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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 231

Capítulo 231 — É mesmo a minha mãe

Fernanda Garcia

— Arruma as suas coisas agora mesmo, Fernanda, porque eu já estou na estrada e estou indo aí te buscar!

A voz estridente e autoritária da minha mãe atravessou a linha telefônica como uma bofetada em pleno rosto. O ar congelou na minha garganta.

Me levantei do sofá em um solavanco, sentindo as pernas bambearem e o estômago despencar em um abismo familiar de ansiedade e pavor.

— Mãe? — tentei falar em um tom calmo, dando passos lentos para longe das crianças no tapete. — Do que você está falando? Que história é essa de vir me buscar?

— Não se faça de sonsa, Fernanda! — ela gritou, a respiração pesada do outro lado denunciando a fúria descontrolada. — O Mike me procurou aos prantos, desesperado! Aquele homem maravilhoso faz tudo por você, tem uma carreira brilhante, te ama como ninguém nunca vai amar e você larga tudo para viver de favor na casa de um amigo rico em New Jersey feito uma deslumbrada?! Você é uma ingrata, uma egoísta que só sabe destruir a própria família e arruinar o próprio futuro!

— Mãe, escuta… Você não sabe o que está dizendo… O Mike é…

— Eu sei muito bem quem ele é! Um homem de respeito que você não cansa de provocar! — ela me cortou aos berros, a voz estridente vazando pelo aparelho. — Eu já estou entrando em Hoboken. Estou chegando nessa mansão agora e você vai entrar no meu carro por bem ou por mal!

A sensação sufocante da infância voltou com força total. Comecei a gaguejar, procurando palavras para me defender, sentindo aquele nó amargo fechar a minha traqueia.

Foi quando vi quatro pares de olhos fixados em mim. Emma, Taylor, Aubrey e Katlyn se levantaram dos sofás em uníssono e vieram na minha direção, formando uma barreira protetora ao meu redor.

Olhei para o rosto preocupado da Emma, para a postura firme da Taylor e para os olhos da Katlyn, que me encarava como se dissesse que eu não estava sozinha.

Aquele apoio silencioso acendeu uma fagulha de coragem no meu peito. Respirei fundo, estufei a postura e soltei com a voz mais firme que consegui reunir:

— Eu não vou a lugar nenhum com você, mãe. Eu sou dona da minha própria vida. E se o único motivo de você estar vindo até aqui é tentar me arrastar de volta para aquele inferno, você nem precisa se dar ao trabalho de cruzar o portão.

Sem esperar a réplica de histeria, apertei o botão vermelho e encerrei a chamada.

Fiquei estática no meio da sala, o peito arfando e as mãos tremendo levemente.

Taylor deu um passo à frente, pousando as mãos na cintura.

— Você está bem, Ferferzinha?

Soltei um riso sem humor.

— Espero que você tenha razão, Bree. Espero do fundo da minha alma que você tenha razão.

Voltamos a nos sentar nos sofás, mas o clima gostoso daquela manhã tinha se transformado em uma névoa espessa de tensão. Dez minutos se arrastaram como horas de agonia.

Até que Leah apareceu sob o arco da sala de estar, as mãos postas à frente do avental e a postura hesitante

— Fer, minha querida… com licença. Tem uma mulher no portão principal chamada Angelina Garcia. Ela está exigindo entrar, fazendo um escândalo com os seguranças e dizendo aos berros que é a sua mãe.

— O chifrudo não veio, mas fez questão de mandar a secretária! — Taylor disse com deboche.

Fechei os olhos por um segundo, engolindo a bile amarga.

— Eu não tenho opção… — falei para as meninas. Me virei para Leah que ainda estava no mesmo lugar esperando a minha resposta e disse:

— Pode autorizar a entrada, Leah. Infelizmente aquela mulher… é mesmo a minha mãe.

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