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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 148

Capítulo 148 — O Sopro da Serpente

Giovanna Hampton

Fechei os olhos com força, respirando fundo para tentar recuperar um mínimo de autocontrole. Eu sabia perfeitamente bem que bater de frente com a Verônica, que era a minha única aliada de verdade naquele beco sem saída, seria uma burrice sem tamanho.

— Verônica, me escuta, por favor. — supliquei, a minha voz caindo para um tom de desespero puro. — O Dominic mandou agentes do FBI para cá. Eles já descobriram absolutamente tudo sobre o seu infiltrado na segurança, e para piorar o nosso cenário… a maldita da copeira sobreviveu à queda. Você está certa, eu estou surtando! E sabe por quê? Porque é apenas uma questão de horas para que os técnicos do FBI recuperem os dados do servidor interno e descubram que fui eu quem empurrou aquela desgraçada!

Apoiei a minha mão livre na borda de mármore da pia, encarando o meu próprio reflexo pálido e de feições desgrenhadas no espelho do banheiro.

— Eu preciso de ajuda, Verônica… eu preciso muito da sua ajuda agora.

— Giovanna, tudo o que eu tenho feito desde que nos reencontramos naquele hospital é te ajudar. — ela respondeu, o tom de voz se tornando ríspido. — E o que eu tenho recebido em troca de toda essa minha benevolência? Nada! Absolutamente nada!

— Verônica, já te disse que eu… — tentei argumentar, mas ela me cortou no mesmo milésimo de segundo com total autoridade.

— Eu não quero ouvir as suas desculpas idiotas e muito menos os seus choros patéticos, Giovanna. Eu quero ação. Eu quero resultados concretos. E tudo o que eu tenho recebido de você até o momento são problemas gigantescos e lamentações intermináveis.

Senti a minha mão que segurava o celular tremer de forma descontrolada. A humilhação de ter que implorar era horrível, mas a perspectiva de uma prisão federal era infinitamente pior.

— Me ajuda… só mais essa vez, Verônica. Me ajuda a resolver isso e eu faço absolutamente o que você quiser. É só você dizer e será feito exatamente do seu jeito, eu garanto.

Houve uma pequena pausa na linha e então ouvi o som dela sorrindo com satisfação.

— Agora sim nós estamos finalmente começando a falar a mesma língua, querida… — ela murmurou, o tom de voz voltando a ser dócil e manipulador. — Eu já sabia o que estava acontecendo nessa mansão há algum tempo, Giovanna. E eu já cuidei de absolutamente tudo.

Pisquei os olhos, completamente confusa com a revelação.

— Como assim já cuidou de tudo?

Verônica soltou um suspiro pesado, demonstrando a sua habitual impaciência diante da minha confusão.

— Meu Deus, Giovanna, tem horas em que você realmente me irrita profundamente com essa sua lerdeza toda.

Bufei de irritação, batendo o pé no chão do banheiro.

— Eu não sou lerda, Verônica! Eu só quero entender o que está acontecendo, afinal, é a minha vida que está em risco!

— O meu infiltrado me procurou logo após cometer o ato. — ela explicou com total frieza. — As imagens daquela escadaria não foram corrompidas e nem deletadas. Elas simplesmente não existem no servidor. As câmeras do corredor superior não estavam funcionando e não registraram um segundo sequer nessa manhã. Ou seja, sem imagens, sem provas materiais contra você.

Parei por um segundo, absorvendo aquelas palavras maravilhosas. Senti um peso gigantesco ser retirado dos meus ombros. Um problema crucial estava devidamente resolvido.

— Mas… mas eu ouvi os agentes do FBI dizendo que iriam usar um software de recuperação de dados e…

— Depois você ainda tem a audácia de reclamar quando eu te chamo de lerda, Giovanna! — ela me interrompeu, a voz carregada de desdém. — Você ouviu o que eu acabei de dizer? Ele desligou o circuito fisicamente. As câmeras simplesmente não estavam gravando nada. Não existe dado residual para ser recuperado.

Soltei o ar pelos lábios em um suspiro de alívio genuíno. Um dos meus maiores pesadelos tinha acabado de evaporar. No entanto, a realidade voltou a me assombrar logo em seguida.

— Mas e o homem que desligou as câmeras? O chefe da segurança da mansão e os federais já sabem quem ele é. O agente Coletti já reportou o caso para as autoridades estaduais de Nova Jersey, é apenas uma questão de tempo até que o peguem e ele decida falar para salvar a própria pele…

Verônica soltou uma gargalhada genuinamente divertida do outro lado da linha, interrompendo o meu raciocínio.

— Então não faça nada, Giovanna. Espere pacientemente que a copeira acorde, conte toda a verdade para o Tristan e sofra as consequências legais e físicas do seu ato. Mas já vou logo te avisando: se você for presa por pura covardia, a sua dívida comigo ainda será cobrada de uma forma consideravelmente pior na prisão.

Senti as minhas pernas amolecerem por completo sob a ameaça implícita daquela psicopata.

Sem forças para me manter de pé, caminhei cambaleando e me sentei na tampa de porcelana do vaso sanitário para não desabar direto no chão de azulejos.

— Tudo bem… tudo bem, eu vou fazer. — sussurrei, tomada por um desespero cego. — Só me diz o que fazer. Como eu vou agir?

— Vá direto para o hospital geral agora mesmo. Eu vou mandar um dos meus homens de confiança ao seu encontro na recepção lateral para te entregar exatamente o que você vai precisar usar para resolver o nosso problema. — ela instruiu, a voz firme.

Balancei a cabeça de um lado para o outro de forma frenética, esquecendo por um segundo que ela não podia me ver através da chamada de áudio.

— Eu não consigo sair daqui, Verônica! Eu tentei passar pela porta do hall agora há pouco e o agente Coletti me impediu fisicamente de sair! Eles estão vigiando a casa! Eles estão me vigiando!

Verônica soltou mais uma risada desdenhosa.

— Meu Deus, Giovanna, use a sua cabeça de uma vez por todas! Você está grávida, não está? Finge um desmaio repentino por causa da gestação, enfie os dedos na garganta e vomite no tapete, invente qualquer mal-estar insuportável para fazer com que alguém desta casa seja obrigado a te levar até a emergência do hospital geral agora mesmo. É simples.

Olhei para a minha própria barriga de relance, sentindo o peso daquela farsa.

— Tudo bem… eu vou fazer isso. E quando eu chegar lá no hospital? O seu homem vai me entregar sei lá o que, e aí? Deus, Verônica, eu tô com medo? O que eu faço?

A linha ficou completamente muda por alguns instantes que pareceram durar uma eternidade inteira, até que a voz da Verônica ecoou em um tom sussurrado e sombrio que eu sabia que me assombraria por longas e terríveis noites:

— Relaxa, e faça o que você deveria ter feito desde o início na escadaria, querida… desliga ela.

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