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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 177

Capítulo 177 — Realidade

Emma Anderson

Fiquei esperando pela resposta dela.

— É isso que ouvia, Em. — foi tudo que ela me respondeu.

— Eu realmente pensei que você já tinha decidido morar aqui com o Ozzie de vez. Não pensei que fosse algo em aberto.

Os ombros da Fernanda caíram em um gesto claro de derrota.

— Eu aceitei passar esse tempo com ele aqui na mansão por conta de tudo o que aconteceu, Emma… Mas eu tenho obrigações de gente grande. Eu preciso ganhar o meu próprio dinheiro e me recusar a depender financeiramente dele para o básico.

Taylor passou o guardanapo pelos lábios, jogou o pano sobre a mesa e encarou a nossa amiga com a sua costumeira sinceridade.

— Ok, Fer. Sobre você querer trabalhar e ter o seu próprio dinheiro, eu até concordo, totalmente. É muito difícil aceitar ajuda financeira quando a gente está acostumada desde novinha a ganhar o pão nosso de cada dia com o suor do próprio rosto.

Olhei para a Taylor e sorri; minha amiga tinha um jeito incomparável de se expressar.

— Mas sobre você cismar em arrumar um canto sozinha e se recusar a ir morar com o Ambrose… — Taylor continuou, dando dois tapinhas no ombro da Fer. — …Amiga, pelo pouco que eu conheço do jeito daquele loiro e da natureza possessiva desses homens todos… Isso definitivamente não vai rolar jamais.

Nós três acabamos rindo juntas. A pequena Ellie, que estava sentada ao lado do Luca e não entendia nada do assunto adulto mas prestava atenção em tudo, disparou com a sua voz fina:

— O tio Ozzie nunca na vida vai deixar a tia Ferferzinha morar sozinha, né, tia Tay? Nunquinha!

Nós rimos mais ainda da sabedoria da minha irmã intrometida. Ellie então abraçou os ombros do Luca com carinho e completou.

— Eu também nunquinha deixaria o meu Luquinha morar em outra casa sem a Ellie!

Desta vez nós não apenas rimos; nós gargalhamos alto na mesa.

— Meu Deus! O Damien está criando uma verdadeira Dominatrix em miniatura dentro dessa casa! — Taylor falou, rindo até chorar.

Terminamos o almoço e fomos com as crianças para a sala de TV. A Savannah se acomodou no tapete com os três pequenos para assistir a uma animação infantil, enquanto nós três nos jogamos no sofá retrátil, praticamente jogadas uma por cima da outra.

— Existe vida melhor do que essa aqui? Com toda a certeza deve existir, mas não deve prestar de jeito nenhum! — comentei, e as meninas riram.

— E a nossa Ferferzinha querendo abrir mão de todo esse conforto de graça… — Taylor deu um tapa leve na testa da nossa amiga.

— Ow, Tay! — Fernanda protestou, mas acabou rindo junto.

— Abre essa mente, garota! Mas antes de abrir a mente… — O tom de voz da Taylor mudou drasticamente. A brincadeira desapareceu da sua postura e ela adotou uma linha séria e focada. — …Abre essa sua boca de uma vez e fala.

Fernanda mordeu o lábio inferior com força. Ela hesitou por alguns segundos torturantes antes de confessar a verdade que a estava destruindo por dentro.

— No domingo… Eu fui até o meu antigo apartamento. A minha mãe estava lá dentro me esperando… Doida para saber por onde eu andava. Ela passou horas me culpando por tudo, me cobrando dinheiro como sempre faz e se fazendo de coitada.

Notei os olhos da minha amiga se encherem de lágrimas.

— E o pior de tudo isso… É que ela tinha ligado para o Mike.

Taylor e eu nos levantamos num salto do sofá no mesmo instante, tomadas pelo pavor.

— Fer! Aquele desgraçado estava lá dentro?! Ele te machucou?! — perguntei, me aproximando e checando os seus braços com urgência.

Ela negou devagar com a cabeça.

