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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 251

Capítulo 251 — Nunca mais

Katlyn Pratt

O ar da unidade de terapia intensiva era gelado, quase cortante, carregado por aquele cheiro característico de álcool cirúrgico e plástico esterilizado.

O silêncio do corredor reservado só era quebrado pelo bip compassado dos monitores cardíacos e pelo sussurro distante de calçados emborrachados deslizando sobre o piso.

Dominic caminhava dois passos à minha frente, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça e a postura ereta de sempre, mas os ombros ligeiramente caídos denunciavam o cansaço acumulado daquela noite sem fim.

Ao chegarmos diante da porta envidraçada do leito, ele parou, empurrou a maçaneta com a palma da mão e abriu caminho para que eu passasse primeiro.

Prendi a respiração no instante em que dei o primeiro passo para dentro do quarto.

Meu peito se apertou com tanta força que senti uma pontada física, aguda e sufocante logo abaixo das costelas. Ver o Bruno estendido sobre aquela cama hospitalar estreita, completamente vulnerável e desprovido daquela aura imponente e dominadora que ele sempre carregava, fez as lágrimas arderem instantaneamente no fundo dos meus olhos.

Ele estava pálido, com a mandíbula coberta por uma sombra de barba por fazer e os lábios ressecados, ligeiramente entreabertos. O ombro esquerdo estava completamente enfaixado sob uma imobilização rígida em ângulo fechado, com tubos de drenagem transparentes descendo pela lateral do colchão até um reservatório de sucção.

Havia um acesso venoso fixado na lateral de seu pescoço, conectado a suportes metálicos que sustentavam duas bolsas de soro, medicação e uma bolsa escura de sangue sendo infundida em gotejamento lento. Eletrodos adesivos colados em seu peitoral largo ligavam o seu coração ao monitor multiparamétrico que brilhava na parede com linhas verdes e números regulares.

Me aproximei devagar, sentindo as pernas pesadas, como se estivesse pisando em areia movediça. Parei na lateral direita da cama, a única livre de tubos mais densos, e hesitei por dois segundos antes de estender a mão trêmula e pousar a ponta dos meus dedos sobre o dorso da mão dele.

A pele do Bruno estava morna, mas não tão quente quanto eu me lembrava da varanda da mansão ou daquele abraço firme antes de partirmos para o shopping. Apertei de leve os nós de seus dedos compridos, sentindo o alívio lavar o meu estômago aos poucos. Ele estava vivo. Ele estava respirando.

Dominic parou do outro lado da cama, cruzando os braços sobre o peito. O agente encarregado do FBI encarou o amigo desacordado com um olhar denso, onde a frieza profissional dava lugar a um afeto fraternal profundo e sincero.

— Eu conheço o Bruno há mais de dez anos, Katlyn — Dominic começou, quebrando a quietude com sua voz grave, baixa e pausada. — Nós entramos juntos na academia de Quantico, fizemos rondas nas piores esquinas de Nova York e cobrimos a retaguarda um do outro em tiroteios e batidas onde qualquer erro custava um enterro com honras. Eu já vi esse homem levar coronhada, quebrar costela, ser suspenso por insubordinação e peitar diretores do departamento sem vacilar um único músculo da face.

Ergui os olhos, encontrando a expressão serena e firme do Costello sobre o corpo do parceiro.

— Ele sempre foi um soldado solitário — Dominic continuou, soltando um suspiro curto pelo nariz. — Centrado, fechado, metódico e totalmente avesso a qualquer distração emocional. O Coletti nunca foi do tipo que se apega fácil ou que perde o rumo por alguém. As mulheres que passaram pela vida dele nunca duraram mais do que alguns jantares casuais e conversas que terminavam no café da manhã. Mas desde o minuto em que você entrou naquela mansão… desde o instante em que ele colocou os olhos em você, eu vi o Bruno mudar da água para o vinho.

Pisquei devagar, sentindo um nó doloroso se formar na minha garganta:

— Dominic… ele quase morreu por minha causa.

— Ele quase morreu porque escolheu lutar por você, garota — Dominic rebateu de pronto, com aquela autoridade mansa e inquestionável que só ele sabia impor. — Eu nunca vi o Coletti agir com tanta ferocidade, com tanto desespero e com tanta falta de juízo por ninguém. Entrar naquela serra sem colete balístico, desafiar as minhas ordens na linha de frente e se colocar na mira de um revólver só para criar uma janela de resgate… isso não foi treinamento tático, Katlyn. Isso foi um homem completamente rendido e apaixonado protegendo a mulher dele a qualquer custo.

Baixei a cabeça, acariciando os nós dos dedos do Bruno enquanto uma lágrima quente escorregava pela minha bochecha e caía sobre o lençol branco.

— O Bruno é um homem raro, Katy — Dominic continuou, dando um passo curto para mais perto e apoiando a mão na mureta de metal aos pés da cama. — Ele é íntegro, protetor, leal até a última gota de sangue e tem um coração imenso escondido debaixo dessa pose de durão. Não desperdice outra oportunidade de ser feliz com um homem bom só por medo das cicatrizes do seu passado. O Ambrose já teve a história dele, você já pagou a sua penitência e o seu carrasco agora está trancado em uma cela federal aguardando julgamento sem nenhuma chance de sair. O caminho está livre. Só depende de você permitir que ele cuide de você.

Ficamos em silêncio por longos segundos, apenas absorvendo a respiração pesada do Bruno e o bipe constante do monitor. Dominic ergueu o pulso esquerdo, consultou o relógio de e depois olhou para mim com uma suavidade fraternal no olhar.

— O nosso tempo está acabando, o plantão do hospital é rigoroso com o CTI. Eu vou esperar lá fora na recepção e te dou esses últimos cinco minutos a sós com ele. Fica tranquila.

Assenti em silêncio, agradecendo com um menear de cabeça:

— Obrigada, Dominic. Por tudo.

Dominic deu um leve tapinha na perna do Bruno por cima do lençol, como uma despedida silenciosa, e caminhou até a saída, fechando a porta envidraçada atrás de si e nos deixando completamente a sós.

Me aproximei ainda mais da lateral do leito. Com a mão livre, acariciei suavemente os cabelos escuros e desgrenhados do Bruno, afastando os fios que caíam sobre a sua testa pálida.

— Olha só o que você fez com você mesmo, seu teimoso… — sussurrei baixinho, sentindo o choro engasgado escapar em uma risada fraca e descompassada. — O Dominic está coberto de razão. Você é teimoso demais, inconsequente demais… e conseguiu me deixar completamente sem chão.

Puxei a cadeira metálica e me sentei bem rente à cama, sem soltar a mão dele por um único segundo. Entrelacei os meus dedos nos dele, sentindo o calor voltando aos poucos para a sua palma.

— Eu sinto tanto por tudo o que você passou hoje, Bruno… Me perdoa por ter entrado naquele carro. Me perdoa por ter feito você correr atrás de mim naquele subsolo e por ter sangrado tanto para me tirar daquele pesadelo. Eu passei a semana inteira achando que eu era amaldiçoada, sabe? Achando que qualquer homem que se aproximasse de mim estaria condenado a sofrer, exatamente como aconteceu com o Ambrose lá atrás.

Apertei a mão dele com um pouco mais de firmeza, buscando o olhar dele mesmo com as pálpebras fechadas.

— Mas eu conversei com as meninas lá fora. A Tay, a Em, a Fer e a Bree… elas abriram os meus olhos de um jeito que ninguém nunca conseguiu. E o Ambrose… o Ambrose esteve comigo naquela sala de espera há alguns minutos. Ele me ouviu, ele me entendeu de verdade pela primeira vez… ele me perdoou, Bruno. Ele me olhou nos olhos e tirou aquele peso podre que eu carregava nas costas há tanto tempo. Ele disse que o passado acabou.

