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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 267

Capítulo 267 — Operação Aliança

Tristan Blackwood

O silêncio que se seguiu à minha declaração durou exatamente o tempo necessário para o cérebro de cada homem naquela varanda processar a loucura.

Damien ainda segurava a caneca de café no ar, com as sobrancelhas arqueadas. Ambrose piscava como se tentasse decifrar uma equação de cálculo avançado, e aos poucos os passos pesados do restante do pelotão masculino começaram a se aproximar do deck de madeira, atraídos pela calmaria suspeita.

— Você quer casar? Amanhã? — Noah perguntou como se precisasse ter certeza do que ouviu.

— Exato, um casamento surpresa. Onde todos vocês vão me ajudar a organizar. Só vocês, nada de meninas. — garanti.

— Você bateu com a cabeça em algum carvalho, Tristan? — Atlas foi o primeiro a se pronunciar, cruzando os braços e encostando na mureta com uma cara de puro pânico. — A Sammy vai ter um surto psicótico se nós prepararmos um casamento inteiro escondido delas. Ela vai achar que foi traição de estado! Mulher odeia ficar de fora de fofoca, imagina de um casamento!

Damien soltou uma risada rascante, balançando a cabeça devagar.

— Nisso o cabeludo tem toda a razão, Stan. Se a Emma sonhar que vai ter a cerimônia da melhor amiga dela, onde ela não pôde nem ajudar a escolher as flores, as fitas e a porra do buquê, eu vou dormir na casinha dos labradores do Noah até os gêmeos fazerem dezoito anos.

Declan deu dois passos à frente, gesticulando como se apontasse para uma bomba armada.

— E eu? Vocês acham que eu sou maluco? Eu prefiro enfrentar um pelotão de fuzilamento armado com canivete cego do que pagar pra ver a reação da Jen descobrindo que eu sabia de um plano desse e não contei. A minha mulher é pequena, mas é um furacão quando quer, ela me j**a daquele penhasco ali na frente sem pestanejar!

— Nem me olhem — Chris levantou as duas mãos espalmadas em sinal de rendição imediata, rindo com os olhos apertados. — A Penny é doce como mel, mas mexe com o brio de cerimonialista dela pra vocês verem. Ela me obriga a comer grama com salmão grelhado durante um mês inteiro só de pirraça.

— A Taylor… — Dominic começou, mas a voz morreu na garganta. O agente mais temido do departamento simplesmente fechou os olhos, respirou fundo e soltou um suspiro de derrota antecipada. — Deus me livre. Aquela mulher vai puxar uma pistola pra minha cabeça e dizer que eu sou um agente de inteligência incompetente por não ter vazado a informação confidencial na cama.

Noah deu uma gargalhada solta, apoiando os cotovelos no parapeito.

— A Ju me expulsa da minha própria casa de campo, aluga o chalé pro primeiro estranho que passar na rodovia e me faz dormir no porta-malas da caminhonete.

Juan Rivera, que até então estava encostado na coluna de pedra fumando um charuto fino com aquela calma insolente e mafiosa de sempre, soltou uma nuvem de fumaça cinzenta e olhou para o bando com puro desdém.

— Vocês são uma vergonha para a classe dos homens casados. Um bando de frouxos amestrados com medo de meia dúzia de gritos e um bico de três dias.

Bruno, sentado em uma das poltronas com a tipoia preta sustentando o braço esquerdo e uma garrafa de água na mão direita, olhava de um para o outro rindo alto ao lado de Gael.

— Caralho… Quem os viu e quem os vê. Os Dom's fodões tremendo na base por causa de umas broncas femininas. Vocês eram o terror da noite nova-iorquina, porra. Honrem o título que deram a si mesmo.

Ambrose virou o pescoço devagar, encarando Bruno com um sorriso venenoso e divertido.

— Vai rindo, Coletti. Vai rindo que a sua cova tá sendo cavada bem ali do lado. Vai pensando que a Katlyn é só essa doçura e mansidão toda que você conheceu essa semana. Quando aquela loira descobre que foi passada pra trás, o temperamento dela é igualzinho ao da Taylor. Você não aguenta dois minutos de sermão com esse ombro remendado.

Bruno fechou o sorriso no mesmo instante, pigarreando e fingindo prestar atenção nos pinheiros.

