Entrar Via

O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 273

Capítulo 273 — A Troca e o Desespero

Emma Anderson

O metal gelado do cano do revólver cravado contra a minha têmpora parecia queimar. O cheiro nauseante de borracha queimada, fumaça química dos airbags e o perfume doce, enjoativo da Verônica se misturavam no ar pesado do subsolo.

Atrás das minhas pernas trêmulas, o choro da Ellie era um soluço fino e sôfrego. Luca a segurava pela manga do casaco cor-de-rosa, com o corpinho inteiro sacudindo de pavor, mas mantendo os olhinhos verdes arregalados sobre a figura aterrorizante diante de nós.

Ao lado, o homem de boné escuro mantinha a pistola semiautomática com silenciador apontada com firmeza para a cabeça do meu filho. O dedo dele descansava sobre o gatilho com uma indiferença que congelava o meu sangue.

Meu bebê B. A recomendação de repouso absoluto do Elijah, o aviso sobre o esforço cardíaco, as semanas de cuidado… Tudo aquilo parecia um eco distante enquanto meu coração disparava em um galope ensurdecedor contra a minha caixa torácica.

Eu sentia cada batida pulsar na minha garganta, uma pontada aguda e fria no baixo ventre me alertando sobre o estresse súbito. Mas eu não podia desabar. Não ali. Não na frente deles.

Se eu entrasse em pânico, minha irmã e meu filho morreriam.

Engoli o gosto metálico da bile que subiu pela minha boca. Respirei pelo nariz, forçando os meus ombros a pararem de tremer, e encarei os olhos gélidos de Verônica. A loucura brilhava ali, reluzente como vidro quebrado, mas havia também a vaidade patética de quem se achava intocável.

— O que você quer, Verônica? — perguntei, e a minha própria voz me surpreendeu pelo tom firme, baixo e cortante, sem o tremor que me desmanchava por dentro.

Um riso seco e zombeteiro escapou dos lábios pintados de carmim daquela mulher.

— O que eu quero, queridinha? Eu quero justiça. Quero ver o Damien rastejar na lama. Quero ver aquele homem arrogante sangrar por ter me rejeitado, quero vê-lo sofrer por você, assim como ele me fez sofrer por ele, lágrima por lágrima.

O homem de boné deu um passo impaciente, apontando com a ponta da pistola para o furgão cinza.

— Cala a boca e anda logo, Verônica. O segurança ali pode ter avisado alguém antes de cair. Ainda temos o carro que foi na frente, os nossos estão de olho, mas assim que notarem que esse não saiu da garagem, ele vai voltar! Não temos tempo para discurso. Põe todo mundo na caçamba antes que a polícia feche as saídas.

A menção de colocar Luca e Ellie dentro daquele veículo escuro ativou o meu instinto de sobrevivência mais primitivo. Se aquelas portas se fechassem com as crianças lá dentro, eles estariam à mercê de dois psicopatas sem qualquer escrúpulo. Se algo desse errado em uma perseguição, se houvesse tiroteio… eles não teriam chance.

— As crianças não. — soltei, dando um passo milimétrico à frente, mantendo meu corpo como um escudo humano entre as armas e os dois.

Verônica ergueu uma sobrancelha, soltando uma risadinha debochada.

— Como é que é? Você acha mesmo que está em posição de ditar regras, sua coitada?

— Eu sou a mulher que o Damien ama. — afirmei, sustentando o olhar sádico dela sem desviar um milímetro. A dor no meu ventre pulsava, mas a minha voz permaneceu sólida como rocha. — Eu carrego os herdeiros de sangue dele. Os filhos dele estão na minha barriga. O Damien moveria o céu, a terra e todos os milhões daquele império para pagar o resgate que você exigir por mim. Mas se você tocar em um único fio de cabelo do Luca ou da Ellie, você perde qualquer poder de barganha. O Damien não vai negociar. O Dominic não vai negociar. Eles vão caçar você até o inferno, e a única coisa que você vai conseguir é uma bala entre os olhos antes de ver a cor de um único dólar.

— Você acha que quero o dinheiro dele? É isso que pensa que é isso aqui? Um sequestro por grana?

— Claro que é por isso Verônica! — O homem de boné rebateu. — Queremos a nossa liberdade, dinheiro pra sumir.

Ele disse, os olhos varrendo a garagem, esperando o momento em que o carro com a Fer e com a Bree voltasse, ou com os meninos chegando.

— Então o que você quer é me humilhar? Quer se vingar do Damien? Então me leva. — falei, mantendo as mãos abertas ao lado do corpo em sinal de rendição absoluta. — Eu entro naquele furgão por livre e espontânea vontade. Não grito, não resisto, não dou trabalho. Sou a sua refém completa. Mas com uma condição: você solta as crianças. Agora. Deixa elas aqui.

— Nem fodendo — o comparsa encapuzado que segurava o fuzil rosnou. — Quanto menos testemunhas, melhor. Apaga os pirralhos de uma vez e leva só a grávida!

— NÃO! — berrei, e o grito ecoou pelo concreto como um trovão. — Se você os matar agora esquece de conseguir sair dessa garagem com vida. O Damien está chegando, o Dominic e o FBI também. O carro com os outros seguranças já devem estar voltando. Você os mata, e morre!! É isso que você quer Veve? Morrer aqui comigo hoje? — usei o apelido para provocá-la, sabia que me matar fácil não era o que ela queria. E morrer fácil também não.

Verônica congelou. O cano da arma desceu alguns centímetros da minha têmpora, o ódio disputando espaço com a ganância doentia e o desejo de prolongar a minha agonia. Ela me mediu de cima a baixo, olhando para a minha barriga com um desprezo venenoso.

— Você realmente se acha uma heroína de folhetim, não é, babá?

— Eu sou a única coisa de valor que você tem aqui. A única que garante sua vingança e a sua vida! — rebati friamente. — Escolhe. Agora.

Um silêncio pesado caiu entre nós, quebrado apenas pelo choro baixinho de Ellie.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar