Capítulo 255 — Lutar pelo meu menino
Emma Anderson
Nós seguimos nosso amigo médico pelo corredor amplo até a sala de exames principal.
O consultório era acolhedor, com luzes indiretas e um monitor de alta definição preso à parede em frente à maca de atendimento. Elijah lavou as mãos na pia lateral enquanto Mia me ajudava a me acomodar sobre o lençol descartável e pedia para que eu suspendesse o vestido até a altura das costelas.
— Prontos para ver como os bebês estão crescendo? — Elijah perguntou, puxando o aparelho de ultrassom e sentando-se no mocho ao lado da maca.
— Prontos — Damien respondeu de imediato, postando-se de pé ao meu lado, segurando a minha mão direita com tanta força e carinho que qualquer resquício de frio na barriga parecia suportável.
— Será que vamos poder ver o sexo? — perguntei com expectativa.
— Existe uma chance, vamos ver se eles querem se mostrar pra nós. — Eli respondeu em um tom calmo.
— Se forem meninos, com toda certeza. Eles adoram se mostrar, nós meninas gostamos do suspense. — Mia disse com convicção.
— Querida, não crie expectativas na minha paciente. — Elijah repreendeu a esposa que deu de ombros antes de falar.
— Amor não é expectativa, são dados! Vocês homens não perdem a oportunidade de mostrar o documento. — todos nós rimos da lógica da minha amiga.
Elijah voltou o foco ao exame, ele aplicou o gel transparente sobre a minha pele. O contato foi frio, me fazendo soltar um arrepio involuntário, mas no segundo em que o transdutor tocou o meu ventre e deslizou com movimentos suaves, a tela à nossa frente se iluminou em tons de cinza, preto e branco.
As formas de dois pequenos corpos se desenharam no monitor.
O som característico do aparelho começou a ecoar pela sala. Um galope rápido, forte e ritmado preencheu o silêncio com uma potência avassaladora:
Tuc-tuc-tuc-tuc-tuc.
— Esse aqui é o bebê A — Elijah apontou com o cursor na tela, medindo o comprimento da cabeça até o bumbum com cliques rápidos. — Tamanho absolutamente perfeito para a idade gestacional. Membros se desenvolvendo dentro da curva ideal, líquido amniótico em volume excelente e uma frequência cardíaca em cento e cinquenta batimentos por minuto. Um touro, Damien. Puxou a sua teimosia, na verdade… — Eli fez uma pausa. — Não foi só sua teimosia meu amigo, seu sexo também. Bebê é um menino.
Damien soltou uma risada rouca, visivelmente emocionado, beijando o topo da minha testa com os olhos brilhando fixos na imagem:
— É o nosso garotão, meu amor… Vamos ter mais um menino. Ele é lindo.
Sorri através das lágrimas que já começavam a embaçar a minha visão. Mas conforme Elijah moveu o transdutor alguns centímetros para a lateral esquerda, a postura dele mudou.
O riso descontraído do médico diminuiu devagar. O semblante de Elijah assumiu aquela seriedade clínica e concentrada. Ele ajustou os botões de ganho do aparelho, trocou a frequência das ondas sonoras e aproximou a imagem do tórax do segundo feto.
O som do batimento cardíaco mudou.
Não era mais aquele galope vigoroso e ritmado do primeiro bebê. O som agora saía mais baixo, mais compassado e com pausas que pareciam longas demais entre uma sístole e outra:
Tuc…… tuc…… tuc……
O aperto de Damien na minha mão aumentou instantaneamente. Meu coração errou o passo no mesmo segundo, um nó denso subindo pela minha garganta e roubando todo o ar dos meus pulmões.
— Elijah? — a voz de Damien soou firme, mas carregada daquela tensão fria que ele só usava em momentos de crise. — O que está acontecendo aí?
— Damien… e se ele não aguentar? Se o coraçãozinho dele parar…
— Ele vai aguentar — Damien cortou com uma firmeza avassaladora, a voz rouca e sem nenhum traço de hesitação. — O nosso bebê vai sair dessa. Ele vai ser tão forte quanto o irmão, Emma. Tão forte quanto nós dois juntos.
Puxei o ar com dificuldade, a voz saindo em um fiapo quebrado e infantil pelo desespero.
— Você… você tem certeza disso? Como você pode ter tanta certeza?
Damien deu um meio sorriso suave, carregado de uma ternura infinita e de uma convicção que parecia capaz de mover montanhas. Ele aproximou o rosto, roçou a ponta do nariz no meu e sussurrou contra a minha pele úmida.
— Eu tenho certeza absoluta, meu amor. E sabe como eu sei disso?
Neguei com a cabeça devagar, engolindo o choro para ouvi-lo.
Damien desceu uma das mãos até o meu ventre, espalmando a palma aberta exatamente sobre o lado esquerdo onde o coraçãozinho teimoso batia devagar.
— Eu sei porque ele é um guerreiro lindo e resiliente, Emma… Exatamente igual à mãe dele. Ele carrega a sua força, o seu sangue e a sua coragem. E nós não vamos soltar a mão dele por nenhum segundo.
Fechei os olhos com força, deixando as palavras dele me inundarem e limparem o pânico do meu peito. Abracei o pescoço de Damien com toda a força que tinha no corpo, sentindo os braços dele me envolverem como um escudo impenetrável contra qualquer dor do mundo.
O caminho seria difícil e cheio de incertezas, mas ali, ouvindo o ritmo fraco e teimoso daquele batimento na tela, eu jurei a mim mesma que lutaria por aquele menino até…
… até o último suspiro da minha vida.

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