Capítulo 163 — Se foi…
Tristan Blackwood
Eu já tinha vivido momentos sombrios na minha vida, mas nada… absolutamente nada no mundo me preparou para o inferno que testemunhei dentro daquele quarto.
A imagem da Aubrey se debatendo violentamente contra o colchão, com os olhos vidrados em puro sofrimento e o corpo arqueando em uma convulsão assustadora, continuava queimando atrás das minhas pálpebras como ferro em brasa.
Eu ainda conseguia sentir o calor desesperado do corpo dela nos meus braços, a sensação de impotência esmagando o meu peito enquanto a medicação venenosa aplicada pela Giovanna corria pelas suas veias. E a risada… a expressão de triunfo doentio daquela vadia antes de fugir do quarto ecoava nos meus ouvidos como a gargalhada do próprio diabo.
O som metálico e frenético dos aparelhos da UTI apitando em um ritmo descontrolado se transformou no barulho mais aterrorizante que já ouvi.
— ELIJAH! PELO AMOR DE DEUS, ELIJAH! — eu berrava, a minha voz rasgando a minha própria garganta em um clamor sangrento.
As portas do quarto foram escancaradas novamente e meu amigo invadiu novamente o leito acompanhado por três enfermeiros de emergência. Ele nem precisou de diagnósticos longos; bastou um olhar para o monitor e para o estado da minha mulher para o seu semblante congelar pela gravidade.
— Stan, se afasta! Me dá espaço agora! — ele ordenou de forma ríspida, puxando o carrinho de reanimação e aplicando os eletrodos.
— Não! Eu não vou sair de perto dela! Ajuda ela, Eli! Pelo amor de Deus, salva a minha mulher! — eu implorava, me agarrando à borda da cama, me recusando a soltá-la.
E foi exatamente nesse milésimo de segundo de puro caos que o som mais desolador da história da minha vida ecoou pela sala. O apito ritmado do monitor cardíaco simplesmente cessou, dando lugar a uma linha contínua, aguda e ensurdecedora.
O coração da Aubrey tinha parado. Ela estava em parada cardiorrespiratória.
O meu mundo rodou. O ar sumiu por completo dos meus pulmões. Fui para cima do leito em um ato de puro desespero cego, mas antes que eu pudesse tocar no corpo inerte da minha Bree, braços fortes e rochosos me envolveram por trás, me travando com uma força brutal.
— Me solta! Porra, me solta! Eu preciso ficar com ela!! — eu lutava, me rebolando inteiro, cego de dor. — BREE, AMOR, NÃO ME DEIXA.
— Stan, vem cara! Deixa os médicos trabalharem! Você precisa sair agora! — a voz do Damien ecoou no meu ouvido, grave e trêmula de tensão, enquanto ele me puxava para fora do leito.
— Não, Dam! Ela tá parando! A minha mulher tá morrendo, cara!! — eu urrava, tentando me desvencilhar, mas o Ambrose apareceu logo ao lado, ajudando o Damien a me arrastar para trás.
— Vem, irmão! Deixa o Eli fazer o trabalho dele! Vem! — Ozzie dizia, a voz perdendo todo aquele tom brincalhão costumeiro, tomada por uma gravidade assustadora.
Eles me arrastaram à força para fora do quarto, jogando o meu corpo contra a parede do corredor enquanto as portas de vidro fosco se fechavam na minha cara, isolando o cenário de guerra.
Ester chegou correndo pelo corredor no mesmo instante, vestindo o jaleco, e nem parou para falar conosco; apenas empurrou as portas e se enfiou no quarto para somar forças na reanimação.
Aqueles minutos que se seguiram do lado de fora foram, sem sombra de dúvidas, os mais profundos, sofridos e excruciantes de toda a minha existência. Fiquei ali, escorado na parede de concreto, passando as mãos trêmulas pelos cabelos, sentindo o suor frio e as lágrimas quentes se misturarem no meu rosto.
Eu dava murros fracos na parede, pedindo, suplicando a Deus em silêncio que levasse a minha vida, que levasse qualquer coisa minha, mas que mantivesse a minha mulher e o meu filho vivos naquele leito.
O tempo parecia ter parado. Cada segundo durava uma eternidade de tortura.
Até que o ruído suave da porta se abrindo fez o meu coração dar um salto na caixa torácica. Ester saiu primeiro do quarto, tirando a máscara cirúrgica do rosto. Ela estava visivelmente exausta, a testa coberta por finas gotas de suor, mas assim que me viu, deu dois passos na minha direção.
Eu me lancei para a frente de imediato.
— Ester… por favor… me diz! — a minha voz saiu fraca, destruída.
Minha amiga segurou os meus ombros com firmeza, olhando bem no fundo dos meus olhos.
— Nós trouxemos a Aubrey de volta, Stan. O coração dela voltou a bater. Ela está estável de novo e o Eli e a equipe estão terminando de estabilizar os parâmetros dela lá dentro.
Um suspiro gigante de alívio rasgou a minha garganta, um choro compulsivo escapando pelos meus lábios. Senti os braços do Damien e do Ozzie me ampararem por trás.
Ester se virou para o meu amigo e perguntou com um tom duro.
— E a Giovanna, Damien? Onde está aquela desgraçada?
— Falei com o Dom agora há pouco pelo telefone. A Tay e a Emma interceptaram a vadia no térreo e o Dom já executou o mandado de prisão. A polícia está levando a cretina presa agora mesmo. — Damien respondeu, o olhar faiscando em pura fúria.
Elijah soltou o ar devagar pelos lábios, os olhos azuis transbordando uma compaixão e uma dor que me esquartejaram por dentro antes mesmo dele pronunciar a primeira palavra. Ele colocou a mão sobre a minha, que continuava cravada no seu jaleco.
— Stan… a Aubrey tá bem, irmão. Nós conseguimos reverter o quadro, ela tá fora de risco de morte e a medicação já foi totalmente neutralizada. Nós vamos continuar monitorando ela com rigor absoluto na UTI…
Ele fez uma pausa tensa de dois segundos. Dois segundos que pareceram a minha própria sentença de morte.
— Mas o bebê, Stan… — a voz do meu amigo fraquejou pela primeira vez na vida. — …uma gestação de pouquíssimas semanas submetida ao estresse brutal de uma convulsão seguida de uma parada cardiorrespiratória… não havia nada que pudesse ser feito, infelizmente irmão… O bebê não sobreviveu.
Aquelas palavras não foram pronunciadas; foram cravadas como uma espada em alta temperatura direto no centro da minha alma.
O som do hospital simplesmente desapareceu. As vozes do Damien e do Ozzie chamando o meu nome se tornaram um eco distante, abafado. O mundo inteiro parou de rodar sob os meus pés.
Minhas mãos soltaram o tecido do jaleco do Elijah. O meu peito esvaziou de todo o oxigênio existente no planeta. E no segundo seguinte, sem que a minha mente pudesse exercer qualquer controle sobre o meu próprio corpo, a força das minhas pernas simplesmente esgotou.
Minhas pernas cederam por completo e eu desabei de joelhos no chão frio de azulejos do corredor.
Apoiado nos joelhos, com a cabeça baixa e as mãos cravadas no piso, um urro de dor, um choro gutural, rasgado e miserável saiu do fundo da minha alma, ecoando pelas paredes daquele hospital enquanto a escuridão da perda me tragava por inteiro.
Meu bebê. Meu filho. O fruto do meu amor com Bree… se foi.
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Oi meninas, como estão? Espero que bem.
Maravilhosas, tive uns probleminhas e acabei atrasando alguns capítulos e hoje estou correndo contra o tempo 😅. Mas aguardem que ainda teremos mais capítulos ainda hoje.
Como sempre digo, obrigada por estarem aqui, por não desistirem de mim, todas vocês são maravilhosas. Um beijo carregado de amor em cada uma de vocês.
ps: não me xinguem pelo bebê, mas infelizmente era impossível. Mas prometo grandes surpresas, e das boas nessa reta final.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar