Capítulo 172 — Momento de loucura
Verônica Ortega
Apoiei as minhas duas mãos espalmadas sobre a superfície de mogno da mesa, me levantei devagar e caminhei a passos lentos até ele, parando a milímetros do seu peito.
— Resolva essa pendência imediatamente. — ordenei, a minha voz caindo para um tom perigosamente baixo.
— Sim, senhora. — ele acenou, assimilando o comando.
Voltei para trás da minha mesa, ajeitando as mangas do meu vestido.
— Estou terrivelmente entediada com todo esse drama policial. Mande vir um rapaz pra mim agora mesmo, e o leve para o meu quarto. No padrão rigoroso de sempre: loiro, olhos azuis marcantes, corpo musculoso e com tatuagens pesadas do ombro descendo pelas costas.
Dylan assentiu com total profissionalismo.
— Farei isso imediatamente, senhora.
Sorri para ele, que girou sobre os calcanhares e saiu do escritório para cumprir a minha exigência.
Saí do cômodo alguns minutos depois para ir em direção aos meus aposentos no andar superior, mas assim que alcancei o hall da escadaria, dei de cara com a Izabel.
Eu já nem sabia mais por qual motivo continuava tolerando a presença incômoda daquela velha fracassada sob o meu teto.
— Bom dia, minha querida! — ela disse, ostentando aquele sorriso falso e ensaiado de alta sociedade.
— Bom dia, Bel. — forcei um sorriso social, deixando que ela me abraçasse de leve.
Quando nos separamos do gesto, Izabel se aproximou e confidenciou em um tom de voz baixo, quase conspiratório.
— Consegui finalmente falar com o gestor do fundo imobiliário hoje cedo. Finalmente se passaram os dois anos de carência legal e agora eu posso dar entrada em toda a papelada para reaver o que é meu por direito.
Apertei a mão dela com uma falsa simpatia.
— Que excelente notícia, Bel! Depois de tanto tempo de espera e paciência, finalmente vem a devida recompensa.
Ela sorriu para mim, radiante e arrogante.
— E que baita recompensa… — respondeu, plenamente satisfeita com a perspectiva de dinheiro. Em seguida, ela me olhou bem no fundo dos olhos, analisando o meu rosto. — Há algum problema com você hoje, Verônica? Você parece estranhamente irritada.
Neguei prontamente com a cabeça.
— Não é nada demais, Bel. Apenas alguns pequenos percalços e problemas corriqueiros nos negócios, mas o Dylan e eu já estamos resolvendo tudo com total maestria.
Ela assentiu, aceitando a desculpa sem desconfiar de nada.
— Entendi. Eu estou pensando seriamente em dar um pulo na mansão do Damien para ver o Luca antes de ir embora de vez para Londres.
Fiz uma expressão calculada de pura surpresa.
— Sério, Bel? Eu sinceramente pensei que você não gostasse nem um pouco daquele menino.
Izabel bufou de puro desprezo, cruzando os braços.
— E eu não gosto mesmo! Mas eu me recuso terminantemente a dar o prazer ao Damien de me escorraçar da vida deles dessa forma tão humilhante. Eu vou até lá exclusivamente pelo puro prazer de provocá-lo e infernizar a vida daquela babá caipira que ele arrumou.
Eu soltei uma risada genuinamente divertida diante da audácia dela em provocar o Damien.
— Você por acaso aceita uma boa companhia para essa visitinha de provocação? — perguntei, arqueando as sobrancelhas.
Izabel me abraçou de lado, entusiasmada com a ideia.
— Mas é claro que sim! Você é e sempre será extremamente bem-vinda ao meu lado, querida. Vou apenas ligar para o idiota do meu ex-genro para agendar o dia e nós vamos juntas.
A encarei com seriedade.
— Só peço que você não mencione de forma alguma que eu irei junto com você. O Damien pode usar a minha presença como desculpa para barrar a sua entrada nos portões, principalmente depois daquela minha pequena e acalorada discussão com a namorada dele no casamento do Elijah.
A expressão de Izabel fechou na mesma hora, os olhos faiscando em fúria.
— Aquela vagabunda insuportável… Fique totalmente tranquila, Verônica. Eu não direi uma única palavra sobre você na ligação.
Nesse exato instante, o Dylan surgiu no início do corredor trazendo um jovem homem ao seu lado. O rapaz era, em termos visuais e físicos, praticamente uma versão mais nova, forte e idêntica do Damien Knight.
— Senhora Ortega, o rapaz selecionado chegou para a entrevista de contratação. — Dylan anunciou com total neutralidade.
Sorri, sentindo um arrepio de puro prazer percorrer a minha espinha ao mapear os traços daquele jovem.
— Perfeito… vamos para o meu quarto.
— E a terceira regra, que é a mais importante de todas neste quarto. — continuei, cravando os meus olhos nos dele com uma intensidade quase doentia. — Eu não quero saber o seu nome real sob hipótese alguma. Aqui dentro, você não tem identidade. Aqui dentro, o seu nome é Damien. Vai ser exatamente assim que eu vou te chamar durante todo o tempo: Damien. Não de senhor, nem de mestre… É Damien.
O rapaz ficou em silêncio por alguns segundos longos e desconfortáveis, me encarando como se estivesse diante de uma mulher completamente louca e varrida da cabeça.
Mas o cachê que eu pagava por aquela hora de encenação era alto demais para que ele se desse ao luxo de fazer questionamentos morais.
— Tudo bem… querida. — ele respondeu, adotando o personagem.
Puxei o pescoço dele para mais um beijo profundo e murmurei com a boca colada na dele.
— Eu gostei de você… Aprende rápido.
O olhar do jovem mudou drasticamente. Ele adotou uma postura sombria, me empurrou contra a parede de acolchoado com força e ordenou em um tom de voz grave, rouco e terrivelmente dominante.
— Você não viu nada ainda. Agora ajoelha.
Senti um arrepio violento e delicioso percorrer cada centímetro do meu corpo e obedeci imediatamente, caindo de joelhos no chão revestido.
E então, a minha sessão particular de tortura e prazer absoluto começou. Ele me amarrou com cordas de seda, me desferiu t***s firmes na pele, me levou ao limite da exaustão e da dor várias e várias vezes seguidas.
Quando eu já não estava mais conseguindo suportar a intensidade do ato, ergui os olhos marejados, encarei aqueles olhos azuis que me lembravam o meu único e verdadeiro amor, e implorei.
— Damien… Amor, por favor…
Ele fechou a mão forte ao redor do meu pescoço, pressionando a minha traqueia, e me fez saltar do limite do sofrimento para o ápice do prazer em questão de milésimos de segundo.
Quando o frenesi do momento finalmente terminou e o rapaz se afastou, me enrolei no lençol de cetim, recolhi as minhas roupas do chão e caminhei de volta para a porta secreta, deixando-o para trás no cômodo para que se recompusesse.
Assim que atravessei o portal e pisei de volta no chão do meu quarto principal, me deparei com o Dylan sentado na beirada da minha cama, me aguardando com uma expressão extremamente séria.
Assim que ele me viu surgir, colocou-se de pé imediatamente.
— Senhora Ortega… nós temos um problema gigantesco.
Ele nem me deu tempo para que eu pudesse me vestir ou responder; ele simplesmente completou a sentença que fez o meu mundo estremecer:
— A Giovanna acabou de confessar tudo na delegacia.

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