Capítulo 189 — Sombras e Abismos
Emma Anderson
A raiva que queimou nas minhas veias ao ver o Damien no bar do clube, rindo e conversando com aquelas duas submissas vestidas em couro, não era um ciúme infantil; era uma chama viva, instintiva e territorial.
Nos dois últimos anos, onde eu fui carregando uma culpa que nem sequer era minha pelo acidente, acabei me apagando. Me tornando passiva, acuada, engolindo desaforos e me sentindo pequena diante do mundo. Mas eu nunca tive sangue de barata. Nunca abaixei a cabeça fácil para ninguém.
E aquela garota firme, impulsiva e profundamente ciumenta, que não leva desaforo para casa, despertou de vez desde o dia em que o meu caminho cruzou com o do Damien Knight. Eu já tinha mostrado para a Verônica do que eu era capaz no casamento do Elijah, e hoje, no salão do Donjon, eu faria a maldita entender que comigo o buraco era muito mais embaixo.
Quando aquela cadela teve a audácia de olhar para o meu homem e perguntar se ele se habilitava para uma sessão pelos velhos tempos, o meu cérebro simplesmente desligou.
Gritei com toda a força dos meus pulmões, voei no pescoço dela como uma leoa e cravei as minhas duas mãos nos cabelos impecáveis dela, arrastando a sua cabeça para baixo até chocar o rosto dela com violência contra a beirada de mármore do balcão.
A desgraçada urrou de dor, tentando se debater e arranhar os meus braços, mas eu acertei um tapa estalado na cara dela, fazendo o som ecoar pelo salão, e a prendi contra o chão do clube, subindo em cima do seu tronco.
Damien tentou dar um passo à frente para me conter, mas a Taylor e a Fernanda se meteram na frente dele, segurando os seus braços com força. O Bear, o segurança da porta se aproximou a passos largos para intervir, mas o Ozzie ergueu a mão para o funcionário, avisando em tom firme.
— Pode deixar, Bear. Não se mete.
Verônica se contorcia embaixo de mim no chão, o maquiagem borrada e o nariz sangrando levemente, disparando impropérios histéricos.
— Sua caipira nojenta! Me solta!! Eu vou te processar por agressão! Eu vou te colocar na cadeia por isso, sua desgraçada!
Taylor deu uma risada alta, debochada, cruzando os braços enquanto me assistia dar mais um safanão na cara da cobra.
— Olha só, grandão! — Tay brincou, virando-se para o Dominic. — A vaca está realmente achando que tem algum poder jurídico ou moral neste lugar!
Dominic soltou uma risada abafada ao lado da esposa, e a Taylor continuou provocando a Verônica enquanto eu a mantinha firme contra o carpete.
— Ô Veve vaca, você não veio até este clube exatamente para tomar uns tabefes de um Dom? Pois então está levando exatamente o que pediu… só que de uma Dominatrix! A polícia federal nem vai dar atenção para a sua queixa, querida. Você veio aqui para levar umas bofetadas de fetiche e é exatamente isso o que está acontecendo!
Ozzie, Dominic e Fernanda caíram na gargalhada juntos com o deboche da Tay. Damien, no entanto, não achou graça nenhuma. Ele usou a sua força física para passar pelo bloqueio das meninas e avançou na minha direção, abaixando-se para segurar firme a minha cintura e me içar para longe da Verônica.
— Já chega, Emma! Por favor, já deu! — ele pediu em um tom sério, que misturava autoridade com preocupação.
Ozzie fez um sinal rápido com a cabeça para o Bear.
— Acho que essa sessão de boas-vindas já basta por hoje, Ortega.
Bear segurou a Verônica pelo braço, puxando-a do chão sem cerimônia alguma. A desgraçada tentou se recompor, ajeitando a roupa rasgada e limpando o sangue do lábio, os olhos faiscando em um ódio mortal na minha direção.
— Isso não vai ficar assim! Eu vou te destruir, sua maldita! Eu vou acabar com a sua vida! — ela esbravejou, descontrolada.
Eu me estiquei nos braços do Damien, tentando avançar nela de novo.
— Então vem, sua vaca! Vem me destruir agora se você for mulher suficiente para isso!!
Damien me apertou com mais força contra o seu peito, o seu tom de voz subindo dois tons, duro e inegociável.
— Agora chega, Emma! Já deu! Acabou a palhaçada!!
Virei o rosto para encará-lo, e os olhos azuis dele mantinham uma postura de autoridade gélida. Verônica continuou resmungando ameaças vazias enquanto a Fernanda e a Taylor respondiam à altura com xingamentos e deboches, até que o Bear a arrastou definitivamente para fora da área social do clube.
Tentando quebrar aquele clima denso e pesado que se instalou no lugar, Ozzie deu um sorriso irônico, puxou a Fernanda pela cintura e soltou.
— Bom… acho que a nossa comemoração de noivado teve direito até a um espetáculo particular de entretenimento! — Fernanda riu, encostando a cabeça no peito dele.
— Com certeza foi a melhor parte da noite! — minha amiga respondeu.
— O que foi, Emma? — eu não respondi. — Emma! — ele chamou com mais firmeza.
— Nada, Damien… Só dirige, por favor. — murmurei sem abrir os olhos, mantendo a testa colada ao vidro gelado até que o carro finalmente cruzou os portões da mansão em Hoboken.
Ele estacionou na garagem. Descemos do veículo ainda sem nos falarmos. Caminhei a passos lentos na frente dele em direção à escadaria da entrada principal. Subi o primeiro degrau de pedra e senti uma onda forte de tontura atingir o meu cérebro. Subi o segundo degrau e a sensação se intensificou brutalmente: o mundo inteiro parecia girar a uma velocidade surreal ao meu redor.
Fechei os olhos com força, cambaleando levemente, e senti as mãos quentes e protetoras do Damien envolverem a minha cintura por trás.
— Você está com tontura de novo, não é? Exatamente igual àquela tontura que você teve ontem à noite… — a voz dele veio abafada, distante, transbordando uma preocupação genuína.
Eu não consegui responder. Olhei para a frente e vi que faltava apenas um único degrau para alcançar a folha de madeira da porta de entrada. Encarei a madeira, e depois virei o rosto devagar para olhar nos olhos azuis do meu namorado.
— Amor… — murmurei, a minha voz saindo fraca, trêmula.
Senti os braços do Damien apertarem a minha cintura com mais força, a voz dele subindo em pavor.
— O que foi, vida?! Fala comigo, por favor!!
Tentei formular uma resposta lógica, tentei dizer que estava tudo bem, mas tudo o que conseguiu sair da minha garganta foi um fio de voz imperceptível:
— Acho que eu vou…
Não tive tempo de concluir a frase. As forças das minhas pernas sumiram completamente, a minha visão escureceu de vez e a escuridão absoluta me engoliu por inteiro.
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Será que meu Gelinho vai ser papai de novo??

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