— A Nathan falou que o desenho da Cici é feio, e a Cici ficou muito triste, né?
— Sim! — Cici assentiu com força, e as lágrimas escorreram novamente. — A Cici ficou desenhando um tempão, e queria dar para a mamãe...
— A mamãe recebeu, e achou o desenho lindo. É o melhor desenho que a mamãe já ganhou.
Elisa reafirmou, e depois a instruiu: — E se a Nathan disse que seu desenho é feio porque talvez não esteja num bom dia, ou... o gosto dela seja diferente do seu. Pode ser que ela não tenha dito por maldade.
Cici piscou os grandes olhos marejados, parecendo pensar no que a mãe disse.
— Além do mais, bons amigos brigam por qualquer bobeirinha, isso é muito normal. Se você quiser, vocês podem conversar direito. A Cici diz para a Nathan por que ficou triste. Tá bom?
— Então... então a Cici pode faltar no jardim de infância amanhã? — Cici perguntou em meio a soluços, suas mãos segurando firme na barra da roupa da mãe.
Vendo a aparência tão triste de sua filha, o coração de Elisa cedeu.
Ela não tinha consultas ou cirurgias marcadas para o dia seguinte. Dava perfeitamente para ficar com ela.
— Está bem, não precisa ir para o jardim de infância amanhã. A mamãe vai passar o dia com você.
— Eba! — Cici passou das lágrimas para o sorriso num piscar de olhos. Ela assentiu com convicção e estendeu o dedo mindinho. — Promessa de mindinho!
— Promessa de mindinho. — Elisa estendeu o próprio dedo e cruzou com o da filha.
— Promessa de mindinho, e quem quebrar vira passarinho!
Mãe e filha sorriram uma para a outra.
Elisa se levantou, segurando novamente a mão da garotinha: — Vamos, vamos para o consultório. A mamãe vai preparar um copo de leite quente para você e, depois, podemos brincar um pouquinho com o quebra-cabeça. Pode ser?
— Pode! A mamãe é a melhor! — Cici comemorou na mesma hora, esquecendo toda a chateação de antes.
Foi então que Elisa e Cici, enquanto davam as mãos e se viravam para retornar ao prédio do hospital.
Uma silhueta se colocou em frente delas, barrando o caminho.
Elisa parou bruscamente.
Ela levantou a cabeça e encarou a pessoa.
Era Renato.
Ele ficou de pé ali usando um casaco cinza-escuro. O cabelo estava um pouco desgrenhado por causa do vento e seus lábios estavam firmemente cerrados. Seu olhar fixava-se no rosto dela.
O coração de Elisa apertou.
Ela nunca imaginaria que o veria aqui, numa hora dessas, assim de repente.

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