Capítulo 181 — O Peso das Lembranças
Tristan Blackwood
Ficar sentado naquela poltrona ao lado da cama, observando o peito da Aubrey subir e descer em um ritmo lento e desacordado, foi um dos testes mais cruéis pelos quais passei desde que toda essa tragédia começou.
O medo de vê-la desfalecida nos meus braços lá na escadaria tinha feito o meu peito apertar de um jeito que quase me tirou o ar. Mas a verdade é que o pavor maior nem era mais o desmaio em si, e sim o que viria no segundo em que ela abrisse aqueles olhos verdes.
As explicações da Esther continuavam ecoando na minha cabeça como um aviso sombrio: a memória do trauma não voltaria de forma linear ou suave. Ela viria em fragmentos rasgados, em peças soltas de um quebra-cabeça doloroso.
A lembrança vinha, o sentimento vinha a reboque e, muitas vezes, a mente da pessoa tinha uma dificuldade gigante de processar aquilo tudo. Quando se tratava de uma dor recente e avassaladora, a emoção voltava tão intocada e violenta que a pessoa sentia tudo como se estivesse acontecendo pela primeira vez.
Passei a mão trêmula pelos meus cabelos, inclinando o corpo para a frente. Esther tinha sido clara ao pedir para deixá-la acordar no tempo dela, sem estímulos, sem pressa. E ali fiquei eu, por mais de duas longas horas, velando o sono da mulher da minha vida, contando cada respiração dela e orando em silêncio para que Deus me desse forças para segurar a onda do que estava por vir.
Foi quando os cílios dela se moveram devagar.
Aubrey soltou um suspiro curto, o rosto se contorcendo em uma careta suave antes de abrir os olhos. No primeiro segundo, o olhar dela vagou pelo teto de gesso, totalmente perdido e nublado pelo resto do sono.
Mas a confusão durou pouco. Em questão de milésimos de segundo, a expressão no rosto da minha mulher mudou drasticamente: as pupilas se dilataram, a respiração acelerou e o pânico puro tomou conta de cada traço das suas feições.
Ela deu um salto na cama, tentando se sentar de forma frenética.
— Bree… Amor, calma! Fica calma, eu estou aqui! — me aproximei de imediato, subindo no colchão e tentando envolver os ombros dela com cuidado.
— Tristan! Meu Deus, Tristan! — ela começou a hiperventilar, o choro vindo com uma força avassaladora, descontrolado e doloroso. As mãos dela agarraram o tecido da minha camisa com um desespero cego. — Ela… Ela estava lá! Eu vi! Eu lembrei!
— Calma, minha vida, respira comigo… Respira… — implorei, colando a minha testa na dela enquanto tentava conter o tremor do seu corpo.
— Eu lembrei daquela mulher! — a voz dela saiu em um grito abafado, os soluços rasgando a sua garganta. — Eu estava no topo das escadas, Stan… A Giovanna também estava no corredor, como se estivesse me esperando. Eu… Eu olhei para ela e perguntei se tinha algum problema, se ela precisava de algo. E ela me olhou com tanto ódio… Ela disse: ‘Vocês’ e me empurrou! Ela me empurrou daquela escada, Stan!! Foi tudo culpa dela…
A dor na voz da Aubrey era algo físico. Sentir o tremor e o desespero dela me rasgava por dentro.
— Eu lembro do impacto… — ela continuou, as lágrimas descendo sem parar, molhando o meu peito. — Lembro da dor terrível nas minhas costas, na cabeça e do ar sumindo… E depois tudo apagou. Tudo ficou escuro!
De repente, Aubrey travou a fala. A mão dela desceu devagar pelo próprio corpo, espalmando-se com força sobre a parte inferior da sua barriga. Ela olhou para o próprio ventre com um horror tão profundo que a minha alma sangrou.
Em seguida, levou a outra mão à cabeça, apertando os fios negros, como se o cérebro estivesse conectando a última e mais terrível peça daquele pesadelo.
Um choro agudo, visceral e destruído saiu da boca dela.
— O nosso bebê… — ela sussurrou, a voz morrendo antes de virar um urro de dor. — Stan… O nosso bebê se foi! Meu Deus, o nosso bebê não está mais aqui!
Apertei meus braços ao redor dela, puxando-a para o meu colo, nos cobrindo naquele abraço enquanto a dor dela desabava sobre nós dois.
— Eu lembrei, Stan… — ela falava entre os soluços pesados, a cabeça afundada no meu pescoço. — Quando a Esther me contou sobre a gravidez no hospital, eu não senti nada… Eu não chorei, eu fiquei dormente porque a minha mente não se lembrava dele! Mas agora… Agora eu sei que ele existia! Eu sei que o nosso filho estava aqui dentro e que ele morreu! Meu Deus, o nosso bebê se foi!! Tá doendo tanto… Por que? Me diz por que eu tive que perdê-lo, Stan? Tá doendo muito…
Ela chorava tão, mas tão doído. Que cada lágrima que escorria de seus olhos era como uma faca entrando no meu peito.
— Eu sei, meu amor… Eu sei que doí… tá doendo em mim também.
O meu próprio choro explodiu. As lágrimas embaçaram totalmente a minha visão e o meu peito queimou em um desespero silencioso por me ver completamente incapaz de arrancar aquela dor do peito dela.
Eu daria a minha vida, a minha alma, qualquer coisa neste mundo para pegar todo aquele sofrimento para mim e deixar a minha mulher em paz. Mas tudo o que eu podia fazer era segurá-la com toda a força do meu corpo, chorando junto com ela e deixando que ela descarregasse cada gota daquela dor no meu ombro.
Ficamos ali abraçados por um tempo que pareceu uma eternidade. O choro da Aubrey foi aos poucos deixando de ser histérico e se transformando em um soluçar baixinho, exausto, carregado por um luto que finalmente tinha encontrado espaço para sair.
Aubrey piscou algumas vezes, a testa franzindo em pura incompreensão.
— Como… Como assim não está entre nós, Stan? Ela viajou? Ela…
Apertei os meus polegares com doçura na pele do rosto dela, a minha voz falhando miseravelmente ao concluir a sentença.
— Ela já faleceu há alguns anos, minha vida.
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Oi meninas, tudo bem? Espero que sim.
Sei que para algumas é cansativo minhas justificativas, mas eu as faço em consideração a cada uma de vocês que acompanham minhas histórias.
Estou bem atrasada ultimamente nas postagens, posto às vezes somente um capítulo e sei que isso é estressante (principalmente para quem é ansiosa) e de verdade, eu super entendo.
Mas estou com o Heitor doente, fora alguns probleminhas pessoais que surgiram. Sei que todas nós temos problemas, um trabalho e que o fluxo precisa sempre seguir.
Só que em alguns momentos minha mente também cansa, e eu gosto de entregar o meu melhor pra vocês. Então em dias assim não me arrisco a escrever, porque muitas das vezes nem estando 100% conseguimos agradar imagina não estando, não é verdade?
Enfim, não estou me vitimizando, isso jamais. Só estou sendo sincera, espero que estejam gostando da história, que mesmo em meio as minhas falhas não me abandonem. Cada uma de vocês, sem exceção, tem um lugar especial no meu coração.
ps: vamos ao combinado de sempre, conforme o capítulo sai, eu posto. Assim vocês sempre terão ao menos um capítulo para desfrutar. E se já viu esse recadinho em outro livro, você é uma linda que lê mais de um livro meu de uma vez... hehehe. Adoro vocês 😘
Beijos minhas maravilhosas e me desculpem por qualquer transtorno.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar