Capítulo 150 — Queima de Arquivo
Emma Anderson
O silêncio que se instalou no corredor após o diagnóstico do Elijah foi sufocante, pesado e carregado de uma angústia que parecia esmagar o meu próprio peito. Tristan ficou completamente sem palavras por um instante, o olhar perdido no vazio, até que piscou e perguntou em um sussurro arrastado:
— Eu posso vê-la? Por favor.
Elijah colocou a mão de forma dócil em seu ombro largo.
— A equipe de enfermagem já está acomodando ela no leito da UTI. Assim que tudo estiver devidamente pronto por lá, eu mesmo vou te levar até ela.
Tristan assentiu com um aceno lento de cabeça e deu um passo para trás, encostando as costas na parede do corredor do hospital como se precisasse da rigidez do concreto para se ancorar e não desabar no chão.
Dominic e Taylor haviam retornado do estacionamento. Eles chegaram já no final da conversa dos médicos e permaneceram em silêncio. Dom deu um passo à frente.
— Sei que todos vocês ainda estão absorvendo tudo o que foi dito pelo Eli agora há pouco, mas eu tenho novidades da investigação. — ele anunciou, chamando a atenção de todos.
Stan desencostou da parede imediatamente.
— O que foi, Dom? O que descobriram?
O agente do FBI soltou o ar devagar pelos lábios antes de começar a relatar:
— O Coletti já está na mansão do Knight com mais dois agentes de extrema confiança. Como todos nós já desconfiávamos desde o início, não houve nenhuma falha mecânica ou bug no servidor. Alguém desligou o circuito das câmeras do andar de cima propositalmente. E nós já conseguimos identificar o culpado pelo ato.
Me soltei dos braços do Damien no mesmo instante, sentindo o meu coração acelerar.
— E quem foi? — perguntei.
— Foi um dos rapazes da equipe de segurança interna do turno da manhã. — Dominic explicou. — Mas o cretino percebeu que a perícia técnica foi acionada, viu que foi descoberto e fugiu pelos fundos da propriedade antes que pudéssemos prendê-lo.
Ozzie bufou, soltando uma risada sarcástica e cheia de indignação.
— Claro que aquele rato iria fugir dali correndo. Mas nós sabemos perfeitamente bem que o mentor intelectual dessa palhaçada toda não foi ele. — Meu amigo disse com total certeza na voz.
— Sabemos sim! Foi aquela maldita sardinha peçonhenta! — Tay retrucou irritada, cruzando os braços com violência.
— Tay… — o marido chamou a atenção dela em um tom de alerta profissional.
— Nem vem com essa, Sharkzão! Que prova mais você quer, hã? Aquela cretina praticamente se entregou de bandeja quando eu a confrontei na sala, assim que ela ouviu a Emma contar que a Bree e o bebê tinham sobrevivido à queda. A cara dela despencou no chão!
Olhei diretamente para o Dominic e fiz questão de apoiar a minha amiga.
— A Tay tem toda a razão, Dom. O desespero da Giovanna em saber que a Bree tinha saído daquela casa viva e que o bebê estava resistindo foi algo quase palpável na sala de estar. Ela quase se entregou sozinha.
Dominic cruzou os braços robustos sobre o peito e me encarou de forma séria, mas compreensiva.
— Eu acredito em vocês, Emma. Juro que acredito de verdade. Mas a justiça civil e federal infelizmente não funciona com base em expressões faciais ou intuições.
Tristan fechou as duas mãos em punhos apertados ao lado do corpo, as juntas dos dedos ficando brancas de tanta força.
— Que Deus me dê calma, e não forças… — ele sibilou, a voz saindo extremamente rouca, baixa e mortal. — …porque se Ele me der forças hoje, eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu volto para aquela mansão agora mesmo e mato aquela cretina com as minhas próprias mãos.
Damien levantou a mão direita em um gesto calmo, dando um passo à frente para conter o amigo.
— Irmão, eu compartilho exatamente do mesmo sentimento de fúria que você agora, mas nós precisamos agir com o máximo de cautela possível para não estragar a investigação e dar motivos para ela se safar legalmente.
Dominic assentiu de imediato, concordando com as palavras do meu namorado.
— O Damien está coberto de razão, Stan. E tem mais: o Coletti me informou agora há pouco que a Giovanna ficou escondida no corredor do escritório tentando ouvir a conversa deles com o chefe de segurança. Depois, ele viu através das imagens que ela estava tentando fugir, mas ele a barrou no hall a tempo. Ele usou a desculpa de que o culpado pelo desligamento das câmeras estava à solta, que nós ainda não sabíamos a real motivação do crime e que, caso o alvo fosse para te atingir, ela e o bebê também corriam perigo de morte por estarem ligados a você.
— Puxa, Dom… sério mesmo? Agora você vai me dizer uma novidade? Porque problemas, é o que nossa irmandade mais tem.
Fernanda deu uma cotovelada rápida e firme nas costelas dele.
— Ow, querida! Assim não, é assim oh! — Ozzie reclamou, puxando-a para um beijo estalado e rápido nos lábios, fazendo com que o restante de nós revirasse os olhos diante daquela demonstração de carinho totalmente fora de hora.
— Já acabou com o seu show particular aí, Ozzie? — meu namorado perguntou ao primo em um tom visivelmente irritado e sem paciência.
Meu amigo deu um sorriso malicioso e de puro deboche.
— Acabei sim, Gelinho. Pode falar de uma vez, FBI.
Dominic bufou de irritação com a criatividade do Ambrose, cruzando os braços com força.
— Nem parece que nós estamos no meio de uma investigação séria de tentativa de homicídio… e que agora, por sinal, acaba de se transformar também em um caso de homicídio consumado.
Olhei para ele de imediato, a confusão se misturando ao pavor que se instalou na minha mente.
— Homicídio, Dom? Como assim? — perguntei, dando um passo à frente.
— E quem foi o infeliz que morreu dessa vez, Sharkzão? — Tay perguntou diretamente ao marido, usando o novo apelido dele de forma espontânea.
Dominic encarou a esposa de forma séria antes de soltar a bomba final que fez o ar sumir do corredor do hospital.
— O Coletti acabou de me ligar da mansão. O rapaz da segurança interna… o júnior que desligou as câmeras do andar de cima. Bom, os agentes do FBI acabam de encontrá-lo nos fundos de uma das propriedades vizinha da do Dam…
Ele fez uma pausa tensa de dois segundos, antes de concluir:
— …completamente morto.

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