Capítulo 283 — A Chegada dos Herdeiros
Emma Anderson
O líquido morno ensopava as minhas pernas e o lençol da cama em uma velocidade assustadora. A cada puxão de ar, o meu abdômen endurecia como pedra maciça, comprimindo as minhas costelas em um abraço de pura dor.
— Damien… os bebês… eles estão vindo! — gaguejei, agarrando os ombros nus do meu noivo com as mãos ensopadas de suor frio.
O caos se instalou na suíte em menos de dez segundos.
Damien parecia ter sido atingido por uma descarga de duzentos e vinte volts. Ele pulou do colchão descalço, tropeçando nos próprios pés antes de puxar uma calça de moletom e enfiar uma camiseta cinza pelo avesso.
— Calma, meu amor! Respira… como o Eli mandou! Pelo nariz e pela boca! Cadê a porra da mala da maternidade?! Cadê o meu celular?!
Mesmo no meio da agonia de mais uma pontada violenta, soltei uma risadinha entrecortada pelo choro.
— No closet, Dam… A mala bege… e liga pro Elijah agora!
Ele correu pelo quarto como um furacão, pegou a mala pronta há semanas, discou para o médico no viva-voz e atirou o aparelho sobre a cama enquanto vestia os sapatos.
A voz de Elijah atendeu no segundo toque, rouca de sono, mas em alerta imediato:
— Damien?
— ELI! A BOLSA ESTOUROU! — Damien berrou perto do telefone. — A Emma tá com dor forte, o lençol tá todo molhado e as contrações estão vindo uma atrás da outra! O que eu faço, caralho?!
— Dam, se acalma e me escuta! — a voz de Elijah assumiu aquele tom cirúrgico e inabalável que colocava ordem em qualquer tempestade. — Apoia a Emma, coloca ela no banco de trás do carro e venha direto para o centro obstétrico do Presbyterian. A minha equipe já está de plantão e eu estou entrando no meu carro agora. Nada de correr a duzentos por hora na chuva, me ouviu bem? Nós temos tempo!
A ligação caiu.
Damien me envolveu nos braços com um cuidado infinito, erguendo o meu corpo com a maior delicadeza do mundo. Saímos do quarto com passos rápidos. No corredor, Luca e Ellie já estavam de pé na porta dos seus quartos, com os olhinhos sonolentos e assustados pelo barulho, ao lado da Savannah.
— Papai? Os nenéns vão nascer? — Luca perguntou, dando um passo à frente.
— Vão, meu filho! Vão nascer hoje! — Damien respondeu, descendo as escadas comigo no colo. — Fiquem com a tia Sa e com a tia Leah, ok? O papai ama vocês!
— Força, Em! Traz meus irmãozinhos logo, tá bom? A El vai ficar esperando! — Ellie gritou do topo da escada com as mãozinhas na boca.
Soltei um riso entre os gemidos ao ouvir o pedido da minha irmã.
O trajeto pelas ruas escuras entre Hoboken e Manhattan foi uma corrida contra o relógio biológico. O céu derramava uma garoa fina que reluzia sob os postes da avenida. No banco de trás do SUV, deitada de lado com a cabeça apoiada no colo do Damien, eu mordia o tecido da camiseta dele a cada três minutos, sentindo a pelve dilatar em espasmos brutais.
Quando as portas automáticas da emergência do Presbyterian se abriram, uma equipe inteira já nos aguardava com uma maca reclinável.
Fui transferida com agilidade para a ala cirúrgica obstétrica. Luzes brancas, cheiro de antisséptico e o som rítmico dos monitores cardíacos substituíram a noite lá fora. Me vestiram com a camisola hospitalar estéril, colocaram os sensores no meu ventre e puncionaram uma veia no dorso da minha mão.
— Dilatação em oito centímetros, colo completamente esvaecido! — a enfermeira-chefe anunciou após o toque, olhando para a porta.
Elijah cruzou a entrada no mesmo segundo, já paramentado com o jaleco azul estéril, máscara cirúrgica no pescoço e luvas de látex ajustadas com precisão. Esther vinha logo atrás, também paramentada, pronta para atuar no suporte neonatal.
— Muito bem, mamãe — Elijah se aproximou da maca, segurando o meu queixo com ternura e abrindo um sorriso sereno sob os olhos azuis. — Os seus meninos decidiram que a festa tinha que ser hoje. Os batimentos de ambos estão perfeitos no monitor. O coração do bebê B está aguentando como um verdadeiro campeão. Nós vamos fazer esse parto acontecer agora. Você confia em mim?
— Confio… de olhos fechados, Eli. — respondi arfando, apertando a mão de Damien, que tinha acabado de entrar vestindo o avental hospitalar e a touca cirúrgica, os olhos vermelhos fixos em mim.
— Eu tô aqui, minha vida… Eu tô aqui do seu lado — Damien sussurrou, colando a testa na minha e entrelaçando os dedos grossos nos meus. — E nossa família também, estão todos lá fora, sem exceção. Eles estão só esperando para dar as boas-vindas aos nossos meninos.
Eu sorri ao pensar em cada um deles. A família que nós escolhemos, e que nos escolheu de volta.
Uma contração monumental me dobrou sobre a maca, rasgando qualquer pensamento.
— Vamos lá, Emma! — Elijah comandou, posicionando-se na extremidade da maca com a equipe pediátrica a postos. — O bebê A está coroando! No final dessa contração, eu preciso de uma força longa e constante. Três, dois, um… Força!
Prendi o ar nos pulmões, fechei os olhos e empurrei com toda a força que existia dentro do meu corpo.
O aperto na mão de Damien era quase esmagador. Ele sussurrava palavras de amor contra o meu ouvido, beijando as minhas têmporas encharcadas de suor.
— Vai, meu amor… Você consegue! Você é a mulher mais forte do mundo!
— A cabeça já saiu, Emma! Mais uma força rápida para os ombros! — a voz de Elijah soou firme.
Dei o último impulso com a alma saindo pela boca.
Um alívio inexplicável e imediato invadiu o meu abdômen, seguido, um segundo depois, pelo primeiro som mais lindo do universo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar