Capítulo 208 — Sombras na Porta
Damien Knight
Aquele momento com a Emma no quarto foi o resumo perfeito do que a minha vida tinha se tornado: intensidade pura, desejo descontrolado e uma cumplicidade que eu nunca imaginei ser capaz de sentir por mulher nenhuma, nem mesmo com a Clara.
Perder a hora para o café da manhã com a mesa cheia de amigos no andar de baixo era o menor dos meus problemas quando o motivo do atraso era ter a minha mulher desfeita de prazer em meus braços.
Enquanto ela terminava de se arrumar no closet, vestindo um vestido leve de alças finas que desenhava o seu corpo com perfeição, me aproximei a passos calmos. Emma ajeitava os cabelos loiros em frente ao espelho com um sorriso satisfeito no rosto.
Passei os braços pela sua cintura por trás, colei o meu peito às costas dela e inclinei a cabeça, deixando um beijo quente no seu pescoço perfumado.
— Senhor Knight… nós já estamos terrivelmente atrasados. — ela murmurou em tom provocante, os olhos azuis brilhando no reflexo do espelho.
— Ninguém naquela mesa tem moral para cobrar pontualidade de ninguém hoje, meu amor. — dei um sorriso de canto, deslizando as mãos para a frente e repousando as palmas abertas sobre o ventre dela, ainda sem volume aparente.
Virei ela de frente pra mim, me ajoelhei diante dela. Puxei suavemente a barra do vestido para cima, expondo a pele lisa da sua barriga, e depositei um beijo demorado, doce e reverente bem no centro:
— Bom dia, meus pequenos… O papai ama vocês.
Emma soltou um suspiro emocionado, passando os dedos pelos meus cabelos com extrema doçura.
— Eles com certeza já sabem disso, Dam…
Fiquei de pé num movimento ágil, selei os lábios dela com mais um selinho estalado e entrelaçamos os dedos. Abrimos a porta da suíte e pisamos no corredor.
No exato milésimo de segundo em que saímos, várias portas se abriram quase em sincronia ao longo do corredor do segundo andar. Ozzie surgiu no corredor abraçando a cintura da Fernanda por trás, colando o corpo nela com um sorriso largo no rosto.
— Olha só que coisa linda… Parece que absolutamente ninguém nesta casa conseguiu bater o ponto no horário marcado para o café da manhã!
Declan vinha logo atrás, com os braços nos ombros da Jen, rindo da provocação.
— Meu amigo, com as mulheres que nós temos esperando na cama, o homem que conseguir chegar na hora certa para o café merece ser expulso do grupo! Minha manhã foi bem produtiva né pequena? — ele disse beijando o rosto dela.
— Declan! Pelo amor de Deus!! — Jen o repreendeu, dando uma cotovelada suave nas costelas do marido, arrancando gargalhadas do restante do grupo.
Descemos todos juntos a grande escadaria de madeira, envoltos em risadas, comentários afiados e bom humor. Ao cruzarmos a sala de estar em direção à sala de jantar, a mesa farta nos esperava montada com frutas, pães artesanais, sucos frescos e garrafas de café fumegante.
Emma procurou a governanta com os olhos e perguntou com o seu habitual carinho.
— Bom dia, Leah! Onde é que estão as crianças? Não vi a Ellie e nem o Luquinha por aqui. Preciso que eles tomem café e saber se a Ellie está bem.
Leah abriu um sorriso acolhedor enquanto terminava de ajeitar as louças na mesa.
— Bom dia, minha querida! Pode ficar tranquila. Eu preparei uma mesa especial de café da manhã para os pequenos lá na sala de TV. A Savannah, a senhora Celeste e a senhora Ava estão lá com eles, junto com as babás das outras crianças. Eles estão comendo e assistindo a desenhos animados bem calminhos.
— Muito obrigada, Leah… De verdade. Eu vou dar um pulo lá para vê-los então. — a governanta assentiu com um sorriso, mas antes que minha mulher desse o primeiro passo.
— Dam! Eu preciso ir vê-los! — ela me repreendeu, quando a puxei pra mim.
— Amor, eles estão bem. A Savannah está com eles, e se houvesse algo com a Ellie ela teria vindo nos avisar. — dei um beijo em sua têmpora. — Primeiro você toma café, alimenta nossos bebês, depois você vai até lá. — ela soltou o ar insatisfeita mas acatou ao meu pedido.
Puxei a cadeira para a minha mulher se sentar e me acomodei ao seu lado na cabeceira da longa mesa. O café da manhã virou um verdadeiro campo de batalha de provocações e piadas entre os casais, mantendo a energia lá no alto.
— Dominic, meu amor. — Taylor começou, servindo-se de uma fatia generosa de bolo enquanto encarava o marido com uma sobrancelha arqueada. — Se você continuar olhando para o celular dessa forma durante o café, eu vou fingir que ele é uma bola de beisebol e eu um arremessador, e aquela parede ali oh. — ela apontou — é a porra do batedor.
Dom ergueu os olhos azuis e soltou com a sua habitual calma letal.
— Taylor, se você jogar o telefone do governo na parede, eu te dou voz de prisão por atentado contra o patrimônio federal.
A mesa inteira caiu na gargalhada na hora.
— Olha só para o agente todo durão! — Esther provocou da ponta da mesa, recostando-se no peito do Juan. — Quero ver você conseguir algemar a Taylor sem ela te fazer passar vergonha no meio da delegacia!
— A Taylor colocaria o distrito policial inteiro abaixo em dez minutos, já vi essa baixinha em ação e ela é uma pimenta. — Juan disse rindo, deixando um beijo carinhoso na têmpora da Esther.
— Eu nunca sei se vocês estão me elogiando ou me zoando. — Taylor disse bufando.
Penny que estava sentada ao seu lado a puxou de lado.
— Elogiando Tay, você é a melhor e todo mundo sabe disso. — a amiga disse com carinho.
— Viu aí grandão? — ela perguntou dando uma cotovelada no marido. — Eu sou “the best”!! Fica me ameaçando pra você ver se eu não caço meu rumo.
Dominic deixou o celular de lado e puxou a mulher para seu colo.
— Seu rumo, tá bem aqui. — ele disse dando um beijo em seu pescoço. — Agora para de brigar comigo.
— Meu Deus realmente o FBI virou um pau mandado. — Ozzie disse rindo.
— Como se você tivesse moral. — Dominic retrucou. — Eu bem vi sua reação com a Fer chegando no clube.
— Essa eu queria ter visto. — Chris disse dando um gole no café.
— Não vão faltar oportunidades, Lawson. Tenho certeza disso. — Falei e todo mundo riu, menos o Ozzie que jogou o pano na minha cara.
Decidimos parar de nos provocar e tomarmos café. Quando todos já estavam devidamente satisfeitos, Emma pousou o guardanapo sobre o prato e olhou para as meninas com entusiasmo.
— Todas já estão preparadas pro sol?
— Eu não. — Sammy respondeu. — Meu marido se atrasou, me atrasou e ainda me fez esquecer de colocar o biquíni.
— Vai dizer que você não gostou quando… — Atlas começou mas Juan o interrompeu.
Ju tocou suavemente o braço da Emma.
— Vem, Em… Vamos lá para cima escolher o biquíni com as meninas. Vamos deixar essa conversa de vocês pra depois, ok? — ela disse para minha mulher, mas seus olhos estavam em mim.
Emma me lançou um último olhar fuzilante antes de se virar e subir os degraus ao lado da Juliet.
Passei a mão pelo cabelo, bufando de pura irritação. Noah pousou a mão firme no meu ombro.
— Respira fundo, Dam… A mulher acabou de descobrir que tá carregando dois bebês na barriga, os hormônios estão uma loucura completa. Ela só tá com medo de perder o espaço dela na rotina dos pequenos.
— Eu só quero proteger aquela teimosa, Noah. — resmunguei, cruzando os braços.
Nesse instante, James, o meu motorista, entrou a passos rápidos pela sala de estar com uma expressão tensa no rosto.
— Senhor Knight? Com licença.
Me virei para ele, franzindo o cenho.
— O que foi, James?
— A visita que o senhor autorizou para a tarde acabou de chegar no portão principal.
Soltei um bufo pesado pelo nariz, fechando os olhos por um segundo para não explodir. A cretina ia vir só à tarde, não era nem onze da manhã e ela já estava aqui.
— Quem é que tá chegando a essa hora, irmão? — Noah perguntou, curioso.
— A Izabel… A mãe da Clara, ela veio ver o neto. — Respirei fundo e me virei para o motorista. — James, avise a Leah para trazer o Luca da sala de TV até o hall de entrada, por favor.
— Sim, senhor. — James assentiu com um aceno formal e saiu apressado.
O som característico da campainha da porta soou pela casa. Caminhei a passos firmes até a imensa porta dupla de madeira da entrada principal, acompanhado de perto pelo Noah.
Destravei a fechadura e puxei a folha pesada para abrir.
No entanto, no milésimo de segundo em que a visão do patamar da entrada se abriu, o meu sangue congelou nas veias.
Não era apenas a Izabel quem estava parada ali.
Ao lado da mulher amarga, exibindo um sorriso cínico, impecavelmente vestida e com os olhos brilhando em pura malícia calculada, estava a última pessoa que deveria pisar na minha propriedade.
— Damien, querido… Espero que não se importe.
A voz aveludada e asquerosa dela ecoou pelo hall, enquanto ela dava um passo à frente com uma audácia inabalável.
— Mas a Izabel não queria vir sozinha até aqui… Então eu decidi vir lhe fazer companhia.

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