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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 217

Capítulo 217 — O Reflexo no Espelho

Fernanda Garcia

Os últimos dias tinham sido um verdadeiro turbilhão de acontecimentos. A felicidade avassaladora de ter dito "sim" ao pedido de casamento do Ambrose ainda fazia o meu peito vibrar de uma forma indescritível, mas o medo e a apreensão insistiam em rondar os meus pensamentos por conta de toda a sombra do Mike e da chantagem da minha mãe.

Mais cedo, quando peguei o celular no quarto, dei de cara com mais uma mensagem covarde daquele cretino me cobrando um suposto compromisso e me chamando daquele jeito asqueroso.

Eu nem sequer perdi o meu tempo respondendo; simplesmente bloqueei o contato na hora. Já havia perdido a conta de quantas linhas e números descartáveis eu já tinha bloqueado nos últimos meses toda vez que descobria que era ele tentando me encurralar.

Mike não tinha mais espaço na minha vida, mas a insistência dele era uma ferida que eu tentava ignorar para não estragar a minha felicidade.

O sábado começou tenso com a visita daquelas duas, mas logo o dia parecia ter ganhado cor, sol e leveza ao lado dos nossos amigos na piscina. Pelo menos foi o que eu pensei. Porque no instante em que vi o riso da Taylor morrer no rosto e ela fixar o olhar em um ponto específico do jardim, percebi que o sábado realmente tinha mudado de cor, só que para um tom cinza-chumbo, pesado e carregado como nuvens de tempestade.

Me levantei da espreguiçadeira em silêncio e caminhei pelo gramado em direção ao anexo. Me aproximei sem fazer alarde e parei a poucos passos, ouvindo cada vírgula da conversa entre o Ambrose, o Noah e a mulher em pânico.

Era a Katlyn. A ex do meu noivo.

Fiquei ali parada, escutando o relato aterrorizante sobre os homens que invadiram o apartamento da Tiffany, a destruição do imóvel, a arma apontada para a cabeça da amiga e o aviso de morte caso a Katlyn não retornasse para aquele contrato abusivo de dominação.

Ouvi o tom seco, defensivo e distante com que o Ozzie a tratava, mas percebi claramente que, por trás daquela carcaça de homem durão, ele ainda tentava encontrar uma saída prática para salvar a vida dela.

Olhei para a Katlyn e, por mais que soubesse do passado tortuoso entre eles, não consegui enxergar uma rival. Não vi a ex arrogante que ele descrevia; vi uma mulher despedaçada, tremendo da cabeça aos pés, acuada e em fuga desesperada de um homem sádico que a tratava como posse e propriedade privada. Vi uma criatura à beira do abismo pedindo socorro.

Então, quando o Ambrose bufou, cruzando os braços e disparando com irritação:

— E o que você sugere que eu faça, Katlyn?! Que eu monte um bunker para você no meio de Manhattan?!

Eu não hesitei por um único segundo. Dei um passo à frente com a postura ereta e falei com firmeza.

— Eu tenho uma sugestão, ela fica aqui até pegarmos esse cretino.

Ambrose virou o corpo num solavanco, os olhos azuis arregalados de surpresa.

— Há quanto tempo você está aí atrás, Fernanda?! Eu fiquei vigiando a área da piscina justamente para garantir que você não precisasse ouvir nada dessa confusão!

Cruzei os braços encarando o meu noivo com uma sobrancelha arqueada.

— Por que essa pergunta, Ozzie? Por acaso você está desapontado por eu ter ouvido a verdade?

Ele passou a mão pela nuca, desconcertado.

— Desapontado não, amor… Mas surpreso pra caralho. Principalmente por essa sua sugestão sem cabimento.

Me virei com calma na direção do Noah.

— Noah, por favor… você se importaria de acompanhar a Katlyn até a varanda lateral por alguns minutos para que eu e o Ambrose possamos conversar a sós?

— Claro, Fer. Fiquem à vontade — Noah respondeu prontamente, tocando o ombro da mulher. — Vem comigo, Kat.

Katlyn ergueu os olhos marejados para mim e me lançou um olhar tão carregado de alívio, surpresa e gratidão pura que tocou o fundo da minha alma.

Assim que os dois se afastaram, segurei a mão firme do Ambrose e comecei a puxá-lo pelo gramado em direção à entrada da mansão.

— Para onde você está me levando, Fernanda? — ele questionou, tentando diminuir o passo.

— Para o nosso quarto — respondi sem olhar para trás.

— Para o quarto fazer o quê?!

— Conversar de verdade, longe de todo mundo.

Subimos a grande escadaria com o Ozzie resmungando palavrões baixinhos o caminho inteiro, mas continuei puxando-o até cruzarmos a porta da nossa suíte. Bati a folha de madeira e tranquei a fechadura.

Ambrose cruzou os braços largos sobre o peitoral, parando no meio do quarto com uma postura rígida.

— Pronto. Já estamos no quarto. O que é que você quer conversar com tanta urgência?

