Capítulo 232 — Cortando o cordão
Fernanda Garcia
Minutos depois, a porta principal da mansão foi aberta. James entrou escoltando a mulher de passos duros e salto alto.
Minha mãe cruzou o hall como um furacão desgovernado. O rosto com maquiagem pesada estava vermelho de raiva, os olhos castanhos faiscavam em puro ódio e a bolsa de couro era apertada com força contra o peito.
Ela ignorou completamente a imponência da mansão, as obras de arte e as outras mulheres na sala, marchando diretamente na minha direção.
— Olha só para você! — ela disparou, a voz esganiçada ecoando pelo teto alto. — Vivendo cercada de luxo enquanto o homem da sua vida come o pão que o diabo amassou por sua causa! Que tipo de monstro sem coração você se tornou, Fernanda?!
Me levantei do sofá, mantendo uma distância segura.
— Mãe, por favor, abaixa o tom de voz. Nós estamos na casa de amigos e as crianças estão na sala ao lado.
— Eu não abaixo a porra do tom coisa nenhuma! — ela gritou, gesticulando no ar com desprezo. — Você vai pegar as suas coisas agora mesmo, vai entrar no meu carro e nós vamos direto para a delegacia onde o Mike trabalha! Você vai pedir perdão de joelhos para aquele rapaz, vai colocar a cabeça no lugar e vai voltar a ser a mulher decente que eu criei! Você terminou com ele por pura vaidade para se jogar nos braços desse tal de Ambrose, um sujeito qualquer que só está te usando como passatempo!
— O Ambrose é o meu noivo! — rebati com firmeza, sentindo a raiva queimar no peito. — Ele é um homem de verdade, que me respeita, que cuida de mim e que nunca encostou um único dedo na minha pele para me machucar! Eu nunca mais vou voltar para o Mike, mãe! Nunca!
— Cala essa boca imunda! — Angelina berrou, perdendo completamente o controle.
Ela deu dois passos furiosos na minha direção e ergueu o braço direito no ar com a mão aberta, pronta para desferir um tapa violento no meu rosto.
Fechei os olhos em puro reflexo defensivo, mas o impacto nunca veio.
Em uma fração de segundo, Katlyn se jogou na minha frente. O estalo seco da bofetada ecoou pela sala quando a mão da minha mãe atingiu em cheio a bochecha da loira, jogando os cabelos dela de lado.
No mesmo milésimo de segundo, Taylor se moveu como um raio. Minha amiga avançou por trás da minha mãe, agarrou o braço levantado dela com uma pegada de ferro e torceu a articulação para trás, imobilizando minha mãe contra o próprio corpo em uma chave perfeita.
— Se você levantar a mão mais uma vez dentro desta casa, sua víbora, eu quebro o seu braço em três partes! — Taylor rosnou no ouvido dela, os olhos faiscando em fúria pura.
Katlyn levou a mão ao rosto avermelhado, sem recuar um único milímetro. Ela deu um passo intimidador para cima da minha mãe, os olhos brilhando em puro desprezo.
— Como é que você tem a coragem de levantar a mão contra a sua própria filha por causa de um canalha?! — Katlyn disparou, a voz firme e cortante. — Que tipo de mãe nojenta é você, que tem a audácia de tentar empurrar a própria carne de volta para a cama de um agressor covarde?! Você sabe o que é viver trancada apanhando no escuro?! Você não é uma mãe, você é uma aberração!
Minha mãe se debatia desesperada no aperto implacável da Taylor, esperneando feito louca.
— Me solta, sua marginal! Fernanda, manda essa maldita me soltar agora! Eu sou a sua mãe! Eu pari você, eu te alimentei, você me deve respeito e obediência cega! Você tem a obrigação moral de me ouvir!
Uma pontada fria de culpa tentou se infiltrar no meu peito, aquele velho hábito de me sentir responsável pela infelicidade da mulher que me gerou.
Mas Katlyn se virou para mim no mesmo instante, segurando a minha mão com força.
— Não, Fer! Não deixa ela entrar na sua cabeça! — Katlyn pediu, olhando no fundo dos meus olhos. — Você não deve absolutamente nada para essa mulher! Alimentar e dar teto é a obrigação básica de qualquer pessoa que decide colocar um filho no mundo! Ela nunca te amou de verdade, ela só quer controlar a sua vida!
Emma deu um passo e segurou a minha outra mão, com a voz doce e inabalável.
— Você é livre, Fernanda. Você não precisa carregar essa cruz nunca mais.
Olhei para a minha mãe esperneando, para a bochecha vermelha da Katlyn que levou um golpe no meu lugar, e para a união daquelas mulheres ao meu redor.
Peter surgiu no arco do hall com a mão na cintura, a postura alerta.
Peter arrastou Angelina esbravejando pelo corredor até a porta principal bater com um estrondo definitivo.
O silêncio caiu sobre a sala como uma bênção.
Desabei no sofá, cobrindo o rosto com as mãos enquanto as lágrimas de alívio puro lavavam a minha pele. No segundo seguinte, senti os braços da Emma, da Taylor, da Aubrey e da Katlyn me envolverem em um abraço coletivo apertado e caloroso.
— Você foi perfeita, Ferferzinha… Uma verdadeira leoa — Taylor sussurrou com orgulho, beijando o topo da minha cabeça.
— Obrigada… Muito obrigada a todas vocês — murmurei com a voz embargada, apertando a mão da Katlyn em especial. — E obrigada por ter entrado na frente daquele tapa, Kat.
Katlyn deu um meio sorriso terno.
— Nós protegemos as nossas, Fer. Você me ensinou isso no sábado.
Antes que o momento de paz pudesse se prolongar, o som estridente do meu celular tocou sobre a mesa de centro.
Peguei o aparelho e encarei a tela: era uma sequência de dígitos desconhecidos.
Olhei para a Taylor com o peito apertado.
— É o Mike. Eu tenho certeza absoluta de que é ele… A minha mãe já deve ter ligado aos prantos contando tudo.
Taylor abriu um sorriso de lado, aquele sorriso predatório e perigoso que sempre precedia uma tempestade:
— Então atende no viva-voz, Ferferzinha. E deixa que agora, com esse cretino… quem vai lidar sou eu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar