Capítulo 272 — Boa tarde, babá
Emma Anderson
— Dominic acabou de interceptar uma transmissão nos canais táticos do FBI — Gael continuou explicando com a voz baixa e fria como lâmina. — Uma mulher que b**e exatamente com a compleição física da Verônica foi flagrada por uma câmera de trânsito descendo de um sedan a quatro quadras deste shopping há vinte minutos. O perímetro não é seguro. Nós vamos recuar para a garagem agora.
O pânico foi instantâneo. Puxei Luca para junto da minha coxa com força excessiva, enquanto Aubrey segurava os ombros de Ellie, que me olhava assustada com a mudança repentina de clima:
— Mamãe? Nós não vamos comprar o brinquedo? — meu menino perguntou com inocência.
— Agora não, meu amor… Nós precisamos ir para casa — respondi, tentando mascarar o tremor na minha voz.
No mesmo segundo, o celular dentro da minha bolsa tocou alto. Puxei o aparelho em desespero. A tela brilhava com o nome de Damien.
Atendi levando o aparelho ao ouvido.
— Damien?!
— Emma, onde vocês estão exatamente? — a voz dele veio tensa, cortante, com o som de pneus cantando ao fundo como se ele estivesse acelerando um carro em alta velocidade.
— Nós estamos no piso térreo do shopping, perto da praça central. O Gael acabou de nos avisar sobre o alerta do Dominic…
— Saiam daí agora, Emma — Damien comandou com uma autoridade desesperada que fez as minhas pernas fraquejarem. — O Dominic rastreou o Dylan entrando em um estacionamento comercial nas imediações há dez minutos. Aqueles dois desgraçados estão caçando vocês. O Gael vai tirar vocês pela saída privativa da garagem do subsolo dois. Não conversem com ninguém, não parem para nada. Eu e os rapazes já estamos cruzando a ponte em direção a vocês. Entendeu?
— Entendi… Por favor, toma cuidado, Dam…
— Foco nas crianças, Emma. Eu amo vocês. Estou chegando.
A ligação caiu. Guardei o telefone com as mãos suadas e olhei para o Gael, que já sacava discretamente a arma sob o paletó escuro.
— Vamos descer pelas escadas de serviço do setor oeste. O elevador social é uma armadilha óbvia se alguém cortar a energia.
Descemos rapidamente as escadas de concreto cinza, cercadas pelo eco dos nossos próprios passos apressados. O ar frio da garagem subterrânea do subsolo dois nos atingiu como uma bofetada. O piso de asfalto polido estava escuro, iluminado apenas por luminárias fluorescentes espaçadas que deixavam sombras longas entre as colunas maciças de concreto.
Nossos dois SUVs blindados pretos estavam estacionados na baía reservada, perto da rampa de saída que dava para a rua lateral. O segundo segurança da escolta, Jacob, já estava de prontidão ao lado da porta do motorista do primeiro veículo, com a mão sob o coldre.
— Vamos dividir por segurança — Gael ordenou em voz baixa e rápida. — Bree e Fer, vocês entram no primeiro carro com o Jacob. Ele vai arrancar na frente para abrir o portão tático. Emma e as crianças vêm comigo no segundo SUV com o Thomas na direção.
— Gael, nós não vamos nos separar… — Fernanda tentou protestar, os olhos arregalados de medo.
— Não temos tempo para discutir, Fer! Entrem no carro agora! — ele disse firme, Aubrey puxou a amiga pela mão, abrindo a porta do passageiro e empurrando-a para dentro da blindagem pesada antes de se acomodar e travar a fechadura.
Jacob acelerou o motor potente do primeiro veículo, arrancando com os pneus cantando em direção à rampa de saída da garagem.
Gael abriu a porta traseira do segundo SUV para nós. Peguei Ellie no colo, colocando-a no banco de trás, enquanto Luca pulava para o assento ao lado dela com agilidade.
— Coloquem os cintos e abaixem as cabeças! — ordenei, entrando logo atrás deles e puxando a porta com força.
Gael saltou para o banco do carona dianteiro, sacando a pistola, enquanto Thomas, engatava a marcha e pisava fundo no acelerador.
— Segurem-se! Vamos sair colados na traseira do Jacob!
O carro deu um solavanco para a frente, ganhando velocidade pelo corredor deserto da garagem. A rampa de subida estava a menos de trinta metros de distância. O portão metálico já começava a se abrir com o acionamento remoto.
Mas nós nunca chegamos à rampa.

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