Capítulo 277 — As Raízes da Paz
Emma Anderson
O asfalto da Ponte RFK ainda estava gélido sob o meu corpo, mas os braços de Damien eram um abrigo impenetrável. Ele me apertava contra o peito com tanta força, com tanto desespero, que eu podia sentir as batidas violentas do coração dele martelando contra a minha bochecha molhada de lágrimas.
O vento impiedoso do East River bagunçava os meus cabelos, mas o pesadelo finalmente havia se dissipado nas águas cinzentas lá embaixo.
O som característico de pneus cantando chamou a nossa atenção em meio à confusão de sirenes e luzes vermelhas.
Uma viatura médica avançada freou a poucos metros de nós. As portas traseiras se escancararam e Elijah saltou de dentro, trazendo uma maleta rígida nas mãos, seguido de perto por Esther, que ainda trajava o jaleco do hospital. Os dois médicos abriram caminho pelo cerco policial com passos firmes e urgentes.
— Abre espaço, Damien! Deixa a gente olhar ela agora! — Esther ordenou com aquela autoridade nata, ajoelhando-se no chão frio sem se importar em sujar a calça escura.
Damien afrouxou o aperto com relutância, mantendo uma das mãos colada à minha nuca e a outra entrelaçada nos meus dedos trêmulos.
Elijah se posicionou ao meu lado, os olhos azuis faiscando em pura concentração clínica. Ele puxou o estetoscópio do pescoço, posicionou a campânula sobre o tecido fino e rasgado do meu vestido e começou a ausculta rápida.
Ele checou meu pulso, avaliou a dilatação das minhas pupilas e colocou o sonar portátil no meu baixo ventre, pressionando o gel frio contra a minha pele arrepiada.
O chiado mecânico ecoou no ar aberto da ponte por três segundos intermináveis.
E então… o galope duplo e compassado preencheu o silêncio tenso.
Tuc-tuc-tuc-tuc.
Soltei um soluço longo, cobrindo a boca com a mão livre enquanto as lágrimas embaçavam a minha visão.
— A frequência do bebê A está em cento e quarenta e cinco batimentos, perfeita. — Elijah anunciou com a voz ligeiramente embargada de alívio. Ele deslizou o aparelho dois centímetros para a esquerda. — O bebê B está em cento e trinta e oito. O ritmo cardíaco está regular, sem arritmias imediatas. Mas a sua pressão arterial sistêmica está nas alturas, Emma. O estresse foi extremo. Nós precisamos levar você para o hospital agora para monitoramento contínuo, ultrassom detalhado com doppler e medicação venosa preventiva.
— Nós vamos com a escolta agora mesmo. — Damien disse, a voz rouca e firme, me erguendo do chão nos braços como se eu não pesasse nada e me acomodando na maca de suporte.
A travessia até o hospital foi um borrão de luzes e sirenes.
No centro obstétrico, fui cercada por uma equipe ágil e silenciosa. Passei por um protocolo rigoroso de monitoramento: Elijah passou mais de quarenta minutos examinando cada milímetro do coraçãozinho do bebê B na tela de ultrassom de alta resolução, medindo o fluxo da válvula aórtica e o refluxo ventricular.
Damien permaneceu de pé ao lado da maca durante todo o processo, sem soltar a minha mão, com os olhos fixos na tela como se pudesse proteger os nossos filhos com o próprio olhar.
— O ventrículo suportou a descarga de adrenalina sem descompensar. — Elijah finalmente declarou, desligando o monitor e me dando um sorriso emocionado de amigo e compadre. — Não há descolamento de placenta, não há sangramento oculto e o fluxo útero-placentário está intacto. Vocês dois foram fortes demais lá em cima. Mas a partir deste segundo, Emma… repouso na cama até segunda ordem.
A notícia foi uma dose pura de oxigênio. Tomei soro para reidratação, recebi as medicações necessárias e, poucas horas depois, a liberação oficial para voltar para casa foi assinada.
Chegar à mansão em Hoboken ao entardecer foi como cruzar a linha de chegada de uma guerra sem fim.
Assim que o nosso SUV parou diante da escadaria de mármore e a porta se abriu, dois pequenos vultos desceram correndo os degraus em desespero, ignorando os protestos dos seguranças no pátio.
— EMMA! — Ellie berrou, com os olhos vermelhos e as bochechas inchadas de tanto chorar.
— MAMÃE! — o grito de Luca rasgou o ar.
Damien me ajudou a descer devagar, sustentando a minha cintura. Me abaixei no primeiro degrau e os dois colidiram contra o meu corpo com um impacto desesperado e comovente.
Ellie jogou os bracinhos ao redor do meu pescoço, soluçando contra o meu queixo com uma força que quase me sufocava, enquanto Luca enterrou o rostinho na curva da minha barriga, abraçando o meu ventre com os dois bracinhos curtos, tremendo da cabeça aos pés.
— Eu prometi… Eu prometi que voltava, meus amores… — sussurrei com a voz despedaçada, beijando as bochechas, os cabelos, os olhos molhados de cada um deles. — A mamãe tá aqui. A Em tá aqui. Ninguém nunca mais vai tirar a gente de perto.
Damien se ajoelhou atrás de nós, envolvendo os três em seus braços largos e pesados, chorando em silêncio enquanto as crianças nos apertavam.
Ao erguermos os olhos, percebi que a nossa fortaleza estava inteira ali.
Toda a nossa família, sem uma única exceção, preenchia a varanda ampla e o hall da mansão. Dominic e Taylor com a pequena Arianna; Tristan e Aubrey com os olhos brilhando de alívio; Chris e Penny; Ambrose com Fernanda; Declan e Jenny; Noah e Ju; Bruno e Katlyn; e até mesmo Athena, segurando com todo o zelo o recém-nascido Juanito ao lado de José, e Mia, aninhando o pequeno Mathias no colo.
Não havia discursos formais. Havia apenas o peso doce e acolhedor de quem dividiu cada gota de medo e agora celebrava o milagre de estarmos todos vivos e inteiros.
— Muito bem, chega de aglomeração aqui fora. — Esther tomou a frente, assumindo o controle com aquela praticidade inabalável. — Essa grávida precisa de cama, banho morno e silêncio. Vamos subir com ela agora.
As meninas me cercaram como um cordão humano protetor. Elas me ajudaram a subir os lances de escada com passos calmos, conduzindo-me até a minha suíte.
Enquanto Damien ficou no piso inferior acalmando as crianças com a ajuda dos rapazes, Juliet e Esther cuidaram de mim com uma delicadeza comovente. Esther examinou os meus tornozelos e mediu a pressão mais uma vez, enquanto Ju preparava a banheira com água morna e sais calmantes. Tomei um banho restaurador que lavou a poeira e o terror daquele dia da minha pele.
Vesti uma camisola de algodão branca, macia e solta, e me deitei sobre os edredons fofos da cama king.

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