Capítulo 138 — O Verdadeiro Positivo
Tristan Blackwood
Eu havia acordado no mais puro susto com o pulo repentino que a Aubrey deu na cama logo cedo, e vê-la correndo para o banheiro e passando mal daquele jeito violento apertou o meu peito de uma forma sufocante.
Eu quis colocá-la no banco do carona e levá-la imediatamente para o hospital, mas a minha mulher é a teimosia em pessoa, uma rocha difícil de mover. Por mim, por minha total vontade, ela não seria mais a copeira desta mansão há muito tempo, eu já havia deixado isso bem claro até em uma conversa com o Damien, mas ela se recusava categoricamente a me deixar cuidar de suas necessidades financeiras ou da sua rotina.
Ela havia inventado toda aquela história capenga de sorteio no shopping, e eu sabia perfeitamente bem que aquilo era uma mentira deslavada porque eu a conhecia bem demais. A Aubrey era simplesmente péssima em tentar mentir para mim; seus olhos entregavam o nervosismo.
No entanto, eu decidi deixá-la levar a farsa adiante apenas para ver até onde ela iria com aquela senha no celular. Só que, no exato instante em que a vi chorar daquele jeito copioso e senti o seu corpo inteiro tremer da cabeça aos pés, o alerta de perigo que havia acendido antes disparou com uma força brutal dentro de mim.
— Aubrey, fala comigo. O que houve aí nesse site? — meu tom de voz mudou da diversão forçada para a preocupação urgente em questão de segundos.
— O prêmio… — a voz dela veio em um sussurro quase inaudível, o olhar completamente perdido. — Eu… Eu ganhei o grande prêmio, Tristan…
E, logo após proferir aquelas palavras enigmáticas, o corpo dela simplesmente amoleceu e ela desmaiou nos meus braços, perdendo totalmente a consciência.
— Aubrey! Amor… Fala comigo, por favor! — o pânico absoluto tomou conta de mim no mesmo milésimo de segundo.
A peguei no colo correndo, desesperado com a falta de reação do seu corpo. Senti a pele dela e notei que ela estava extremamente gelada, um suor fino cobrindo a sua testa.
— Bree, por favor, meu amor… — sussurrei, deixando um beijo tenso em sua testa enquanto a deitava com cuidado no centro do colchão. — Fala comigo, acorda.
Tirei o aparelho celular das mãos dela, que continuavam rigidamente presas contra o peito mesmo desmaiada, e o deixei de lado. Peguei o telefone fixo na cabeceira da cama e liguei direto para a linha interna da copa, sentindo o meu coração martelar contra as costelas.
— Leah, é o Tristan! Pelo amor de Deus, a Bree acabou de desmaiar aqui no quarto e não acorda por nada! Preciso que o James tire o meu carro da garagem agora mesmo, porque eu vou levá-la para a emergência do hospital imediatamente!
— Sim, senhor Blackwood! Vou avisá-lo agora mesmo! — a governanta respondeu com a voz assustada, e o clique da ligação caindo ecoou no meu ouvido.
Soltei o aparelho, sem me importar em colocá-lo de volta ao gancho e passei a mão pelo rosto da minha mulher, limpando a umidade fria das suas bochechas. Deixei um beijo rápido e necessitado em seus lábios inertes.
— Querida, por favor, não me assusta desse jeito… Só acorda para mim…
Mas eu continuei sem obter nenhuma resposta ou reação. Corri em passos largos até o closet, vesti uma camiseta qualquer e uma calça jeans de qualquer jeito e, quando voltei correndo para o quarto, ouvi um gemido baixo e sôfrego ecoar dos lençóis, pronunciando o meu nome.
— Tristan…
Voei até a beira do colchão, segurei o rosto dela entre as minhas mãos com total alívio e me inclinei sobre o seu corpo.
— Eu estou bem aqui, meu amor. Graças a Deus você acordou. Você me deu o maior susto da vida.
Com visível dificuldade, ela abriu os olhos devagar. As pupilas verdes voltaram a marejar quase instantaneamente e novas lágrimas pesadas começaram a escorrer pelo seu rosto pálido. As sequei rapidamente com os meus polegares, sentindo o meu peito doer com a angústia dela.
— Amor, o que você está sentindo de verdade? Me diz, por favor, o que está acontecendo com o seu corpo?
Ao invés de responder, Aubrey estendeu as mãos trêmulas, segurou firme o tecido da minha camiseta e me puxou para baixo com força, enterrando a cabeça diretamente no meu peito, buscando abrigo.
Eu a puxei para os meus braços na mesma hora, apertando o seu corpo contra o meu em um abraço forte e protetor, e depositei um beijo demorado em sua cabeça.
— Aubrey, conversa comigo. Fala o que houve.
Mas ela continuou em silêncio, apenas soluçando contra o meu peito. Duas batidas firmes e rápidas soaram na madeira da porta e eu autorizei a entrada imediatamente, a voz saindo grossa.
Savannah e a Leah cruzaram o portal a passos largos, os semblantes tomados por uma apreensão nítida, e caminharam rapidamente até a lateral da cama. Savannah deu a volta pelo colchão, parando exatamente ao lado oposto da Aubrey, e com seu olhar analítico de enfermeira fez a pergunta óbvia.
— O que aconteceu aqui, senhor Blackwood?
Leah e Savannah soltaram risadas contidas ao fundo, mas eu continuei com o semblante perfeitamente sério, sem achar a menor graça na situação.
— Aubrey, é sério. Para de brincar comigo agora, porque eu realmente estou surtando de ansiedade aqui dentro…
Ela olhou fixamente para o aparelho celular que eu havia colocado ao seu lado sobre o edredom da cama. Ela estendeu a mão, desbloqueou a tela e virou o visor na minha direção, entregando o aparelho diretamente nas minhas mãos.
Fixei os meus olhos no documento em formato de laudo que estava aberto na tela principal. Era o resultado oficial de um exame laboratorial de análises clínicas, e o nome completo da Aubrey Fox estava timbrado no topo da página.
Havia uma tabela técnica cheia de índices e um número absurdamente alto impresso em destaque no centro da tela. Por um breve instante, a minha mente cansada não conseguiu processar os termos médicos, até que eu desci os olhos com mais atenção e li a palavra gravada na legenda do laudo: Positivo.
Levantei os meus olhos do visor lentamente para encontrar os seus, a minha mente girando em alta velocidade sem conseguir conectar as peças.
— Positivo? O que exatamente é positivo aqui, Aubrey? O que isso significa?
Ouvi a Leah soltar um gritinho agudo de surpresa logo atrás de mim, levando as mãos à boca, enquanto a Savannah abria um sorriso radiante de orelha a orelha.
Antes que a Aubrey pudesse responder, a porta do quarto foi empurrada com força e as meninas entraram correndo pelo corredor, os semblantes alarmados.
— Bree! O que houve? — Emma exclamou, correndo direto para o lado da amiga na cama, enquanto a Taylor e a Fernanda se aproximavam logo em seguida.
Eu continuava perfeitamente estático no meu lugar, congelado e totalmente preso àquela palavra estampada na tela do celular. Minha mente se recusava a dar o estalo final.
Aubrey ignorou a entrada das amigas por um segundo, estendeu as duas mãos e segurou o meu rosto com total firmeza e ternura, me forçando a focar toda a minha atenção apenas nela.
— Positivo, meu amor… — ela disse, a voz saindo embargada pela emoção enquanto ela mordia o lábio inferior antes de concluir o nosso destino.
— Significa que nós dois vamos ter um bebê, Tristan.

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