Capítulo 268 — Desembucha
Aubrey Fox
Segurar o pequeno Mathias nos braços no quarto da maternidade ontem à tarde foi um dos momentos mais doces e, ao mesmo tempo, mais devastadores das últimas semanas. Ele era tão miúdo, tão perfeito, com aquele calorzinho de vida nova que parecia emanar direto da pele macia.
Ao lado, no outro leito, Juanito resmungava no colo da Athena, cercado pela babação desenfreada da Sammy e da Esther.
Eu sorri, brinquei, tirei fotos e elogiei cada detalhe. Mas, bem no fundo, onde ninguém além do Tristan conseguia enxergar, havia uma pontada funda e silenciosa. Olhar para a Mia amamentando, lembrar da Emma carregando os gêmeos com tanta coragem e saber que a Fernanda tinha acabado de ser presenteada com o positivo reabria uma gaveta que eu lutava diariamente para manter trancada. A dor do nosso bebê perdido ainda ardia.
Mas não foi apenas essa melancolia que marcou a nossa volta para a casa de campo do Noah no final da tarde. Havia algo terrivelmente errado com os homens daquela casa.
No segundo em que o nosso comboio cruzou os portões de Hudson Valley, notei a tensão mascarada. Tristan veio ao meu encontro com um beijo urgente, mas os olhos dele pulavam de um lado para o outro como se calculasse rotas de fuga.
Damien conversava com Noah em sussurros rápidos que cessavam no milésimo de segundo em que a Emma se aproximava. Chris e Declan tinham um sorrisinho estampado no rosto, e até o Dominic, que normalmente era uma estátua impenetrável de gelo e seriedade, parecia desconfortável quando Taylor começou a relatar a visita ao hospital.
Antes do jantar, nós nos reunimos na sala de estar enquanto as crianças comiam na cozinha.
— Vocês estão notando essa palhaçada ou eu estou ficando paranoica? — Taylor foi a primeira a soltar, semicerrando os olhos castanhos na direção da varanda gourmet, onde os rapazes estavam aglomerados ao redor do Snake. — O Dominic não me deu um único sermão sobre a segurança do hospital. Ele só disse "que bom que correu tudo bem" e me entregou uma taça de água. O Dominic! Aquele homem vive para me repreender!
— O Damien também — Emma concordou, ajeitando uma almofada nas costas. — Ele mal olhou nos meus olhos quando perguntou sobre os bebês. Estava com a cabeça na lua.
— Eu tentei puxar assunto com o Declan sobre a Layla e ele parecia uma criança que escondeu um vaso quebrado atrás do sofá — Jenny comentou, rindo de nervoso.
Quando sentamos para jantar, questionamos abertamente. O que recebemos em troca foi um coro ensaiado e patético de homens adultos jurando de pés juntos que era apenas o cansaço acumulado da noite de vigília dos partos.
E, para coroar a bizarrice, exatamente às nove e meia da noite, todos eles, sem uma única exceção, anunciaram que estavam exaustos e decidiram subir para dormir.
Homens que passavam madrugadas inteiras bebendo uísque e discutindo coisas aleatórias indo para a cama antes das dez? Nem se estivessem dopados.
Subi para a nossa suíte remoendo aquela história.
Quando me deitei na cama sob o edredom macio, Tristan já estava lá, deitado de costas, com a respiração pesada e os braços atrás da cabeça. Deslizei o meu corpo sobre o colchão até me colar na lateral dele, passando um braço por cima do seu abdômen definido e apoiando o queixo no seu peito nu.
— Tristan…
Ele virou o rosto devagar, me encarando sob a penumbra.
— Fala, meu amor?
— Você não me engana — estreitei o olhar. — Nem você, nem o Damien, nem nenhum daqueles marmanjos lá embaixo. O que vocês estão tramando?
Tristan deu um meio sorriso cansado, passando a mão pelo meu ombro com uma calma irritante.
— Não estamos tramando nada, Bree. Foi uma madrugada longa com dois partos na banheira, depois a preocupação com a escolta de vocês na estrada… Nós só estamos moídos.
Bufei, sentindo a teimosia subir pela espinha. Em um movimento rápido e fluido, passei as pernas por cima do quadril dele, montando sobre as suas coxas. A camisola fina de cetim preto deslizou pelas minhas pernas e apoiei as duas palmas no peito quente dele, encarando-o de cima com um olhar inquisidor.
— Tenta de novo, senhor Blackwood. Eu posso ter perdido pedaços da minha memória, mas eu conheço cada tique nervoso do seu rosto. Você está escondendo alguma coisa de mim. Desembucha.
Tristan soltou uma risada rouca e baixa que vibrou direto contra as minhas palmas. Ele levou as duas mãos grandes até os meus quadris, apertando a minha cintura com uma firmeza possessiva que fez um arrepio elétrico descer pela minha nuca.
— Você fica incrivelmente perigosa quando decide bancar a detetive, sabia disso?
— Não muda de assunto! — reclamei, mas o sorriso nos lábios dele já estava desarmando a minha postura séria.
— Eu não estou mudando de assunto, querida — ele murmurou com a voz subindo de tom, rouca e densa, enquanto os polegares dele desenhavam círculos lentos na pele nua da lateral da minha coxa. — Eu só estou admirando a visão privilegiada que eu tenho agora.
O calor subiu direto para o meu ventre. A provocação dele era desleal.
Tristan puxou o meu corpo para baixo com um solavanco firme, quebrando a distância até que os nossos lábios colidissem em um beijo urgente e devorador. A língua dele invadiu a minha boca com uma autoridade que me fez soltar um gemido abafado contra a sua garganta. Qualquer resquício de investigação policial evaporou da minha cabeça.

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