Capítulo 209 — O Escudo de um Filho
Damien Knight
O ar no hall de entrada da mansão pareceu congelar no mesmo segundo. A presença daquela mulher ali dentro, pisando no chão da minha casa com um sorriso cínico nos lábios perfeitamente pintados de vermelho, fez o meu sangue ferver em uma fúria imediata e perigosa.
Ignorei solenemente a existência da Verônica. Nem sequer perdi meu tempo a olhar nos olhos dela. Voltei toda a minha atenção para a Izabel, dando um passo firme à frente e bloqueando a passagem de ambas.
— O que significa isso, Izabel? — cobrei, a voz soando como um trovão contido, grave e ameaçadora. — Eu autorizei estritamente a sua presença aqui nesta tarde para ver o seu neto. Quem te deu a audácia de trazer essa mulher para dentro da minha propriedade?!
Izabel ajeitou a bolsa de grife no ombro com uma arrogância fingida, empinando o queixo.
— Ela é a minha melhor amiga e é como família pra mim, Damien! Eu estou hospedada em sua casa e não tinha motivo algum para ela não me acompanhar até aqui. Não seja ridículo a ponto de fazer uma tempestade por causa de uma simples visita!
— Ridículo é você achar que tem algum direito de ditar quem entra ou deixa de entrar debaixo do meu teto! — rebati no mesmo tom, os punhos cerrados ao lado do corpo. — Esta casa é minha, a segurança da minha família é a minha prioridade absoluta e a Verônica está terminantemente proibida de respirar o mesmo ar que as pessoas que moram aqui!
— Que implicância é essa com a Verônica, Damien? — minha ex-sogra me perguntou.
— Implicância? A senhora só pode estar brincando, né? — Noah que estava ao meu lado perguntou.
— Implicância sim! Vocês implicam, acusam, agridem, ou pensam que eu não sei? — ela retrucou ao meu amigo.
— Damien, por favor… nós só viemos acompanhar o crescimento do pequeno Luca. — Verônica interveio com aquela voz mansa, arrastada e nojenta, dando um passo à frente com as mãos espalmadas num fingimento asqueroso de diplomacia. — Não precisa desse escândalo.
— Cala a porra da boca, Verônica! — rosnei, fuzilando-a com o olhar antes que ela pudesse dar mais um centímetro de passo. — Se você der mais um passo em direção a esta sala, eu mando a equipe de segurança te arrastar pelos cabelos até o portão da rua!
Antes que a discussão descambasse para a agressão direta, o som de passos leves no corredor chamou a nossa atenção. Savannah surgiu no arco de entrada do hall trazendo o Luca pela mãozinha.
O meu menino estava devidamente vestido com uma bermuda jeans e uma camiseta azul, mas, no instante em que ele bateu os olhos na figura da Izabel e da Verônica na porta, o seu corpinho travou por completo. Ele deu dois passos para trás, escondendo-se atrás das pernas da enfermeira.
Izabel forçou um sorriso amarelo e abriu os braços.
— Venha cá, meu querido… Venha dar um abraço na sua vovó! Não fique aí com essa cara de menino assustado.
Luca não se moveu um milímetro. Agarrou o tecido da calça da Savannah e negou com a cabeça com firmeza.
— Não quero ir aí.
O sorriso da mulher murchou no mesmo instante, dando lugar a uma carranca de puro desgosto.
— Mas que menino mais malcriado e insolente! É exatamente isso o que dá deixar a criação de um herdeiro Knight nas mãos de criadas e de uma babazinha qualquer! Você não tem o menor respeito pelas suas origens, garoto?!
— Izabel, querida, calma… — Verônica colocou a mão no ombro da mulher, destilando o seu cinismo habitual enquanto mantinha os olhos fixos em mim. — Ele é apenas uma criança mimada que ainda não sabe reconhecer quem realmente importa.
A minha paciência se esgotou de forma irreversível.
Izabel arregalou os olhos, o rosto ficando vermelho de puro choque e fúria.
— CALE A SUA BOCA, SEU DESAJUSTADO!! Aquela golpista de uma figa não é a sua mãe e nunca vai ser, tá me ouvindo!! Nunca mais repita isso.
Noah praticamente rosnou para a mulher pela forma que ela falou com meu garoto, mas antes que eu o defendesse, Luca me surpreendeu. Meu filho não se calou, nem se intimidou. Pelo contrário: ele ergueu a voz com ainda mais força, enfrentando o veneno da mulher com a verdade mais pura do seu coraçãozinho.
— Ela é a minha mamãe sim!! E ela é a mamãe dos meus irmãozinhos que estão crescendo dentro da barriga dela agora!!
As palavras do Luca caíram no hall como uma bomba atômica.
Izabel perdeu a fala no mesmo milésimo de segundo, a boca abrindo e fechando no ar em um silêncio estarrecido, como se tivesse levado um soco no estômago.
Verônica, no entanto, deu um passo brusco para a frente. O sorriso cínico desapareceu do seu rosto, sendo substituído por uma expressão de puro ódio, incredulidade e revolta. Os olhos dela queimavam em chamas enquanto ela me encarava com a respiração descompassada.
— Como é que é?! — a voz dela subiu três tons em uma histeria mal disfarçada. — Aquela cretina miserável está grávida?! Ela está esperando um filho seu, Damien?!
Eu já ia abrir a boca para descarregar toda a minha fúria sobre ela e colocá-la para fora da minha casa à força, quando o som firme de passos descendo a escadaria quebrou o silêncio tenso do ambiente.
Uma voz calma, melodiosa, mas carregada de uma autoridade inabalável e fria ecoou do pé das escadas.
— Um filho não, Veve… São dois.

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