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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 286

Capítulo 286 — Onde o Silêncio Vira Promessa

Bruno Coletti

Eu sempre fui um homem de poucas palavras, decisões diretas e zero paciência para floreios. No meu vocabulário, as coisas funcionavam na base da lógica: se um problema surgia, eu resolvia; se uma ordem era dada, eu cumpria.

Romantismo de cinema nunca foi a minha praia. Eu achava que flores murchavam, que discursos longos eram perda de tempo e que promessas só valiam se fossem assinadas com sangue ou trabalho duro.

Mas aí Katlyn cruzou o meu caminho com aqueles olhos claros cheios de doçura, aquela voz mansa que desarmava qualquer tempestade e um passado de dor que ela enfrentava com a bravura de uma gigante.

E, de repente, o cara prático, frio e cirúrgico foi reduzido a cinzas. Por ela, eu me vi fazendo reuniões clandestinas, pedindo conselhos a outros idiotas apaixonados e passando semanas inteiras com o estômago amarrado em um nó cego.

— Se você continuar apertando essa taça de água com tanta força, Bruno, vai estilhaçar o cristal na mão e a festa da minha filha vai virar caso de pronto-socorro. — a voz arrastada do Ambrose soou ao meu lado, carregada de puro deboche.

Virei o rosto e encarei o idiota. Estávamos na imensa área gourmet externa da mansão do Damien. Toda a família estava reunida ali naquela tarde ensolarada de sábado para comemorar o mêsversário de um mês da nossa Amy.

Na verdade, qualquer pretexto servia para juntar aquele bando: se um dente de leite caísse ou um passarinho pousasse na varanda, as mulheres inventavam uma festa e nós, os homens, apenas aceitávamos o destino com um copo de uísque na mão.

O mais cômico era que Ambrose e Fernanda viviam dizendo, semana após semana, que iam procurar uma cobertura definitiva para eles. Tristan e Aubrey repetiam a mesma ladainha. Mas Damien, com aquela lábia manipuladora de CEO, sempre encontrava um jeito de convencê-los a ficar "mais uns dias para ajudar com as crianças".

No fim, a mansão continuava parecendo uma vila italiana barulhenta, cheia de risadas, berços e seguranças na porta.

— Fica na sua, Ozzie. — rosnei baixo, ajustando a gola da minha camisa de linho escuro que parecia sufocar o meu pescoço.

— O agente está tremendo nas bases. — Tristan zombou do outro lado da bancada, cruzando os braços com um sorriso de superioridade. — Quem diria que o FBI teria medo de uma caixinha de veludo?

— Eu não tô com medo da porra da caixa, Tristan. — rebati entredentes. — Eu só quero garantir que tudo saia perfeito. Vocês têm certeza absoluta de que a equipe cumpriu cada detalhe na minha cobertura?

— O Snake supervisionou tudo pessoalmente antes de vir para cá. — Damien respondeu com calma, encostando-se na pia com aquele olhar de quem já tinha passado por tudo aquilo e vencido. — As chaves foram devolvidas, os arranjos estão no lugar, a iluminação foi programada e a suíte está exatamente como você desenhou. Relaxa. O mais difícil você já fez, que foi aguentar esses dois idiotas dando palpites a semana inteira.

— E você tem sorte da gente não ter aberto a boca pras nossas mulheres. — Dominic acrescentou, servindo-se de gelo. — A Taylor passou a tarde inteira farejando o ar. Ela jura que tem algum esquema armado. Aquela mulher tem radar para segredos, eu tive que inventar que estava com dor de barriga para despistar uma pergunta sobre a floricultura!

— Se alguma delas desconfiar, eu mato um por um de vocês. — ameacei, mas o nervosismo me fez engolir em seco mais uma vez.

Passei os olhos pelo gramado ensolarado.

Sob a sombra das cerejeiras, um círculo de cadeiras confortáveis abrigava as mulheres. Katlyn estava no centro, sentada com a pequena Amy aninhada no colo com uma delicadeza comovente.

Ela segurava a mãozinha gordinha da afilhada, fazendo vozes suaves, parecia que a nossa garotinha entendia pois ela mexia os lábios em leves esboços de sorrisos. Ao redor dela, Emma amamentava um dos gêmeos com a tranquilidade de uma rainha; Aubrey, com a barriga de quase oito meses, ria de algo que Fernanda comentava enquanto ajeitava a mantinha da filha; e Taylor, é claro, gesticulava com as mãos no ar, dominando a conversa com aquele humor ruidoso de sempre.

Katlyn ergueu os olhos claros e nossos olhares se cruzaram à distância.

Um sorriso tímido, doce e brilhante curvou os lábios dela. Aquele sorriso simples, sem artimanhas, limpou metade da tensão que pesava nos meus ombros. Aquela mulher era a minha calmaria no meio do caos. Era por ela que eu faria qualquer loucura.

— É agora, soldado. — Damien murmurou, dando dois tapinhas firmes nas minhas costas. — Vai lá buscar o seu futuro.

Deixei o copo sobre a bancada de mármore, respirei fundo e atravessei o gramado com passos firmes.

Parei atrás da cadeira da Katlyn. Desci as mãos com calma e passei os braços ao redor da cintura fina dela, inclinando-me para deixar um beijo demorado na curva macia do seu pescoço. O cheiro doce de baunilha e jasmim que ela usava me atingiu em cheio, embriagando os meus sentidos.

— Ei, linda… — sussurrei contra a pele dela.

Katy inclinou a cabeça para trás, sorrindo contra o meu queixo.

— Oi, amor… Olha a nossa afilhada como tá esperta hoje. Quase não chorou.

— Ela é linda igual à madrinha — elogiei, fazendo-a corar levemente. Olhei para Fernanda e estendi os braços com cuidado para ajudá-la a passar a bebê de volta para a mãe. — Mas acho que a dinda precisa ir agora. Nós temos que ir embora, meu amor.

Fernanda pegou Amy no colo com uma sobrancelha arqueada, enquanto Taylor semicerrava os olhos castanhos na minha direção, farejando o perigo.

— Já vai levar a Katy embora? Ainda nem cortamos o segundo bolo! Que pressa toda é essa?

— Compromissos, dona Taylor. — respondi com a cara mais lavada do mundo, mantendo a postura fria para não entregar nada. — Amanhã tenho plantão, você como esposa de agente sabe bem como são os plantões. Quero curtir minha mulher um pouco.

Katlyn se levantou, ajeitando a calça jeans clara e a blusinha de alças finas que desenhava o corpo dela com perfeição. Ela se despediu das meninas com abraços calorosos e beijos na bochecha da afilhada, enquanto os rapazes acenavam de longe com olhares cúmplices e sorrisos contidos que quase me fizeram rir de nervoso.

Caminhamos até o meu carro no pátio da mansão.

O trajeto de volta para Manhattan pela rodovia foi silencioso, quebrado apenas pela música suave que tocava no painel. Minhas mãos estavam firmes no volante, mas a minha perna direita tremia de forma quase imperceptível.

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