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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 276

Capítulo 276 — O Abismo de Manhattan

Damien Knight

Eu já sabia sobre a morte da Clara. Vicent havia descoberto, Dominic confirmou e a própria Verônica confessou antes de matar Izabel. Mas ouvir ela dizer isso enquanto tinha a minha mulher na mira de uma arma, explodiu algo dentro do meu peito.

A fúria que subiu pela minha espinha ameaçou me cegar, mas no segundo em que os olhos azuis da Emma encontraram os meus, qualquer desejo de vingança foi esmagado pelo pavor de perdê-la.

Emma estava quase suspensa. A mureta de ferro da Ponte RFK batia na altura da sua cintura, e as águas cinzentas e revoltas do East River corriam quarenta metros abaixo, prontas para engolir qualquer corpo que despencasse daquela altura. Se Verônica puxasse o gatilho ou simplesmente se jogasse para trás, levaria a mulher da minha vida e os meus filhos para o fundo daquele abismo.

O dedo dela continuava trêmulo sobre o cão armado do revólver.

Eu precisava parar o mundo. Precisava desarmar aquela bomba antes que o gatilho cedesse.

Engoli o gosto amargo do ódio, fechei os punhos e forcei cada músculo do meu corpo a relaxar. As lágrimas desceram quentes pelas minhas bochechas, lavando o pânico, mas a minha voz precisava soar mansa, vulnerável, entregue.

— Verônica… — chamei baixo, dando meio passo lento, abaixando os ombros em sinal de submissão absoluta. — Olha para mim. Esquece a Emma. Esquece todo mundo. Olha para nós dois. Pra quem nós fomos um dia.

Ela piscou, o delírio faiscando nas íris desgovernadas. O cano da arma oscilou um milímetro sobre a têmpora de Emma.

— Não tenta me enganar, Damien! Você nunca me quis! Você sempre olhou para mim como se eu fosse um inseto!

— Eu errei, Verônica — menti com uma doçura calculada, sentindo a minha própria garganta sangrar por dentro, mas mantendo o tom aveludado e compassivo. — Eu fui cego. Eu passei anos preso a culpas antigas e nunca tive a coragem de enxergar a única mulher que realmente lutou para estar ao meu lado. Eu achei que podia construir uma vida simples com a Emma, mas olha onde nós viemos parar… Olha o que o seu amor é capaz de fazer. Você é imparável.

Emma soltou um soluço fraco, o rostinho pálido banhado de lágrimas, mas os olhos inteligentes dela entenderam o jogo. Ela não protestou. Não se moveu. Manteve as duas mãos sobre o ventre, respirando curto, confiando a própria vida à encenação desesperada do homem que a amava.

— Você… você tá dizendo isso só para salvar ela. — Verônica gaguejou, mas a vaidade doentia começou a corroer a sua guarda. A postura rígida vacilou por uma fração de segundo. — Você quer essa vadia e os bastardos dela!

— Eu quero viver, Verônica. — dei mais um passo milimétrico, erguendo a mão aberta em sua direção, como se oferecesse um pacto. — E quero que você viva. Se você pular dessa ponte, tudo acaba. O que nós vamos provar para essa cidade se você morrer aqui? Você venceu. Você destruiu o meu relacionamento, você acabou com a minha paz, você me colocou de joelhos diante de dezenas de policiais. Eu estou aqui, implorando pela sua atenção. Me deixa consertar as coisas. Solta ela… e vem comigo. Você sabe que tenho dinheiro, tenho condições para te tirar daqui. Tenho como fazer nós dois sumirmos deste país ainda hoje.

Ao meu lado, Dominic percebeu a distração. O agente federal começou a avançar um centímetro por vez pelo asfalto, diminuindo o ângulo com a arma empunhada na altura do peito, a respiração presa.

Mais atrás, passos rápidos e silenciosos cortaram a retaguarda das viaturas.

Chris havia acabado de encostar o carro no bloqueio. E ao lado dele, saindo da sombra das viaturas com uma frieza assustadora e a experiência de quem já sobreviveu a dezenas de emboscadas, estava Juan.

Juan não gritou. Não fez perguntas. Ele apenas avaliou o cenário em dois segundos. Viu a mureta, viu a inclinação do corpo da Emma, viu a mão enluvada da Verônica e o espaço de menos de dez centímetros entre a cabeça da minha mulher e a têmpora da criminosa.

Ele deu dois passos laterais, alinhando-se exatamente à direita de Dominic. Com a calma de uma sombra, Juan sacou a pistola de calibre pesado que trazia sob o casaco escuro, ergueu os dois braços e encontrou a linha de tiro limpa no vão entre os cabos de aço da ponte.

Verônica estava completamente hipnotizada pelas minhas palavras, os lábios entreabertos em um transe de ego inflado.

— Você… você realmente viria comigo, Damien? Sem polícia? Sem ela?

— Eu vou para onde você mandar, Verônica. — sussurrei, dando mais um passo, fixando o olhar no dela para não deixá-la desviar a atenção por nada no universo. — Mas você precisa soltar a Emma agora. Por favor…

Ela hesitou. O braço que sufocava o pescoço da Emma afrouxou um centímetro. A arma começou a descer devagar da têmpora da minha mulher.

Foi a brecha.

O estampido do tiro rasgou o vento da ponte com um estrondo seco, ensurdecedor e cirúrgico.

O projétil de Juan atingiu em cheio o ombro direito de Verônica.

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