Capítulo 228 — Temos algo para contar
Damien Knight
O retorno do hangar até a minha casa trouxe uma sensação nítida de ciclo encerrado. A atmosfera pesada que nos acompanhou até a pista de decolagem foi se dissipando conforme os carros cruzavam os portões de ferro da mansão.
Assim que descemos dos veículos, o som cristalino de gargalhadas infantis e conversas animadas encheu o ar. O sol do meio-dia brilhava forte no céu agora limpo, banhando o gramado verde onde as meninas estavam reunidas com as crianças.
Luca corria atrás de uma bola com as outras crianças, enquanto Ellie se sentava na beirada da toalha de piquenique com Aubrey e Taylor rindo.
Subimos as escadas em um fluxo descontraído. Cada um de nós foi para a sua respectiva suíte para se livrar das camisas sociais e dos sapatos formais. Troquei a calça de alfaiataria por uma bermuda preta confortável e uma camiseta cinza de algodão leve. Quando desci os degraus, encontrei os rapazes já reunidos no hall.
Esther descia logo atrás do Elijah, ajeitando os cabelos, e olhou ao redor procurando uma presença específica.
— Gente, alguém viu o Juan por aí?
Emma, que acabava de cruzar a sala com uma jarra de suco fresco para as crianças, respondeu com um sorriso doce.
— Ele saiu faz pouco mais de uma hora, Tete. Não disse para onde ia, apenas avisou aos seguranças do portão que precisava resolver alguns assuntos no Brooklyn e que voltaria antes do anoitecer.
Esther soltou um suspiro resignado, revirando os olhos.
— Típico do Juan Rivera. Sumir sem nem se dar ao trabalho de me avisar, obrigada Em, vou ligar para ele agora mesmo.
Minha mulher assentiu com um sorriso. Antes que a conversa continuasse, Leah surgiu no início do corredor.
— Senhor Knight, com licença. Os senhores Coletti e Gayer acabaram de se juntar ao pessoal no jardim.
— Perfeito, Leah. Obrigado — respondi.
Seguimos todos para a área externa. O domingo finalmente ganhava a cara que deveria ter tido desde o início: leve, barulhento e acolhedor.
Ambrose e Declan assumiram o comando da churrasqueira, colocando peças nobres na grelha enquanto trocavam provocações sobre o ponto da carne. Os demais se espalharam pelas banquetas e mesas de madeira sob a sombra do pergolado, com copos e garrafas de cerveja nas mãos.
Gael Gayer estava encostado na mureta de pedra, vestindo uma polo azul-marinho e óculos escuros, aparentemente focado na paisagem do jardim. Porém, a direção do seu queixo entregava um alvo muito específico: a Dra. Violet Roy, que conversava animadamente com Jen e Sammy perto das espreguiçadeiras.
Atlas, que não deixava passar absolutamente nada, deu um gole na bebida e soltou com um sorriso debochado.
— Olha só… Se o olhar do nosso chefe de segurança pudesse queimar, a boa doutora já teria entrado em combustão espontânea faz uns dez minutos.
Gael virou o rosto no mesmo segundo, ajeitando os óculos com uma rispidez ensaiada.
— Eu não estava olhando para ninguém, Atlas. Eu estava apenas olhando para o gramado. Foi mera coincidência ela estar naquela linha de visão.
Elijah soltou uma risada baixa, apoiando os braços na bancada.
— Bom… se foi coincidência, ela é recíproca, meu caro. Porque a Vi já olhou na sua direção umas quatro vezes desde que você pisou nesse deck.
Gael ajeitou a postura, a voz saindo com uma curiosidade involuntária que o traiu de imediato.
— Você acha?
A bancada inteira explodiu em uma gargalhada uníssona e escandalosa.
Chris deu dois tapinhas nas costas do segurança, zombando sem dó.
— "Mera coincidência", não é, Gayer?! Você está muito interessado pra quem só estava olhando o gramado!
— Eu vou lá dentro resolver uma coisa rápida com a minha família e já volto para o churrasco.
— Vai lá, irmão — Noah assentiu, enquanto os outros concordavam com acenos de cabeça.
Caminhei com passos firmes pelo gramado e entrei na mansão.
Encontrei os três na sala de TV. As portas de correr estavam fechadas, criando um refúgio acolhedor e silencioso. Emma estava sentada no meio do sofá grande de linho, com Ellie aninhada de um lado, abraçada a uma almofada, e Luca sentado do outro, com as mãozinhas pequenas pousadas sobre os joelhos e os olhinhos verdes atentos.
Me aproximei devagar, tirei os chinelos e me sentei na mesinha de centro bem de frente para o meu filho. Pousei as palmas das minhas mãos sobre os joelhos dele, sentindo o calor frágil daquele garotinho que era a razão da minha vida.
— Tudo bem por aqui? — perguntei e todos assentiram.
— Tudo papai, a mamãe só queria ficar no fresquinho um pouco — meu filho respondeu e eu sorri pra ele.
— É mesmo papai Dam, a tia Mia disse que as gravidinhas que nem ela e a Em precisam ficar no fresquinho, né Em? — minha mulher deu um beijo no topo da cabeça da irmã.
— É sim minha princesa.
Olhei para Emma que entendeu o meu olhar no mesmo instante. Ela tocou no meu ombro com suavidade, me dando o suporte silencioso que eu precisava. Não tinha porque esconder isso do meu garoto, e muito menos prolongar o tempo para dar a notícia.
Encarei Luca por alguns segundos.
— Filho…
Comecei com uma voz mansa, calma e profundamente afetuosa.
— O papai e a Emma têm uma coisa para te contar…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar