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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 201

Capítulo 201 — A Bússola do Coração

Damien Knight

A Ellie tinha sumido. E a cada segundo que o relógio avançava, a dor dentro do meu peito parecia ficar maior, mais densa e mais sufocante.

O Dominic entrou em contato imediato com a chefia da polícia local; viaturas já estavam a caminho com equipes de cães farejadores. O Ozzie disparou mensagens no nosso grupo e todos os caras, sem uma única exceção, responderam no mesmo minuto garantindo que viriam para cá ajudar no resgate.

— Você precisa se acalmar, cara! — meu primo falou, tentando me puxar de volta à realidade enquanto eu andava de um lado para o outro. — Você vai acabar tendo um treco, vai cair duro no chão e aí esquece… além de não conseguir ir procurar a menina, nunca mais vai ver ela!

Ignorei solenemente o aviso do Ambrose. A imagem gravada pelas câmeras de segurança não saía da minha mente: o rostinho assustado da Ellie se encolhendo sob a mesa, a tristeza pura e crua estampada nos olhinhos dela antes de correr em direção aos fundos…

Porra, isso me consumia por dentro. Saber que a minha garotinha estava triste, frágil e completamente sozinha naquele mato fechado era uma tortura sem fim.

— Senhores. — um oficial se aproximou. — Pegamos todas as informações com a sua equipe de segurança. Meus homens já começaram a vasculhar a primeira linha de vegetação e a administração geral da reserva estadual foi notificada. O pessoal deles vai nos dar suporte com viaturas e guarda-parques.

— Os meus homens estão fazendo varredura desde o primeiro minuto em que ela sumiu. — retruquei, a voz ríspida pela aflição. — Mas até agora não encontramos nenhum rastro!

— A mata do Palisades é densa, senhor Knight. O espaço é amplo demais… São mais de dois mil acres de terreno irregular. Não sabemos exatamente em qual direção ela correu. Pode levar algumas horas para localizá-la.

Senti o meu sangue gelar.

— Horas?! — rosnei, dando um passo firme na direção do homem.

— Sim, senhor. — ele assentiu, mantendo a postura formal. — Eu sinto muito por isso, mas nós vamos encontrá-la.

Passei as duas mãos com força pelo cabelo, puxando o ar com dificuldade para não perder o controle.

— Você sabe quantos anos a minha garotinha tem? — perguntei ao homem, mas não esperei resposta. — Seis anos!! Ela tem um problema respiratório grave! E ainda por cima estamos falando de uma reserva florestal aberta, onde circula todo tipo de gente estranha! Então horas? Pra mim é uma verdadeira desgraça!! — esbravejei.

O oficial me encarou com aquele olhar clássico de quem lamenta, mas não tem como prometer milagres. Dominic, percebendo que eu estava a um segundo de descarregar a minha fúria no uniforme do sujeito, tomou a frente da conversa para gerenciar o protocolo.

Senti a mão pesada do Ozzie pousar no meu ombro.

— O que você quer fazer, Dam?

Virei o rosto e encarei o meu primo nos olhos.

— Eu vou entrar naquela mata e vou atrás da minha garotinha agora mesmo. Eu não vou ficar aqui parado esperando que terceiros façam o que eu deveria ter feito no instante em que vi aquele vídeo.

Dominic se aproximou de nós, guardando o distintivo no bolso.

— Se você quer entrar, nós vamos com você, Damien. Mas nós vamos fazer isso do jeito certo, com inteligência tática.

— E qual seria o jeito certo, Dom? — Ozzie cruzou os braços.

— Vamos ser realistas: estamos falando de uma área florestal pesada, cheia de falésias e grutas. Cabem facilmente três Central Parks inteiros aqui dentro e nenhum de nós conhece as trilhas fechadas a fundo.

Dom pegou o aparelho celular e abriu o aplicativo de mapas.

— Vamos ativar o compartilhamento de localização em tempo real entre nós três, configurar as coordenadas da sua propriedade como ponto de extração final e avançar. Encontrou a menina, marca o ponto de GPS e seguimos o sinal. Sem chance de desencontro.

Ozzie e eu assentimos de imediato.

— E tem mais um detalhe crucial. — Dominic alertou, olhando para a linha das árvores. — A fauna silvestre aqui dentro é ativa, principalmente no entardecer. Temos raposas, coiotes circulando…

— Que maravilha de passeio campestre! — Ozzie bufou, revirando os olhos. — Por isso mesmo que eu nunca pisei nessa porcaria de mato!

Dom encarou meu primo furioso pela interrupção, depois continuou.

— Temos cobras também. Mas a espécie mais peçonhenta costuma ficar restrita às encostas de rochas íngremes. Se ela não tiver subido até os paredões, estará segura quanto a isso.

Fechei as mãos em punhos tão apertados que os nós dos dedos estalaram.

— Se a sua intenção brilhante era tentar me tranquilizar, Dominic… você acabou de falhar miseravelmente!

— A minha intenção é te manter focado na realidade para você não fazer burrice. — ele retrucou, sem se abalar. — Agora chega de conversa fiada e vamos logo entrar nessa mata.

Cruzamos a cerca dos fundos da propriedade e nos embrenhamos na vegetação densa. Decidimos abrir um leque de busca: Dominic cobriria o lado esquerdo, Ozzie assumiria o direito e eu seguiria reto, cortando exatamente pelo meio.

Algo muito forte e inexplicável dentro do meu peito me dizia que a minha garotinha tinha avançado por aquela linha reta.

Caminhei sem desviar um centímetro da rota inicial. Conforme avançava, os galhos secos e a folhagem fechada começaram a bloquear a passagem, me obrigando a fazer desvios, eu já não caminhava mais reto.

— ELLIE!! — comecei a gritar a plenos pulmões, a voz ecoando pelas copas das árvores. — ELLIE!!

Nenhum som de resposta veio além do estalar de galhos e do vento batendo nas folhas.

O meu celular vibrou no bolso com uma notificação de texto: Noah mandou mensagem no grupo avisando que os caras já tinham chegado e estavam entrando pelo setor sul da reserva. Um alívio momentâneo me atingiu; até o Juan tinha vindo ajudar nas buscas.

Minutos se arrastaram pesados. Esther e Stan avisaram no grupo que também tinham entrado na mata pela trilha de apoio.

Voltei a gritar desesperado:

— ELLIE!! POR FAVOR, MINHA PRINCESINHA… RESPONDE PRO TIO DAM!! DIZ ONDE VOCÊ ESTÁ!!

Aquela dor física no peito voltou a pulsar, aguda e cortante. O sol já estava lá em cima, já faziam quase cinco horas que a minha pequena estava sumida naquele parque e nenhum de nós tinha encontrado sequer uma pegada do sapatinho dela.

Pela trilha oficial, você cruza o parque de ponta a ponta em quatro horas de caminhada; mas no meio do mato fechado, abrindo caminho entre espinhos e raízes, esse tempo facilmente dobrava.

Fiz mais um desvio entre arbustos espinhosos quando o meu aparelho começou a tocar. Era uma chamada de vídeo em grupo iniciada pelo Declan. Atendi de imediato.

— Porra!! — a voz do Declan chiou no viva-voz.

— Deixa eu adivinhar? — Elijah soltou em tom de puro deboche na linha. — O nosso Sunshine acabou de pisar numa bosta de coiote ou tropeçou numa cobra?

Os caras riram abafado na chamada, e o Declan não perdeu tempo em soltar uma saraivada de palavrões de volta para o Eli.

— Falando sério… eu nunca entrei nessa floresta na vida. — Atlas avisou, a respiração pesada pela caminhada. — Não faço a menor ideia de para onde esse caminho está me levando.

— Eu peguei o trajeto da trilha principal. — Noah disse — Cruzei com alguns ciclistas e caminhantes, mostrei a foto da Ellie no celular, mas ninguém viu a garotinha passar por essa rota.

— O Stan e eu decidimos avançar juntos indo reto. — Esther informou, a câmera do celular balançando conforme ela andava. — Mas ainda não conseguimos te alcançar, Damien.

Esbocei um meio sorriso cansado para a tela.

— Eu sou um atleta, Tete. Caminho rápido e não canso, vocês vão precisar apertar e muito o passo se quiserem me alcançar.

Os caras soltaram exclamações divertidas, e a médica revirou os olhos na câmera.

— Ele é um superatleta, sim, Tete! — Ozzie entrou na conversa com a sua habitual provocação. — Ele é especialista na modalidade de salto em vara!

Gargalhadas masculinas explodiram no aparelho, cortando momentaneamente a tensão da busca.

— Vocês têm certeza absoluta de que estão numa operação de resgate de uma criança perdida ou isso virou uma reunião da quinta série?! — Chris perguntou, a voz grave repreendendo o grupo.

— As duas coisas ao mesmo tempo, meu caro! — Declan respondeu sem a menor vergonha na cara, arrancando mais risos dos outros.

Dominic retomou a palavra com a seriedade habitual, fazendo o clima mudar na hora:

— Atenção aqui, pessoal. Eu acabei de falar pelo rádio com o capitão que está coordenando a operação dos bombeiros e da polícia… Ele acredita firmemente na hipótese de que a menina já não esteja mais dentro do perímetro do parque.

Os risos morreram no mesmo segundo. O silêncio na chamada ficou pesado.

— Como assim ela não está mais no parque, Dominic?! — perguntei, sentindo o meu coração acelerar de pavor.

O meu coração quase explodiu dentro do peito.

Avancei como um animal rasgando os arbustos na direção do som. Apontei a luz da lanterna para o pé de uma grande árvore e o meu mundo se iluminou por inteiro.

— ELLIE!! — gritei do fundo da alma, caindo de joelhos ao lado dela.

— Tio Dam?! Você veio?! — a vozinha dela saiu em um fio trêmulo de choro. — Eu pedi com muita força para o meu papai lá do céu te chamar!

Vi que a dobrinha da meia dela estava presa em um espinho grosso de raiz. Soltei o tecido com as mãos trêmulas, peguei o corpinho frágil e gelado dela no colo e a apertei contra o meu peito com toda a força da minha alma, como se aquele abraço pudesse apagar instantaneamente todas as horas de solidão e pavor que ela passou no escuro.

— Minha princesinha… meu amor, por que você fez isso?! Por favor, nunca mais faz isso com o tio Dam, nunca mais!! — pedi com a voz completamente destruída pelo choro, deixando dezenas de beijos desesperados no topo da cabeça dela.

A Ellie, que sempre tinha uma resposta afiada ou uma história na ponta da língua, não disse uma única palavra: apenas enterrou o rostinho molhado de lágrimas no meu pescoço e soluçou baixinho, aliviada.

De repente, um barulho seco de asas pesadas bater no chão bem ao nosso lado chamou a minha atenção. Girei a lanterna e arregalei os olhos em puro choque.

— PUTA QUE PARIU!! — xinguei alto, puxando o corpo da Ellie para trás por instinto.

Pousado na terra a menos de dois metros de nós estava uma ave de rapina enorme, um gavião de porte robusto que nos encarava com olhos dourados e penetrantes.

— Esse aí é o Passarão, tio Dam. — Ellie explicou baixinho, com a sua inocência pura. — Ele ficou fazendo companhia para a Ellie no escuro. E ele também comeu um bichinho que estava rastejando aqui na terra.

Olhei para o chão onde o gavião estava empoleirado e entendi tudo no mesmo instante: a ave devia ter descido para caçar alguma cobra ou roedor que passava perto da menina.

Agora o motivo de o animal ter permanecido aqui guardando território ao lado de uma criança só Deus sabe.

Levantei a lanterna, olhei ao redor das copas e percebi a realidade da nossa situação: eu não fazia a menor ideia de onde nós estávamos e nem de qual caminho eu tinha percorrido para chegar até ali.

Puxei o telefone do bolso e disquei direto para o Dominic. Ele atendeu no primeiro toque:

— Damien! Onde diabos você está?! Cara, eu sinto muito, mas os bombeiros suspenderam a busca na mata por causa da escuridão… todos nós tivemos que voltar para a sua casa, as meninas disseram que a Emma está desesperada…

— Eu achei a Ellie, Dominic. — interrompi a fala dele com firmeza, sentindo as lágrimas quentes voltarem aos meus olhos. — Ela está nos meus braços agora mesmo!

— Puta que o pariu, Damien!! — ouvi os gritos e as comemorações explodirem do outro lado da linha.

Apontei a luz para a perninha dela e vi o corte no joelho.

— Mas ela está machucada, sangrando… e eu não faço a menor ideia de como voltar para casa. Estou completamente desorientado no meio desse breu.

— Graças a Deus que ela está com você, irmão! — Dominic respondeu. — Liga o GPS do aparelho agora mesmo, como nós combinamos!

Afastei o telefone do ouvido para checar o aparelho.

— Eu não tenho bateria suficiente para manter o GPS ativo, Dom! O visor está marcando menos de cinco por cento! Vou abrir o mapa rápido e compartilhar a minha localização exata com você. Se o aparelho apagar de vez, vocês usam a última coordenada registrada para nos resgatar.

— Faz isso agora! — Dom ordenou.

Encerrei a ligação, abri o aplicativo de localização, enviei o ponto exato no mapa para o celular do Dominic e, dois segundos depois, a tela do meu telefone piscou em preto e desligou por completo.

Guardei o aparelho no bolso. Abracei a Ellie com mais força nos meus braços, protegendo-a do vento frio que começava a cortar as árvores.

— Eles já estão a caminho para nos buscar, minha vida… Em poucos minutos nós estaremos quentinhos e seguros em casa com a Emma, e com o Luquinha — avisei com carinho.

Minha garotinha balançou a cabeça de leve contra o meu peito, assentindo.

Afastei o rosto dela delicadamente para encará-la. O ambiente estava escuro, iluminado apenas pela lua fraca entre os galhos, mas aqueles olhinhos, tão idênticos e profundos quanto os da mulher que eu amava brilhavam na noite com uma vulnerabilidade cortante.

Passei o polegar pela bochechinha suja de terra e fiz a pergunta que vinha queimando na minha alma desde o café da manhã:

— Ellie… agora conta para o tio Dam com toda a verdade do seu coraçãozinho: por que você fugiu da nossa casa?

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