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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 257

Capítulo 257 — Nosso presente

Fernanda Garcia

Seguimos Elijah pelo corredor e entramos no consultório amplo. Mia já estava ali organizando a bancada de descartáveis com a tranquilidade de sempre. Ela nos recebeu com um sorriso acolhedor que ajudou a baixar a minha adrenalina.

Elijah sentou-se atrás da sua mesa de madeira escura, cruzou os dedos sobre o tampo de vidro e me encarou com atenção clínica.

— Muito bem, Fer. Me conta detalhadamente o que você está sentindo. A Taylor me adiantou sobre os enjoos e o atraso, mas quero ouvir de você.

Me sentei na cadeira em frente a ele com o Ambrose colado ao meu lado, a mão dele repousando protetora sobre o meu joelho.

— Eu venho sentindo uma queimação forte e constante no estômago desde o início da semana, Eli. Náuseas matinais horríveis, e hoje até a água parecia amarga na boca. Minha menstruação está atrasada há quase duas semanas e meia. — Respirei fundo, ajeitando a postura antes de explicar o contexto. — Com todo o estresse que enfrentei nos últimos anos com a minha mãe e com o Mike, eu acabei desenvolvendo uma gastrite severa. O estômago sempre foi meu ponto fraco quando a cabeça não aguenta. E por conta dessa montanha-russa emocional, o meu ciclo desregulava com frequência. Atrasos desse tipo eram até normais para mim, por isso no começo achei que fosse apenas mais uma crise de gastrite por conta da tensão do sequestro da Katy. O corpo cobra a fatura quando a poeira baixa.

Elijah assentiu devagar, digitando as informações na ficha aberta na tela do computador.

— Faz todo sentido clínico, Fer. A somatização do estresse crônico detona a mucosa gástrica e desregula o eixo hormonal sem aviso prévio. Picos de cortisol afetam a ovulação diretamente. — Ele parou de digitar, recostou-se na cadeira e inclinou a cabeça para o lado, um sorrisinho de canto surgindo no rosto bem barbeado. — É uma explicação médica muito plausível. Mas me diz uma coisa com total sinceridade… Existe a possibilidade real de você estar grávida?

Ambrose não esperou nem eu puxar o ar e rebateu de pronto, cruzando os braços com uma arrogância divertida.

— Você está duvidando da minha capacidade como homem, doutor Cross?

Mia soltou uma risada baixa atrás da bancada, enquanto Elijah jogava a cabeça para trás, rindo abertamente da pose do meu noivo.

— Eu não duvido da sua pontaria, meu amigo. Estou perguntando sobre a física da coisa.

Senti o meu rosto queimar de vergonha, mas não consegui conter um riso sem jeito.

— Se quer a verdade crua, Eli… O meu noivo e a palavra 'proteção' não cabem na mesma frase há meses. Então, sim. A probabilidade matemática é altíssima.

— Bom saber — Elijah deu duas palmas curtas, levantando-se da cadeira com energia. — Diante de duas semanas e meia de atraso, o protocolo padrão seria colher um beta-HCG sanguíneo e esperar o laudo laboratorial. Mas como você já está aqui dentro, com sintomas evidentes e uma torcida inteira roendo as unhas na recepção, nós vamos pular a burocracia. Vamos fazer um ultrassom transvaginal agora mesmo. Assim eu já avalio o endométrio, vejo como está tudo aí dentro e tiramos essa dúvida de uma vez por todas.

O frio na barriga virou um abismo de expectativa.

— Tudo bem — concordei, a voz saindo um pouco trêmula.

Mia me guiou até o pequeno banheiro anexo para que eu esvaziasse a bexiga e vestisse o avental descartável. Quando voltei para a sala, me deitei na maca ginecológica e apoiei as pernas nos suportes acolchoados. Ambrose se plantou imediatamente ao meu lado esquerdo, segurando a minha mão com tanta força que os nós dos dedos dele ficaram brancos.

Elijah calçou as luvas de látex e pegou o transdutor longo do aparelho, aplicando o gel transparente sobre o preservativo de proteção.

Ambrose olhou para o objeto na mão do médico, arregalou os olhos azuis e soltou sem pensar:

— Caralho, Eli… Esse negócio aí parece um vibrador medieval com cabo de força.

— Ambrose, pelo amor de Deus! — tapei os olhos com a mão livre, sentindo a minha cara queimar em chamas enquanto Mia se desmanchava em risadas do outro lado da sala.

Elijah sentou-se no mocho, ergueu uma sobrancelha para o meu noivo e disparou na lata.

— Apresento a vocês o motivo do atraso do seu ciclo, dona Fernanda.

Antes que eu pudesse formular uma palavra ou puxar o ar, Elijah acionou a tecla do doppler sonoro no painel.

O som explodiu pelos alto-falantes da sala em um ritmo veloz, ensurdecedor e perfeito:

Tuc-tuc-tuc-tuc-tuc-tuc-tuc.

Era um galope desenfreado, forte como uma trovoada, preenchendo cada centímetro daquele consultório com a música mais linda que eu já havia escutado em toda a minha existência.

Uma lágrima grossa e quente escorreu pela lateral do meu rosto, lavando de uma vez por todas o peso do passado, as mágoas da minha mãe e o fantasma do Mike.

Virei o rosto para o lado.

Ambrose estava paralisado. As duas mãos grandes dele cobriam a boca, os olhos azuis arregalados e inundados por lágrimas que desciam sem qualquer vergonha pelo queixo dele. O homem forte, protetor e inabalável que me resgatou das cinzas estava ali, desarmado, chorando como um menino diante do milagre do nosso filho.

Ele desceu as mãos, tocou o meu rosto com uma delicadeza infinita e colou a testa na minha enquanto aquele som continuava ecoando pela sala:

— Nós conseguimos, meu amor… — ele sussurrou com a voz embargada, o peito sacudindo em soluços abafados. — É o nosso bebê… O nosso presente.

Levei a mão até a nuca dele, prendendo meus dedos nos fios dos seus cabelos.

— Obrigada, amor… obrigada por esse presente.

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