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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 285

Capítulo 285 — O Fruto do Amor

Fernanda Blair

A batida ritmada e envolvente da música ecoava pelas paredes de veludo escuro e detalhes dourados do Donjon.

O clube estava agitado, mas no mezanino VIP, o clima era de pura celebração e calor de casa. Ambrose havia insistido durante três dias inteiros para que eu ficasse em repouso em casa, e mesmo com trinta e oito semanas e meia de gestação, a última coisa que eu faria era me trancar na cama e perder a festa.

Nós estávamos comemorando o aniversário de dois anos de casamento do Chris e da Penny, as tradicionais bodas de algodão. E onde essa turma estava, o riso era solto, o barulho era garantido e a lealdade transbordava.

Ajeitei o vestido longo de malha que abraçava a curvatura monumental da minha barriga. Eu me sentia pesada, com os pés pedindo arrego, mas a alegria que inundava o meu peito não cabia em mim.

Aubrey estava sentada ao meu lado no sofá de couro preto, acariciando com doçura a própria barriga de quase seis meses, visivelmente arredondada sob o vestido azul-marinho solto.

Emma, deslumbrante em um conjunto de seda clara, mostrava fotos recentes de Callan e Kane no seu celular para Jenny e Juliet. Mais à frente, Taylor dava gargalhadas enquanto disputava com Penny quem bebia mais mocktail de frutas cítricas.

— É muito peculiar, né? — Sammy quebrou a conversa com aquele sorrisinho debochado, ajeitando a taça na mão enquanto olhava ao redor da área reservada. — O Chris fez o casamento no Paradise… e agora decide comemorar as bodas de algodão no Donjon, com música eletrônica e luz negra. Ele não podia ser uma pessoa normal e deixar essas coisas só para o quarto?

Ri junto com as meninas, mas no meio do riso, o ar pareceu trancar na minha traqueia.

Uma pontada surda, pesada e involuntária começou a se formar no fundo da minha lombar, irradiando para a virilha como uma cinta de ferro sendo apertada por mãos invisíveis. Puxei o ar com força pelo nariz, arqueando as costas discretamente contra o encosto macio do estofado.

Katlyn, que estava em pé ao lado do sofá segurando um copo de suco, congelou no mesmo instante. Os olhos claros dela desceram para o meu rosto com uma precisão cirúrgica.

— Fer? Você tá bem? — ela perguntou baixo, aproximando-se dois passos e pousando a mão morna no meu ombro.

Soltei o ar devagar pela boca, forçando um sorriso travesso para desarmar o alarme.

— Eu tô ótima, Katy. Foi só essa mocinha aqui chutando a minha costela para dançar com as tias. Você consegue ser mais protetora do que o Ambrose, sabia?

Katlyn não relaxou a expressão. Ela cruzou os braços e me encarou com aquele olhar doce e ao mesmo tempo inabalável.

— Eu só quero garantir o bem-estar da minha melhor amiga e da minha afilhada, dona Fernanda. Você tem autorização para dançar sentada, nada de inventar moda.

Dei uma risadinha, preparando-me para retrucar.

Mas a frase morreu na minha garganta.

Desta vez, não houve espaço para soltar o ar. Não houve tempo para fingir.

Uma dor dilacerante, aguda e avassaladora rasgou o meu baixo ventre com a violência de um trovão. Minhas mãos voaram para a base da barriga, cravando as unhas no tecido do vestido. Minha respiração travou em um suspiro mudo e os meus olhos se arregalaram em puro choque de agonia.

O ar simplesmente desapareceu.

E antes que eu pudesse emitir qualquer som, um estalo interno, quente e abafado ecoou sob a minha saia.

No segundo seguinte, uma torrente líquida e morna ensopou o tecido do meu vestido, escorrendo pelas minhas pernas e molhando o chão da área VIP.

— AAAAAAH! — o grito rasgou a minha garganta, agudo, cru e involuntário, fazendo a música da boate parecer sumir ao redor.

— MEU DEUS! A BOLSA ESTOUROU! — Katlyn berrou, largando o copo na mesa com tudo e segurando o meu braço com firmeza.

O mezanino VIP virou um hospício em menos de dois segundos.

Do outro lado do lounge, onde os rapazes conversavam com copos na mão, o som do meu grito fez Ambrose derrubar o próprio copo de uísque no chão. O cristal se estilhaçou no piso escuro enquanto ele avançava pela sala como um raio desgovernado, atropelando duas mesinhas de centro no caminho.

— FERNANDA! — o berro dele ecoou sobre o som dos alto-falantes.

Ele caiu de joelhos na minha frente, pálido feito gesso, com as mãos grandes tremendo ao segurarem os meus joelhos:

— O que foi?! O que tá acontecendo?! Onde tá doendo?! Amor, fala comigo!

— A bolsa, Ozzie… Ela tá nascendo! — consegui dizer entre dentes, as veias do meu pescoço saltadas pela força da contração que parecia partir a minha bacia ao meio.

Ambrose entrou em curto-circuito. O homem mais cínico, seguro e inabalável de Manhattan simplesmente esqueceu como raciocinar. Ele colocou as mãos na cabeça, levantou, olhou para os lados, deu meia-volta e tentou me puxar pelo braço.

— O carro! Nós temos que descer! Não, espera… Cadê as minhas chaves?! Quem tá com as chaves do carro?! Tristan, liga pro hospital! Damien, manda esvaziar o caminho, porra!

— Ambrose Blair, cala a porra da boca e respira! — a voz firme e rascante de Elijah cortou a histeria do meu marido.

Eli avançou com passos rápidos, empurrou o Ambrose para o lado com um golpe no ombro e se abaixou diante de mim com calma profissional.

— Fer, olha nos meus olhos. Puxa o ar pelo nariz, solta devagar pela boca. Isso… Deixa o pico da contração passar.

Esther já estava ao meu lado, tirando o próprio casaco fino e cobrindo as minhas pernas molhadas.

— A cabeça do bebê já deve estar baixa, ela tá com dilatação avançada pelo ritmo dessa contração! — Eli avisou a irmã.

— Vou avisar a emergência obstétrica do Presbyterian que estamos descendo! — Esther disse, ela olhou para o meu marido desesperado. — E alguém segura o Ambrose antes que ele desmaie no meio do clube!

— Eu não vou desmaiar, só que não me pede para não me desesperar vendo a minha filha nascer no meu clube! — Ambrose rugiu de volta, passando o braço forte por baixo das minhas costas e o outro por baixo dos meus joelhos, me erguendo do sofá em um movimento único, ignorando qualquer protocolo.

A descida pelo Donjon foi cinematográfica.

A família inteira se moveu como um batalhão de resgate. Bear abriu caminho pela saída de serviço, as luzes da cidade nos receberam em um choque de vento fresco e, em questão de minutos, uma fila de SUVs cortava a avenida em alta velocidade.

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