Bati as duas palmas com força, cortando a bagunça antes que o motim se instalasse.

— Chega do show de comédia de vocês! Parem de agir como se estivéssemos planejando um golpe de estado. Se uma delas souber, nem que seja por um meio sorriso ou uma piscada errada, a surpresa inteira vai para o ralo. Nós precisamos alinhar tudo em absoluto segredo. É pegar ou largar.

Simon, que estava encostado perto da porta de vidro olhando tudo em silêncio, deu um passo à frente com um meio sorriso.

— Deixa a cerimônia comigo, Stan. Eu tenho a licença judicial e eclesiástica necessária registrada no estado de Nova York para oficializar matrimônios válidos. Eu celebro o casamento de vocês amanhã com toda a validade jurídica e religiosa que você quiser. Você só precisa se preocupar com as alianças.

Soltei uma respiração aliviada, assentindo para o Simon.

— As alianças estão no cofre do escritório do Dam. Eu planejei me casar com ela desde que ficamos juntos a primeira vez, só ia esperar o momento certo pra pedir.

— Vou mandar o John pegar e trazê-la pra cá. — Damien avisou e eu assenti.

— A comida também tá resolvida — Noah assumiu, apontando com o polegar para o interior do chalé. — A Ava, junto com a Diva, a Cece e a Gina, comandam a cozinha. Elas preparam um banquete de casamento melhor do que qualquer bufê cinco estrelas.

— E a adega é por nossa conta — Ambrose garantiu. — Eu peço pro Bear trazer lá do Donjon.

— Tenho uma safra boa no Paradise também, posso pedir para o Wolf trazer tudo amanhã de manhã. — Atlas disse.

— Perfeito — concordei, cruzando os braços. — Vai ser algo íntimo. Só a nossa família, o nosso círculo fechado. Claro que o Bear e o Wolf fazem parte disso.

— Se me permite uma intromissão, senhor Blackwood…

A voz suave da Savannah cortou a conversa. Ela vinha saindo da sala de estar trazendo uma bandeja com frutas picadas para as crianças que brincavam lá fora. Ela parou no meio do deck e me encarou com uma expressão firme.

— Se você fizer esse casamento aqui sem trazer a Leah, a Nina e o James… a Aubrey vai chorar de decepção pelo resto da vida. A tia é a única família biológica que lhe resta, e Nina e James foram quem a acolheram na mansão.

Parei por dois segundos, o ar travando na garganta.

Savannah tinha razão. Na ânsia de organizar a loucura em vinte e quatro horas, a logística da Leah me escapou. Aubrey venerava a tia. E tinha um carinho mais que especial pela Nina e pelo James.

— Você tem toda razão, Sa. Toda razão. — passei a mão pelo queixo, calculando a distância. — Eu preciso dar um jeito de trazê-los.

Damien já estava puxando o telefone do bolso do jeans com a agilidade de quem resolvia crises internacionais no café da manhã.

— Deixa comigo, Stan. Eu ligo para o James agora mesmo. Mando ele pegar um dos carros e vir pra cá com as duas.

— Valeu, Dam — agradeci com um aceno sincero de cabeça.

Chris pigarreou, coçando a nuca com ar pensativo.

— Tá, tudo muito lindo, tudo muito nobre… Mas e as roupas, gênio das finanças? Eu duvido muito que a minha mulher tenha enfiado um vestido de festa longo dentro de uma mala de fim de semana na serra. Elas vieram de calça jeans e moletom. Vocês acham mesmo que a mulherada vai aceitar aparecer num casamento com roupa de trilha no mato?

Um silêncio tenso pairou no ar. Chris tinha tocado na ferida mais perigosa de todas.

Foi então que Juan deu mais uma tragada lenta em seu charuto, soltou a fumaça rindo de canto e ajeitou a gola da camisa escura.

— Vocês complicam coisas ridículas. A dona da Maison Valmont, na Quinta Avenida, me deve uma vida inteira de favores por causa de uns probleminhas com a alfândega que eu resolvi para o marido dela há dois anos. É só passar as medidas, os tamanhos e as cores que cada uma das donas de vocês usa. Em quatro horas um furgão encosta aqui na porta com araras inteiras de vestidos de alta-costura para todo mundo escolher.

Olhei para Juan, abismado com os tentáculos do homem.

— Você tá falando sério, Juan?

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