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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 186

Capítulo 186 — A Força do Nosso Laço

Ambrose Blair

A frase da Fernanda continuava ecoando pela minha mente como um eco ensurdecedor:

“É sobre o Mike, Ozzie… Eu preciso urgentemente conversar com você sobre o meu ex-namorado.”

O nome daquele canalha, dito pelos lábios da mulher que eu amava, fez o meu sangue ferver em uma velocidade assustadora. Senti os meus músculos tensionarem, a minha mandíbula travar com força e a minha respiração se tornar pesada dentro daquele escritório.

A lembrança do que aquele agressor fez com ela no passado era uma ferida que eu pessoalmente me encarregaria de fechar, nem que precisasse usar as minhas próprias mãos para isso.

Saí do meu transe gélido, dei um passo firme na direção dela e perguntei em um tom perigosamente mortal.

— O que exatamente você tem para falar sobre esse cretino, Fernanda? Fala.

Fernanda soltou o ar devagar pelos lábios, o peito subindo e descendo em uma agitação nítida. O nervosismo dela era quase palpável no ar. Ver a hesitação dela me descontrolou ainda mais.

— Fala de uma vez, caramba! O que esse filho da puta fez agora?! — esbravejei, a minha voz saindo mais ríspida e alta do que eu pretendia.

No mesmo milésimo de segundo em que as palavras rasgaram a sala, vi os olhos verdes da Fer brilharem com uma mistura dolorosa de medo e dor contida. Ela deu um meio passo para trás, encolhendo os ombros.

Aquele gesto me atingiu direto no estômago como um soco. Eu odiava, odiava do fundo da alma, ver qualquer fagulha de pavor no olhar dela, especialmente quando a causa, mesmo que sem querer, tinha sido a minha grosseria.

Reprimi a fúria e me aproximei a passos lentos, abaixando o tom de voz para uma linha totalmente branda e acolhedora.

— Me desculpa, meu amor… Me perdoa. Eu não quis gritar com você, me altera ouvir o nome desse desgraçado. Por favor… Me conta o que está acontecendo. Fala comigo, eu estou aqui para te ouvir.

Fernanda engoliu em seco, secando uma lágrima rápida que ameaçou escorrer, e começou a desabafar.

— No domingo… Eu não fui até o meu antigo apartamento porque precisava pegar algumas coisas. Eu fui porque a minha mãe estava lá me esperando. Ela passou horas insistindo, tentando me obrigar a voltar para o Mike… E para piorar tudo, Ozzie, ela pediu uma quantia alta em dinheiro para ele. E o Mike deu esse dinheiro a ela em troca de fazer com que eu voltasse para ele de qualquer jeito.

Sentir o cerco daquele verme se fechando ao redor dela fez os meus punhos se fecharem ao lado do corpo com tanta força que as juntas dos dedos ficaram brancas.

— Eu fiquei tão desesperada ao ver essa teia… — ela continuou, a voz trêmula. — A minha mãe, o Mike, essa dívida que ela simplesmente arrumou no meu nome… A minha vida sempre foi uma bagunça completa, Ozzie. E quando eu vi essa sujeira toda voltando, a minha primeira reação foi querer ir embora de vez. Eu não quero te dar trabalho, não quero causar problemas para a sua vida e nem te arrastar para o meio do meu caos… Eu pensei seriamente em arrumar as minhas coisas e sumir. Mas a Emma e a Taylor me impediram e me convenceram a vir conversar com você primeiro.

Conforme as palavras dela saíam, uma vontade insana de sair destruindo cada móvel daquele escritório me dominou. Mas a raiva não era apenas contra o Mike ou contra a mãe sanguessuga dela; era uma mágoa profunda, dolorosa e sufocante que começou a queimar no meu peito diante da ideia de ser abandonado por ela.

— Mas esse amor gigante não muda quem a minha mãe é! — ela continuou urrando no meio do choro, o peito subindo e descendo freneticamente. — E esse amor não afasta o Mike de mim! Pelo contrário: ver que eu estou feliz com um homem incrível como você só vai instigá-los ainda mais a querer te destruir, a querer prejudicar a sua reputação e os seus negócios! E eu prefiro passar o resto dos meus dias sofrendo de saudade longe de você, ou até morrer, do que ver qualquer um daqueles dois nojentos fazendo mal a você por minha causa!!

Fernanda desabou a chorar copiosamente logo em seguida, abraçando o próprio corpo enquanto o peito dela apertava em soluços dolorosos.

Aquelas palavras destruíram qualquer resto de mágoa ou raiva que eu pudesse carregar. A compreensão do sacrifício torto que ela estava disposta a fazer por amor a mim me desmontou por inteiro.

Avancei a distância entre nós em um segundo, envolvi o corpo trêmulo dela com os meus braços e a puxei com toda a força do meu ser contra o meu peito. Colei a sua cabeça na minha gola e deixei beijos desesperados nos seus cabelos.

— Me desculpa, amor… Me perdoa por todas as besteiras que eu acabei de falar. — murmurei com a voz totalmente embargada, sentindo as minhas próprias lágrimas queimarem. — Me perdoa, Fer… Mas a intensidade desse amor que você sente por mim é 100% recíproca. Eu te amo demais, minha vida… Amo com cada pedaço da minha alma.

Ela se agarrou à minha camisa como se eu fosse o seu único porto seguro no meio da tempestade. Levantei o rosto dela delicadamente pelas bochechas e tomei a sua boca em um beijo faminto, profundo, repleto de paixão, entrega e de uma necessidade visceral de selar a nossa união.

Sem interromper o beijo, passei os braços por baixo das pernas dela, a peguei facilmente no colo e caminhei até o sofá de couro do escritório, deitando o seu corpo com todo o cuidado do mundo sobre o estofado macio antes de me acomodar por cima dela.

Entre selinhos quentes e carícias desesperadas pela pele da sua bochecha e do seu pescoço, encarei aqueles olhos verdes marejados com uma intensidade inegável e ditei a minha promessa.

— Eu vou te provar todos os dias, Fernanda Garcia, que o meu amor por você vai infinitamente além de meras palavras. E eu nunca… Escuta bem o que eu estou te dizendo: eu nunca vou aceitar que você me deixe. Nós vamos enfrentar aquela velha e o cretino do Mike juntos, e eu vou varrer esses dois da sua vida para sempre. Você é minha, Fer. E ninguém muda isso. Ninguém!

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