Um sorriso doce e molhado pelas lágrimas se abriu nos meus lábios.

— E por incrível que pareça… todas elas, e até mesmo o Ozzie, apoiam que a gente fique junto. Eles disseram que você escolheu isso, que você me escolheu. E eu preciso te confessar uma coisa antes que você acorde com aquela pose arrogante de sempre: mesmo com todo o medo do mundo me apertando o peito, mesmo com todas as minhas feridas ainda cicatrizando… do fundo da minha alma, Bruno, eu também quero muito ficar com você. Eu nunca quis tanto pertencer a alguém como quero pertencer a você.

Engoli o resto do choro, inclinei o tronco sobre o colchão e desci o meu rosto devagar até o dele. O cheiro do sabonete antisséptico não conseguia apagar completamente aquele aroma amadeirado e marcante que era dele.

Rocei a ponta do meu nariz na bochecha áspera pela barba rala e pousei os meus lábios sobre os dele em um selinho longo, terno, demorado e carregado de uma devoção pura e silenciosa.

O contato durou longos segundos. Quando comecei a me afastar devagar para quebrar o toque, senti uma contração sutil e rápida sob as pontas dos meus dedos.

Pisquei duas vezes seguidas, o ar travando na minha garganta enquanto o sangue subia em disparada para as minhas bochechas.

— Namorado?!

A enfermeira ergueu uma sobrancelha bem desenhada, fitando-me com um brilho de divertimento evidente no olhar.

— Bom… pelo menos foi exatamente isso o que o agente Costello informou na triagem da segurança para conseguir a liberação da sua entrada na UTI fora do horário. Ele disse expressamente que você era a namorada dele e que não sairia deste hospital enquanto não visse o rapaz com os próprios olhos.

Senti o meu rosto queimar de uma forma tão intensa que tive a certeza de estar mais vermelha do que a peça de renda que comprei naquela tarde caótica. Desviei os olhos para o corpo adormecido do Bruno, engolindo a vergonha antes de responder com a voz baixa e sem jeito.

— É que… bom, nós somos bem recentes. E eu… eu ainda não me acostumei com o título.

A mulher soltou uma risadinha baixa e cúmplice, organizando os tubos com movimentos rápidos e gentis.

— Fica em paz. Ele é um homem forte, o procedimento foi um sucesso e amanhã cedo provavelmente ele já vai estar reclamando da comida insossa do hospital, pelo menos todos eles reclamam. — sorrimos juntas. — Vou te dar mais um minuto para se despedir com calma e te espero ali fora no corredor, está bem?

— Muito obrigada — assenti, as mãos cruzadas sobre o peito em um gesto de pura gratidão.

A enfermeira saiu a passos lentos, encostando a porta de vidro fosco para me dar privacidade.

Voltei a me aproximar da cama, inclinando meu corpo sobre o colchão até que o meu rosto ficasse a poucos centímetros do dele. Levei os dedos até a curva de sua mandíbula, sentindo o calor firme e a respiração suave que escapava de seus lábios.

Desci a minha boca mais uma vez sobre a dele, deixando um beijo doce, macio e demorado, selando ali toda a esperança que eu achei ter perdido para sempre no passado.

Afastei meus lábios apenas uma fração de centímetro, mantendo a minha respiração colada à pele dele, e sussurrei bem baixinho contra a sua boca:

— Eu vou estar lá fora te esperando, meu agente teimoso. Então… trata de acordar logo, namorado.

Dei mais um selinho rápido e suave antes de me afastar, ajeitei a barra da minha blusa rasgada e caminhei até a saída com passos firmes e o peito transbordando de uma leveza que eu não sentia há anos.

Do lado de fora o encarei pelo vidro por mais alguns minutos, Dominic parou ao meu lado.

— Está pronta para ir embora? Falei para o médico que voltamos amanhã pela manhã. — Assenti sem desviar os olhos do Bruno.

— Estou, e amanhã quando eu voltar… não saio do lado dele, nunca mais.

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