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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 254

Capítulo 254 — Briga de galos

Emma Anderson

O reflexo no espelho do closet mostrava uma barriga que começava a despontar com mais clareza sob o vestido de malha bege. Pousei as duas mãos sobre o ventre, sentindo o calor suave sob a pele e aquele formigamento que só uma mãe de primeira viagem conhece.

Já havia se passado pouco mais de uma semana desde a noite de horror nas colinas de Ramapo. O resgate tenso da Katlyn, o tiroteio que quase custou a vida do Coletti e a prisão definitiva do Estevan Vance pareciam ter ficado para trás como uma tempestade que finalmente se dissipava.

Bruno já havia recebido alta do hospital há alguns dias, e, sob os cuidados atentos da Katy e as broncas diárias do Dominic, ele se recuperava bem, com o braço imobilizado na tipoia, mas com aquele sarcasmo de sempre totalmente intacto.

Para comemorar a liberdade da Katy, a recuperação do agente federal e dar uma trégua para a cabeça de todo mundo, Noah e Ju haviam colocado a casa de campo deles à disposição para passarmos o final de semana inteiro reunidos.

Era uma sexta-feira ensolarada. O plano era simples: eu iria para a minha consulta pré-natal de rotina com o Elijah na clínica, encontraria Damien lá e depois voltaríamos para a mansão a fim de ajeitar as malas e pegar a estrada para o refúgio dos Blake.

O único incômodo que ainda pairava sobre a nossa rotina era o fato de Verônica continuar foragida. A mulher parecia ter evaporado no ar.

Por causa dessa ponta solta perigosa, Damien não abria mão de manter uma escolta na minha cola onde quer que eu fosse.

Quando comentei durante o café da manhã que iria para o consultório, Taylor e Katlyn se prontificaram na mesma hora a ir comigo. Eu aceitei de bom grado, adorando a companhia.

Mas a comitiva feminina acabou crescendo por um motivo inesperado.

Descendo para a sala de estar, encontrei a Fer sentada no sofá com a cabeça recostada no encosto alto, as mãos apoiadas sobre o estômago e o rosto muito mais pálido do que o habitual.

— Ainda enjoada, Fer? — perguntei, me aproximando e sentando na beirada da poltrona ao lado dela.

Fernanda soltou um suspiro cansado, abrindo os olhos verdes devagar.

— Uma náusea esquisita que não passa desde terça-feira, Em. Hoje de manhã até o cheiro do café do Ambrose me deu uma reviravolta no estômago. Minha menstruação está atrasada há mais de duas semanas, mas o meu ciclo sempre foi desregulado por causa do estresse, então nem dei muita bola no começo.

Aubrey vinha saindo da cozinha e parou no meio do caminho, semicerrando os olhos verdes com aquela perspicácia afiada:

— Atrasada há duas semanas, com enjoo matinal e cara de quem vai desmaiar com o cheiro da torrada? Nem vem com essa história de ciclo desregulado, dona Fernanda.

— A Bree está certa — Taylor interveio, aparecendo no arco da sala enquanto guardava o celular no bolso da jaqueta de couro. — Nada de ficar esperando passar. Já que a Emma vai ver o doutor gostosão da família e o consultório dele tem toda a estrutura ginecológica do mundo, todas nós vamos juntas. O Eli examina a minha Barbie grávida e já aproveita para dar uma geral nesse seu útero suspeito.

Katy riu baixinho, ajeitando o casaco fino nos ombros.

— Se a Taylor decretou, é melhor não discutir, Fer. Ela é perigosa quando cisma com saúde alheia.

Fernanda deu um riso fraco, vencida pelo cansaço.

— Tudo bem, tudo bem. Eu vou. Se for só uma gastrite nervosa, pelo menos ele me passa um remédio decente.

Saímos sob a escolta atenta de dois seguranças que seguiam em um sedã preto logo atrás do nosso carro. O trajeto até a clínica do Elijah foi marcado pela empolgação da Aubrey organizando os detalhes do final de semana no campo e pelas provocações da Taylor sobre o quanto o Coletti ia precisar ser alimentado na boca pela Katy durante a viagem, o que deixava a Katlyn com as bochechas tingidas em um tom constante de rosa choque.

Quando o elevador da clínica abriu as portas no quarto andar, o ambiente elegante e silencioso nos recebeu. E, para minha surpresa, a sala de espera não contava apenas com um homem me esperando, mas com três.

Damien estava encostado perto do balcão de vidro, impecável em um terno sob medida cinza-chumbo, conversando em voz baixa com Tristan, que havia saído da empresa junto com ele. E, sentado em uma das poltronas de couro com os braços cruzados, estava Ambrose, que tinha vindo direto do clube.

Ao nos ver cruzar o hall, Damien abriu aquele sorriso lindo que sempre fazia o meu peito descompassar. Ele se adiantou com passos largos, envolveu a minha cintura com um braço e me puxou para um beijo calmo e apaixonado.

— Como está a mulher mais linda da minha vida hoje? E os meus bebês?

— Estamos ótimos, amor — sorri contra a boca dele, acariciando a lateral do queixo bem barbeado. — Ansiosa para ouvir os corações deles de novo.

Enquanto Stan vinha cumprimentar Aubrey com um abraço carinhoso, Ambrose levantou-se da poltrona e caminhou direto na direção da noiva. O olhar dele desceu sobre a postura murcha da Fer e a palidez do rosto dela, o cenho franzindo de imediato com aquela proteção instintiva dele.

— O que você tem, querida? Você estava pálida quando saí de casa, mas agora parece ainda mais abatida. Aconteceu alguma coisa?

Taylor não aguentou dois segundos de silêncio e disparou com um sorrisinho de canto.

— Misericórdia Eli, se você não der esse bebê pro Juan ele vai pirar. — Mia disse em um tom preocupado.

— O Juan deu uma pistola de brinquedo pro Eros que tem meses. Imagina o que ele não daria para meu filho, eu amo minha irmã e meu cunhado, mas eles já tem o título de tios. E pra eles isso já está ótimo.

— O certo é o bebê do doutor gostosão e da enfermeira lindona ser meu também. — Taylor disse com convicção.

— Que isso? Tá querendo fazer a creche da dinda Tay? — Bree perguntou brincando.

— Quanto mais melhor. — ela garantiu. — Assim o meu grandão esquece essa ideia de fazer mais um bebezinho em mim, Breezinha. Uma santa tá pouco pra ele, Dominic cismou que quer um santo também.

A recepção explodiu em risadas.

— Nem vem que não tem. — Ozzie falou irritado. — Nada está decidido, Damien vai falar hoje no Blake quem vai ser padrinho de quem.

Neguei com a cabeça, e sussurrei para o Dam.

— Minha consulta de pré-natal se tornou uma briga de galos. — ele riu e deu um beijo na minha têmpora.

— E eu tô adorando isso. — ele confessou e eu sorri pra ele.

Elijah olhou pra mim, dando um passo para o lado e indicando a passagem:

— Então está combinado, vamos deixar a briga pelos cargos de padrinho pra mais tarde. Agora me deixem fazer o meu trabalho. — todos assentimos. — Bom, nós vamos começar pelo ultrassom morfológico da Emma para ver a evolução desses gêmeos, e logo em seguida eu atendo a dona Fernanda para uma investigação completa. Damien, Emma, por favor, me acompanhem.

Damien segurou a minha mão com firmeza, entrelaçando nossos dedos.

— Agora vamos lá ver esses bebês disputados. — sorri para meu namorado sentindo um frio na barriga de ansiedade.

— Vamos.

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