— Sobre a Katlyn — fui direta ao ponto.

Ele soltou um bufo ruidoso de puro desprezo.

— Não tem absolutamente nada para ser conversado sobre aquela mulher, Fernanda! Tudo o que estava ao meu alcance como ser humano eu já fiz! Arrumei teto, dei dinheiro, agora vou acionar o Simon e a polícia federal. O meu papel nessa história acabou!

Me aproximei dele, mantendo o tom calmo e ponderado.

— Ozzie, deixa ela ficar aqui na mansão por alguns dias. Eu tenho certeza absoluta de que, se você conversar com o Damien, ele não vai se opor a acolher a garota.

— Nem fodendo!! — Ambrose rebateu de pronto, gesticulando no ar. — Eu não vou cometer a mesma estupidez que o Stan cometeu quando colocou a Giovanna dentro de casa! Olha a merda que deu aquilo!

— A situação é completamente diferente, Ambrose! — insisti, olhando nos olhos dele. — A Katlyn não está tramando contra ninguém aqui dentro. Eu vi o pavor real estampado naqueles olhos!

— Você está sendo ingênua demais, Fernanda! — ele retrucou em tom duro. — Eu conheço a peça! Eu convivi com a Katlyn no passado, eu sei exatamente quem ela é.

Dei um passo firme na direção dele.

— Eu realmente não conheço a Katlyn… Mas eu reconheço uma mulher desesperada à distância, Ambrose! Eu reconheço o olhar de uma mulher que está apavorada, perdida, sem ter para onde correr e que só precisa de um único fio de esperança para se apegar e acreditar que a vida dela pode ser diferente! Ela só precisa saber que o fim da história dela não vai ser apanhando ou morrendo nas mãos de um canalha escroto que a trata como um objeto descartável e não com o mínimo de respeito humano!

Ambrose passou as duas mãos pelo cabelo, andando de um lado para o outro do tapete, visivelmente incomodado.

— Você está romantizando uma situação perigosa, Fer… Eu simplesmente não consigo entender como é que você, logo você que agora é minha noiva, consegue olhar para a minha ex e enxergá-la com tanta benevolência!

A minha paciência começou a se esgotar.

O chão pareceu fugir sob os meus pés. O sangue sumiu do meu rosto.

— Você… você mexeu nas minhas coisas? Você leu a minha mensagem?

— Li sim! — ele confessou sem o menor pudor, a mágoa transbordando na voz. — E pelo visto, se eu não tivesse lido por acaso, você nem sequer teria tido a decência de me contar que aquele desgraçado está marcando encontros com você pelas minhas costas!

A indignação queimou forte nas minhas veias. Encarei o meu noivo com os olhos cravados nos dele, sem desviar por um milésimo de segundo.

— Eu não te contei porque eu não queria estragar o nosso final de semana com uma besteira irrelevante, Ambrose! O Mike me procura toda semana, cria números novos e me manda mensagens sem parar! E você quer saber o que eu faço toda vez que isso acontece?! Eu nem leio, eu não respondo e bloqueio cada um desses números no mesmo segundo!

Dei um passo firme para a frente, diminuindo ainda mais o espaço entre nós.

— Sabe por que eu faço isso, Ozzie?! Porque eu amo você! Porque eu escolhi você, aceitei ser a sua mulher e coloquei esse anel no meu dedo! O Mike deixou de ter qualquer espaço ou poder sobre a minha vida muito antes de eu cruzar o seu caminho, e você sabe perfeitamente disso!

Vi a máscara de fúria dele se desmanchar devagar. Um brilho denso de culpa e vergonha cintilou nos olhos do Ambrose. Ele engoliu em seco, recuando meio passo.

Respirei fundo, controlando o tremor na minha voz.

— Mas a questão aqui nunca foi o Mike e nem a nossa relação… A questão aqui é a Katlyn e essa sua decisão fria de abandoná-la à própria sorte.

Ambrose passou as mãos pelo rosto, a voz agora saindo pesada, quase suplicante.

— Fernanda… o que diabos você viu naquela garota para estar insistindo tanto nessa loucura?

Mordisquei o lábio inferior com força, segurando a queimação que subia pela minha garganta.

— Eu só quero fazer o certo… Foi você mesmo que me ensinou a fazer o bem sem olhar a quem.

Ozzie balançou a cabeça em negação, recusando a resposta.

— Não é só isso, Fernanda. Tem algo muito mais profundo entalado aí… Me diz a verdade, por favor. O que foi que você viu nela?!

Apertei as mãos contra o meu corpo, tentando me conter.

— Não tem mais nada, Ambrose…

Ele se exaltou novamente, dando um passo na minha direção com os olhos suplicando por honestidade.

— Que merda, Fernanda! Para de fugir e me diz logo o que você viu na porra daquela mulher?!

A barreira dentro do meu peito se rompeu de vez.

Lágrimas grossas e quentes explodiram dos meus olhos e eu gritei com toda a força da minha alma:

— EU!!

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