— Ele não estava lá fisicamente quando eu cheguei, Emma… Mas a minha mãe disse que ele ajudou ela com uma quantia alta em dinheiro nas últimas semanas. Disse que ele era um homem bom e trabalhador, mas que tinha um jeito mais bruto de demonstrar amor por ser homem… Ela tentou me obrigar a voltar para ele a todo custo. E disse que, se eu não voltasse para o Mike agora mesmo, eu não seria mais filha dela.

Senti o peso e a dor insuportável que a minha amiga carregava em cada palavra daquela revelação.

— Velha filha da puta! — Taylor xingou do fundo da alma. Savannah, no tapete, a repreendeu no mesmo segundo com um olhar feio por conta das crianças.

Segurei as mãos frias da Fernanda com todo o meu carinho.

— Amiga… Você por acaso contou essa sujeira toda para o Ozzie?

Ela abriu a boca e negou com a cabeça.

— A minha vida é uma bagunça sem fim, Emma… A minha mãe, o Mike, o passado… É exatamente por isso que eu preciso de um emprego e de um canto meu. Eu não posso e me recuso terminantemente a arrastar o Ambrose para dentro desse caos que é a minha família.

Taylor encarou a nossa amiga com pura indignação.

— Você ficou maluca de vez, mulher?! Se você tiver a coragem de largar o Ozzie por conta daqueles dois cretinos, quem vai te dar uma surra bem dada sou eu mesma!

Fernanda abaixou a cabeça, as lágrimas finalmente transbordando pelo seu rosto.

— Ela quem, Leah? — perguntei.

Leah assentiu com a cabeça, enxugando o rosto com o avental.

— A minha menina, a minha Aubrey está chegando! O James acabou de me avisar pelo rádio que o carro do senhor Blackwood acabou de cruzar os portões principais da propriedade!

Ela não precisou dizer mais nem uma única palavra. Levantamos num salto e corremos para o hall de entrada.

Desde o dia em que a Aubrey acordou do segundo trauma no hospital, nenhuma de nós três tinha tido permissão para vê-la pessoalmente, apenas o Elijah, a Ester e o Stan acompanharam o processo. Nem mesmo a Leah tinha visto a nossa amiga ainda.

Assim que cruzamos a porta de madeira e pisamos na varanda da mansão, ficamos paradas no topo da escadaria, observando o carro preto do Stan se aproximar lentamente pela alça de acesso.

O veículo parou bem diante de nós. Descemos os três degraus de pedra a passos rápidos. O Stan desceu do banco do motorista, deu a volta pelo capô e abriu a porta do passageiro com todo o cuidado do mundo.

E então, ela saiu do carro.

Seus longos cabelos negros estavam soltos sobre os ombros, seus olhos verdes pareciam ligeiramente perdidos na imensidão do jardim e o seu rosto mantinha uma palidez suave. Fui a primeira a me aproximar, com o peito apertado e os olhos marejados de choro.

Minha amiga… A minha melhor amiga, a garota incrível que tinha me recebido de braços abertos nesta casa meses atrás, que tinha me dado o seu melhor sorriso e me garantido que aqui eu me sentiria em família e que seríamos amigas para sempre.

Minha Bree estava finalmente bem diante de mim.

Aubrey levantou os olhos devagar, me encarando. Em seguida, ela varreu a fachada da imensa mansão com o olhar e virou o rosto para o Stan, perguntando em tom baixo.

— É aqui?… É aqui que eu moro?

Stan deu a ela um sorriso cheio de doçura e depositou um beijo terno na sua têmpora antes de responder.

— É sim, meu amor.

Ela assentiu com um movimento leve de cabeça. Então, Aubrey voltou a fixar os seus intensos olhos verdes em mim, deu um passo à frente e me estendeu a mão direita de forma polida e educada.

— Oi… Eu sou a Aubrey. E você é?…

O meu coração apertou com tanta força dentro do peito que o ar sumiu da minha garganta. O sorriso no meu rosto morreu no mesmo milésimo de segundo e a realidade cruel me atingiu como um soco direto no estômago.

Era tudo verdade. A minha Bree tinha sumido para sempre, e a garota à minha frente não fazia a menor ideia de quem eu era.

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