saiu das fraldas e eu já tenho o Eros correndo pelo meu jardim balbuciando um “oó” e agora o Juanito a caminho para me chamar de vovó Esther. É o fim da minha juventude.
— Ah, para de palhaçada, Esther! — Taylor disparou do outro lado da sala, jogando uma almofada leve na direção da nossa amiga. — Você adora bancar a matriarca poderosa! O que eu ainda não engoli foi a Athena ter cedido a essa palhaçada de nome. Juanito, Atheninha? Sério mesmo?
A sala explodiu em risadas soltas. Athena corou de leve, mas defendeu com firmeza.
Jenny deu um meio sorriso suave, os olhos brilhando com uma sabedoria que só a dor superada traz:
— Eu sei exatamente o que você está sentindo, querida. Quando eu estava grávida da minha menina… eu levei um tiro. Na verdade só descobrimos a gravidez naquele dia, antes da cirurgia. Eu tive muito medo, e o Declan mesmo tentando ser forte, também ficou destruído e apavorado.
Ela apertou a minha mão com força.
— Mas os nossos filhos são muito mais fortes do que nós imaginamos, Emma. A minha garotinha foi uma guerreira desde o primeiro segundo e hoje está lá dentro dormindo como um anjo. O seu filho tem o mesmo sangue valente, eu sei disso. Ele vai aguentar firme. Confia nele.
As palavras da Jenny me tocaram no fundo da alma. Dei um passo à frente e a puxei para um abraço apertado, sentindo o nó na garganta se desfazer um pouco mais.
— Obrigada, Jenny. Eu precisava tanto ouvir isso…
— Não se culpe por ter medo, Emma. Isso é extremamente normal, só não permita que ele dite as regras por vocês. Você é uma guerreira, e seu menino também vai ser.
Depois de tudo que eu passei quando meu pai ficou doente, com a morte dele e da minha mãe, as minhas dificuldades com a Ellie, eu quase perdê-la como perdi meus pais. Eu ainda estava aqui, de pé.
Levei a mão na minha barriga e as palavras da Jen preencheram minha mente novamente.
“Você é uma guerreira, e seu menino também vai ser.”
Um guerreiro… eu só preciso acreditar nisso. Que meu menino é um guerreiro.

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