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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 176

Capítulo 176 — Voltando a rotina

Emma Anderson

Já haviam se passado três dias inteiros desde que a Aubrey finalmente recebeu alta médica da UTI e foi transferida para o apartamento privativo, fora de qualquer risco iminente de morte.

Três dias desde que a Giovanna, completamente encurralada pelo teste de DNA e pela pressão do interrogatório, confessou os seus crimes ao Dominic na delegacia e teve a sua prisão preventiva decretada sem direito a fiança.

E hoje, logo nas primeiras horas da manhã, nós recebemos a notícia de que a Verônica Ortega havia sido oficialmente intimada pelo FBI para prestar depoimento na sede federal de Manhattan.

Mas, apesar de todas as peças desse quebra-cabeça estarem finalmente se movendo nos bastidores da justiça, a vida real na mansão precisava continuar rodando. Hoje era quarta-feira: dia de consulta de rotina da Ellie, de sessão de terapia do Luca e dia de longas e exaustivas reuniões corporativas para o meu homem de gelo.

— Eu não quero você nem as crianças saindo dos portões da mansão sob hipótese alguma, Emma. E conversei com o Jacob e ele concordou em fazer a rotina da Ellie aqui em casa. também vamos adiar a ida das crianças para a escola por mais alguns dias por segurança.

Damien me dizia com aquele seu tom de comando inegociável, enquanto terminava de ajeitar o nó da gravata escura em frente ao espelho do nosso quarto.

Caminhei até ele, parando logo atrás dele.

— Amor, você já me disse exatamente essa mesma frase umas três vezes hoje de manhã. — lembrei, segurando o seu quadril.

Ele girou o corpo devagar, envolveu o meu rosto com as suas mãos grandes e me deu um beijo suave, profundo, antes de murmurar com a boca colada à minha.

— Então eu estou te dizendo pela quarta vez agora, só para ter a certeza absoluta de que você gravou cada palavra.

Revirei os olhos para ele em puro deboche e recebi de volta aquele seu olhar de repreensão que sempre me fazia arrepiar.

Terminamos de nos arrumar e depois cumprimos a nossa rotina matinal: eu cuidando do Luca como sempre, e ele indo buscar a Ellie em seu quarto, para logo em seguida descermos todos juntos para a mesa de café da manhã com a nossa imensa família.

Desde domingo, tanto a Tay quanto eu e vínhamos notando o quanto a Fernanda estava estranha, distante e pensativa. Ela tinha ido até o seu antigo apartamento alegando que precisava resgatar alguns documentos e pertences pessoais importantes, mas acabou voltando de lá com as mãos completamente vazias e os olhos marejados.

A Taylor e eu percebemos o clima pesado na hora, mas decidimos dar todo o espaço que ela precisava. Sabíamos que, se algo grave estivesse acontecendo, no tempo dela ela nos contaria.

— Eu preciso ir para o Donjon hoje, passar o dia por lá. — Ozzie anunciou enquanto se servia de uma xícara de café. — Já me ausentei dos negócios do clube por tempo demais por conta desse caos todo.

— Eu não posso te acompanhar hoje, Ozzie. — Dominic avisou, checando o celular do lado. — A Verônica Ortega vai depor na delegacia federal e eu faço questão de conduzir a inquirição pessoalmente. Talvez consiga à noite.

— Eu posso passar pelo clube, mas só no final do meu expediente na empresa. Hoje vai ser um dos dias que não paro nem pra almoçar. — Damien avisou, cortando um pedaço de torrada.

Taylor, que estava ao lado do marido, deu um gole no suco e perguntou em um tom levemente irritado.

— Sem a Emma?

Olhei para a minha amiga com o cenho franzido, totalmente confusa.

— E qual seria o problema dele ir sem mim, Tay? Não entendi.

Taylor deu dois tapinhas leves nas minhas costas, rindo da minha ingenuidade.

— É claro que você não entende, Emminha! Porque o seu boy magia aí simplesmente nunca se deu ao trabalho de te contar em detalhes como é que funciona a dinâmica do clube do Ambrose e do Noah.

Me virei para o Damien no mesmo segundo e arqueei uma das sobrancelhas para ele, cobrando uma explicação com o olhar.

— Quer me explicar do que ela está falando, senhor Knight?

Damien encarou a Taylor com um olhar que parecia capaz de incinerá-la ali mesmo.

— Você já fez questão de contar para a minha mulher, na minha frente, sobre eu ser um Dominador no passado, Taylor. Agora quer dar palestrinha sobre o clube também?

Taylor deu de ombros com a maior cara de pau do mundo, jogando um pedaço de pão na boca.

— A base de qualquer relacionamento saudável é a honestidade e transparência, oh Homem de Gelo! E o Dominic vive me dizendo que você odeia mentiras e que odeia ficar no escuro, entããão… — ela disse de forma longa e debochada. — …Leva a minha amiga junto para conhecer o local e fim de papo!

Ele abriu um sorriso de lado, aquele sorriso meio cafajeste que sempre abalava todas as minhas estruturas.

— Não mata, querida… Mas me deixa completamente louco por você.

Eu gargalhei de verdade diante da confissão dele. Nesse exato momento, a voz fina da Ellie chamando por mim no hall anunciou que o Jacob tinha acabado de chegar.

Dei mais um selinho rápido nos lábios do Damien. Ele ajeitou a gola do terno, recuperou a sua postura impecável de executivo e seguiu para a garagem, enquanto eu corri para assumir a minha rotina com o Luca e com a minha irmã.

O dia passou em um piscar de olhos. No horário do almoço, a mesa imensa da sala de jantar era ocupada apenas por mim, pelas meninas e pelas crianças.

— O Dom acabou de me mandar uma mensagem do departamento. — Taylor anunciou, olhando para o celular. — Ele disse que vai entrar na sala de interrogatório com a Verônica em cinco minutos.

Parei o meu garfo no ar, prestando atenção.

— Tomara do fundo do meu coração que ele consiga reunir todas as provas necessárias para trancar aquela psicopata em uma cela junto com a Giovanna pelo que elas fizeram com a nossa Bree. — falei sentindo uma dor ao lembrar da minha amiga.

Taylor assentiu com firmeza, mas a Fernanda continuava mantendo o olhar distante, encarando o prato sem tocar na comida. Olhei para a Taylor, que entendeu o meu recado mudo no mesmo instante.

Minha amiga estendeu o braço por cima da mesa e segurou a mão da Fernanda com carinho.

— Ferferzinha… Me conta, por favor: o que é que está te levando a quilômetros de distância de nós hoje, hã?

Fernanda soltou o ar devagar e esboçou um sorriso fraco, que nem de longe chegou aos seus olhos.

— Não é nada demais, meninas… Só estou pensando que preciso urgentemente voltar para a minha vida real. Arrumar um emprego de verdade, procurar um apartamento simples para morar… Essas coisas.

Deixei os meus talheres sobre a mesa, surpresa.

— Como assim, Fer? Que história é essa?

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