Capítulo 258 — Tudo bem então
Katlyn Pratt
A rotina dos últimos dias havia adquirido uma estranha e reconfortante sensação de normalidade. Desde que Bruno teve alta do hospital, a nossa dinâmica tinha se assentado em um compasso próprio, leve e constante.
Ele odiava a fraqueza temporária, reclamava das restrições médicas a cada duas frases, mas bastava um olhar meu para que aquele gigante fechado amolecesse os ombros e aceitasse a ajuda que se recusava a pedir para qualquer outra pessoa.
Minha mente também encontrou um pouco de descanso depois da conversa que tive com o Damien no meio da semana. Quando comentei timidamente sobre procurar um apartamento para alugar e começar a mandar currículos, ele apenas negou com a cabeça com aquele jeito autoritário dele:
"Você não precisa sair correndo daqui, Katlyn. Essa casa é sua pelo tempo que você precisar, e a sua companhia tem feito bem para a Emma e para as crianças"
Ouvir aquilo me tirou um peso enorme do peito. Eu não era um fardo.
A manhã de hoje tinha sido um turbilhão de emoções na clínica do Elijah.
A disputa barulhenta na recepção sobre quem seria padrinho dos gêmeos da Emma me fez rir como há tempos eu não ria. Depois veio o baque, o nó na garganta e a dor compartilhada ao ver a minha amiga sair da sala de ultrassom em lágrimas, contando sobre o coraçãozinho fraco de um dos meninos.
Abracei a Emma com toda a força da minha alma, prometendo que estávamos juntas para o que desse e viesse.
Mas a vida parecia não cansar de surpreender, porque nem meia hora depois, o corredor do consultório foi tomado pelos passos pesados e pelo berro eufórico de Ambrose:
"EU VOU SER PAI, PORRA!"
Ver o Ozzie rodopiando no corredor com os olhos brilhando em lágrimas, abraçando a todos nós com uma alegria infantil e desmedida, foi uma das coisas mais lindas que já presenciei.
Me aproximei da Fernanda enquanto os rapazes cercavam o Ozzie em comemoração. Ela ainda estava com as bochechas coradas, as mãos trêmulas sobre o ventre liso, rindo e chorando ao mesmo tempo.
— Parabéns, Fer… — murmurei com a voz embargada, puxando-a para um abraço apertado e protetor. — De verdade. Do fundo do meu coração. Você merece cada milímetro dessa felicidade. Esse bebê já é a coisa mais abençoada desse mundo.
Fernanda afundou o rosto no meu ombro, me apertando de volta com um afeto genuíno.
— Obrigada, Katy… Obrigada por estar aqui com a gente. Significa muito para mim. Para nós dois.
Quando me afastei, Ambrose parou na minha frente. O homem que um dia carregou tantas feridas por causa do nosso passado me encarou com os olhos marejados, sem qualquer barreira, e abriu os braços. Não hesitei. Dei um passo à frente e me deixei envolver por aquele abraço fraterno, limpo e definitivo.
— Você vai ser um pai incrível, Ozzie — sussurrei contra a pele da bochecha dele, sentindo as lágrimas molharem os meus cílios. — O melhor que essa criança poderia sonhar em ter.
— Obrigado, Katy — ele respondeu com a voz embargada, beijando a minha têmpora com ternura. — Por tudo. Por torcer pela gente. Seja feliz agora, loira. Esse é meu desejo mais sincero, que você seja feliz.
— Obrigada, Ozzie. De verdade, muito obrigada. — respondi com a voz embargada.
O combinado para o início da tarde era que todos voltariam para Hoboken a fim de ajeitar as malas e seguir para a casa de campo do Noah e da Ju em Hudson Valley. Mas como eu já tinha deixado a minha bagagem pronta no porta-malas do carro da Taylor desde cedo, aproveitei para ir direto ao apartamento do Bruno. Ele precisava de ajuda com as coisas dele, e o Dominic e a Tay passariam para nos buscar lá já que meu namorado ainda não podia dirigir.
Quando cheguei ao prédio de fachada imponente, o porteiro apenas acenou com um sorriso gentil e liberou a minha entrada direto pelo elevador privativo. Ele já tinha ordens expressas para nunca me fazer esperar na portaria.
As portas metálicas se abriram silenciosamente no pequeno hall do apartamento.
Bruno passou a mão boa pelos cabelos curtos e escuros, soltando o ar ruidosamente pelo nariz com um desdém agressivo.
— Não tem mala nenhuma. E eu não vou a lugar nenhum.
Parei o que estava fazendo, levantando-me devagar e jogando o papel na lixeira.
— Como assim não vai? Todo mundo está indo, Bruno. O Dominic, a Taylor, os meninos… combinamos isso a semana inteira para você poder descansar longe da cidade.
— Eu não quero ir bancar o coitado na casa dos outros! — ele disparou com aspereza, me encarando com aqueles olhos escuros faiscando de irritação. — Eu não sou boa companhia para ninguém desse jeito! Não consigo me vestir direito, não posso tomar uma cerveja por causa da porra dos remédios e fico bufando pelos cantos feito um velho amargo. Vai você com a Taylor. Me deixa aqui.
A dureza daquelas palavras bateu contra o meu peito como uma bofetada.
— Bruno, você não está falando sério, né?
— Estou falando mais do que sério, Katlyn! — ele subiu o tom. — Já disse que nesse estado sou uma péssima companhia. Você vai com eles, e eu fico.
Dei um passo para trás, sentindo o nó na garganta apertar e o ardor das lágrimas ameaçar subir. Eu entendia o orgulho ferido dele, entendia a dor física e a impotência de um homem de ação preso a uma tipoia, mas a frieza do tom dele me machucou de verdade.
— Tudo bem — murmurei com a voz embargada, cruzando os braços e recuando em direção ao corredor. — Já que você não é uma boa companhia para ninguém… e claramente a minha presença aqui só está te irritando mais, eu vou embora.
Encarei seus olhos escuros, e antes de virar para ir embora eu disse:
— Tenha um excelente final de semana, Bruno Coletti.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar