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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 200

Capítulo 200 — Memórias que unem

Emma Anderson

Aubrey mantinha os olhos em mim. Ela não disse nada, e nem mesmo saiu do lugar. Mia acabou convencendo o Luca a ir com ela para a sala de jogos ficar com as outras crianças.

Conforme os minutos foram se arrastando, a luz do sol lá fora foi caindo e o meu desespero começou a atingir níveis insuportáveis. Fiquei de pé e passei a andar de um lado para o outro do tapete da sala, abraçando o próprio corpo.

— A Ellie não pode ter ido tão longe assim, né?! As perninhas dela são tão pequenas… Ela não conseguiria ir longe! E se… e se ela não entrou na trilha principal?! Se ela se perdeu na mata fechada?! Tem cobras perigosas nessa região de reservas, tem aves de rapina gigantes… Eles… eles atacam uma criança de seis anos?! — perguntei, sentindo um nó doloroso fechar a minha garganta.

Juliet aproximou-se de mim a passos calmos e segurou as minhas duas mãos trêmulas.

— Emma… Eu sei perfeitamente que o que eu vou te dizer agora vai parecer totalmente sem sentido, meu bem, mas você precisa se acalmar.

Neguei com a cabeça de forma frenética, as lágrimas voltando a lavar o meu rosto.

— Eu não consigo, Ju! A Ellie é absolutamente tudo o que eu tenho na vida! Ela é a minha irmãzinha, é um pedaço de mim, Ju! Eu… eu simplesmente não consigo me acalmar aqui parada! Eu queria ir lá para fora e procurar por ela!

Juliet me deu um sorriso profundamente acolhedor, enquanto as outras garotas nos olhavam com enorme compaixão. Ela ergueu a mão e passou os dedos com extrema doçura pela minha bochecha.

— Eu imagino perfeitamente o pavor que você está sentindo neste momento, Emma… E sei que deve ser a coisa mais difícil do mundo. Mas você precisa lembrar que agora você não está mais sozinha no mundo.

Ela desceu a mão suavemente e a repousou sobre a minha barriga. E foi naquele exato toque que eu desabei de vez.

Mais uma vez, os meus bebês sentiam a minha dor e a minha agonia sufocante, sentiram ontem pela dor da Aubrey e sentiam hoje pelo pavor da Ellie. Eu simplesmente não conseguia ter controle sobre as minhas emoções.

Voltei a chorar em um desespero rasgado. Juliet me puxou para um abraço apertado e protetor em seu peito.

Taylor ficou de pé no mesmo instante, a determinação estampada no rosto.

— Eu não consigo mais ficar aqui parada assistindo a isso! Eu vou lá para a reserva ajudar nas buscas!

— Eu também vou! — Sammy se prontificou de imediato.

— Podíamos ir todas nós! Quanto mais pessoas procurando na mata, melhor! — Jen sugeriu.

— A Emma não pode ir de jeito nenhum. — Juliet interveio em um tom duro e inegociável.

Fernanda olhou para o grupo e sugeriu.

— Uma de nós precisa ficar aqui.

Enquanto as meninas começavam a discutir sobre quem permaneceria na casa, uma voz fraca e calma soou atrás de nós.

— Eu fico com ela.

As sete cabeças se viraram para trás no mesmo segundo. Aubrey continuava parada no arco da porta e completou com uma sinceridade quase cômica.

— Eu não posso de jeito nenhum entrar naquela mata… É perigoso eu nem sequer lembrar o caminho de volta para casa. Já que… vocês sabem, eu não tenho memória.

Ninguém na sala conseguiu conter a gargalhada diante da resposta. Aubrey nos encarou sem entender absolutamente nada da nossa reação.

Taylor caminhou até ela com um sorriso gigante e a puxou para um abraço de lado super carinhoso.

— Nós estamos rindo, Breezinha, porque essa é exatamente o tipo de resposta sincera que você daria! A nossa Bree divertida, sem filtro e maravilhosa! — Tay deixou um beijo estalado na bochecha dela. — E a Breezinha que nós amamos tanto!

Um murmurinho baixinho e emocionado saiu da boca da Aubrey.

— Também te amo, Tay…

Taylor ficou visivelmente tocada com a confissão da amiga. Ela abraçou a Bree com toda a força do mundo, secou as lágrimas no canto dos olhos com as costas da mão e chamou as outras garotas para saírem para a busca.

Ficamos apenas eu e a Aubrey no silêncio da sala de estar. Me sentei no sofá, puxando as minhas pernas contra o peito e apoiando o queixo nos joelhos.

Aubrey caminhou a passos lentos e sentou-se bem ao meu lado no estofado. Ficamos em silêncio por longos minutos, talvez horas, eu já não tinha a menor noção do tempo.

Até que ela decidiu falar.

— Sinto muito pela Ellie… Ela é a sua irmãzinha, não é?

Assenti devagar com a cabeça, sem desfazer a postura encolhida.

Aubrey desviou o olhar para o chão por alguns segundos e depois voltou a me encarar.

— Onde é que estão os seus pais?

Soltei o ar devagar pelos lábios antes de conseguir responder.

— Eles morreram em um acidente de carro há dois anos… O mesmo acidente em que a Clara morreu. A Ellie, o Luca e eu fomos os únicos sobreviventes daquele dia.

— Está tudo bem, meu amor… A sua dor é e sempre será a minha dor, Aubrey. O seu sofrimento é o meu. Nós somos irmãs de alma e eu nunca quis te fazer sofrer ontem.

— Eu sei disso agora… — ela me respondeu sincera.

Nos separamos do abraço e nos encaramos com todo o carinho do mundo.

— É que dói lembrar das coisas pela metade… Ou simplesmente não conseguir me lembrar de nada. — ela confessou, com a voz trêmula. — E sobre o bebê… eu me lembrei de tudo. Lembrei dele aqui dentro, lembrei da felicidade absurda do Stan quando descobriu…

Passei a minha mão pelo rosto dela, secando as suas lágrimas.

— É a coisa mais natural do mundo você sentir essa dor, Bree, e eu nunca, jamais vou te culpar por isso ou pela forma como você falou comigo ontem. Eu só fiquei com um pavor gigante… Pavor de ver você me odiar para sempre.

Aubrey colou a sua testa na minha e ficamos assim por vários minutos, dividindo o mesmo ar, restabelecendo o nosso laço.

Quando nos separamos, olhei para a grande janela da sala de estar e percebi que a noite já tinha caído totalmente lá fora. A angústia pelo sumiço da minha irmãzinha voltou a apertar o meu peito no mesmo segundo.

Aubrey segurou a minha mão com firmeza.

— Eles vão achar a Ellie, Em… Eu tenho certeza absoluta de que vão achá-la.

Sorri para o conforto da minha amiga, tentando manter a fé.

E foi exatamente nesse instante que a Taylor entrou gritando pela sala.

— ACHARAM! ACHARAM ELA!!

Aubrey e eu nos levantamos do sofá num único pulo, juntas.

— Onde ela está?! Cadê a Ellie?! — perguntei, sentindo o meu corpo inteiro tremer da cabeça aos pés.

— O Damien foi quem achou ela lá no meio da reserva! — Taylor explicou, rindo no meio do alívio. — Ele ligou para o celular do Ozzie avisando. Só que o lerdo do seu homem se perdeu na mata! Ele achou a menina, mas agora não sabe o caminho de volta para a mansão!

Eu sorri no meio das lágrimas e da gargalhada provocada pelas palavras da Taylor. O meu coração finalmente encontrou a paz e o alívio que tanto buscava.

A minha pequena Ellie tinha sido encontrada, a minha melhor amiga lembrou do amor gigante que nos une e os meus bebês…

Levei a palma da mão até a minha barriga com infinito carinho antes de concluir o meu pensamento: os meus dois bebês estão perfeitamente bem.

Obrigada, meu Deus. Muito, muito obrigada!

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