Capítulo 164 — Nós somos sua família
Damien Knight
Definitivamente o mundo inteiro decidiu cair sobre as nossas cabeças de uma só vez. A Aubrey continuar totalmente sem memória já era um golpe duro. Descobrir que a Giovanna era uma cretina assassina sem um pingo de escrúpulos piorou tudo.
E agora, ver o meu irmão de alma chorando de joelhos no chão frio do hospital pela perda do seu bebê era de cortar o coração em mil pedaços. Só quem é pai consegue entender de verdade a dor avassaladora que o meu amigo está sentindo neste exato momento.
Emma, que havia retornado com o restante do pessoal logo após a contenção da Giovanna, correu na minha direção com o rosto banhado em lágrimas. Ester foi direto ao chão, inclinando-se para abraçar o Stan, que continuava arrasado, inconsolável pela notícia devastadora.
O restante de nós apenas ficou ali, em silêncio, formando um círculo de apoio e amor, observando a cena de partir a alma.
— Ele se foi, Ester… Meu filho… o meu bebezinho se foi… — a voz do Stan saía em um sussurro rasgado, quebrado pela dor.
Nossa amiga o abraçou com ainda mais força contra o seu peito, deixando as próprias lágrimas escorrerem.
— Eu sei, meu querido… Eu sei. Eu sinto muito, de verdade… Sinto muito do fundo do meu coração. — ela disse, chorando junto com ele.
Emma se aninhou ainda mais contra o meu peito, escondendo o rosto na minha camiseta, e eu a apertei de volta contra o meu corpo com um cuidado protetor, tentando absorver o seu tremor.
— Como… como é que eu vou contar isso para ela, meu Deus? — o choro do Stan rasgava o ar daquele corredor, cortando a carne de cada um de nós. — Como é que eu vou contar para a minha mulher que o nosso filho se foi
A dor dele nos destruía por dentro. E a verdade é que nós, esses caras todos reunidos aqui, somos muito mais do que simples amigos. Nós somos irmãos de alma. Mesmo quando a vida nos manteve distantes fisicamente por razões de trabalho ou destino, os nossos corações e pensamentos sempre estiveram estritamente ligados.
E isso é assim desde o primeiro dia em que nos conhecemos na juventude. Todos nós.
Ouvimos o som ritmado de passos apressados vindo do final do corredor e, quando olhamos na direção do elevador, vimos o Noah, o Simon e o Atlas se aproximando com semblantes sérios.
Noah foi o primeiro a se adiantar e perguntar em tom baixo.
— Como está a Aubrey?
Soltei o ar devagar pelos lábios antes de responder, mantendo a voz pausada.
— Ela está fora de perigo agora, totalmente estável… mas o bebê…
Parei no meio da frase. O nó na minha garganta me impediu de continuar, mas o meu amigo entendeu o recado no mesmo segundo. Ele não disse mais nada; apenas olhou para o Stan, que continuava agarrado à Ester no chão, destruído.
Passei a mão com carinho pelos cabelos macios da Emma, que ainda chorava baixinho contra mim, e olhei pela grande janela de vidro do corredor. Já começava a escurecer. Nós tínhamos passado praticamente o dia inteiro trancados dentro desse hospital.
Abaixei os meus lábios até o ouvido da minha mulher e sussurrei de forma dócil.
— Eu não me importo de ficar sentado nesta cadeira do corredor! Eu só quero… eu só quero estar bem aqui perto. E quando os médicos autorizarem a entrada, eu estarei pronto para segurar a mão dela.
Ester soltou o ar pelos lábios em uma derrota silenciosa e olhou na minha direção, me pedindo ajuda com os olhos.
Dei um beijo carinhoso no topo da cabeça da Emma, me afastei do seu abraço por um breve instante e caminhei até o Stan. Parei bem na frente dele e apertei o seu ombro com firmeza.
— Irmão, você precisa descansar um pouco. Precisa comer alguma coisa, tomar um banho e esfriar a cabeça. A Aubrey está se recuperando e está sendo perfeitamente bem assistida pela equipe do Eli. Nós voltamos para cá mais tarde se você quiser, mas agora vamos para casa.
Stan levantou os olhos vermelhos para encontrar os meus. A dor estampada em suas feições era algo quase palpável.
— Vocês podem ir embora, Dam… Vocês têm mulheres esperando por vocês, têm filhos, têm família para cuidar… — ele olhou para a porta fechada da UTI antes de voltar a focar nos meus olhos. — A minha família tá bem ali dentro, precisando de mim… e o meu filho…
As lágrimas dele voltaram com uma força avassaladora e eu não pensei em mais nada: puxei o seu corpo para um abraço apertado e fraterno de proteção.
— Vai ficar tudo bem, irmão… Vocês terão outros filhos no momento certo, eu tenho a absoluta certeza disso. E não são só os outros que têm família aqui, Stan.
O apertei mais forte contra mim, e quis garantir ao meu irmão em meio aquela dor.
— Você também tem. Você tem cada um de nós. Nós somos a sua família. E você nunca, nunca, está me ouvindo. Vai ficar sozinho.

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