Otávio agachou e observou, dizendo a Bianca: — Poderíamos colocar a fonte termal como a atração principal do resort. Sendo natural e inexplorada, atrairá muita gente.
— Sim, mas a exploração deve ser bem cuidadosa, sem estragar as fendas naturais e o ecossistema local.
Bianca concordou, varrendo a vista para o local. — Uma banheira aberta é uma ótima jogada, vai ao encontro do relevo, sem perder a natureza em volta. O fluxo de captação deve ser adequado para aproveitarmos ao máximo e ajudar na preservação.
Ela se levantou e olhou ao redor: — Senhor Zeno, você tinha mencionado a cachoeira ali no alto?
— Exato. Nós precisaremos dar alguns passos e circular o barranco, vamos ter a chance de olhar lá de cima.
Eles voltaram a subir.
E com o acesso irregular e pedras por todos os lados, as pessoas que viajavam davam passos calmos e atentos.
O clima estava gelado e cortante, todo suspiro virou vapor branco na hora.
Havia muito silêncio e paz lá entre a floresta, nada mais do que passos de pés em terra, além da água barulhenta correndo, desta vez mais escandalosa e aparente.
Eles estariam em breve na cachoeira.
A moça manteve sua frente na comitiva seguindo atrás do líder, o Senhor Zeno. E ela procurava por toda estrutura rochosa usando seu raio em pontos visíveis.
Ela tentou estimar os metros para fazer os números exatos e onde o mirante viria a surgir como obra principal.
— Logo adiante, virando no canto... — Ofegante, ele levantou seu dedo em rumo de certas barreiras gigantes que tampavam a via.
Foi bem nessa hora.
Bianca escutou uns sons anormais que não partiam nem da água ou da correnteza.
Foram uns estalos como pedaços da terra que partiam em conjunto com gelo num atrito agudo se quebrando. Ele ecoava da montanha na mistura das cascatas ocultando os efeitos.
Bianca deu uma pausa nas passadas bruscamente e ergueu o rosto. Em vez disso foi capaz de analisar num dos cantos um espaço recheado pelas pedras pontiagudas, mas obstruído com bastante neve lá pra cima e cheio de raízes secas, quase tapando o pico rochoso.
E nas paredes as calçadas pareciam estar perfeitas, mesmo quando o gelo caía por sobre os cantinhos, causando pequenas escoriações rochosas pelo ambiente.
O tempo no inverno costumava ser inconstante a todo momento e com os fragmentos do monte as rachaduras nas pedras eram propícias a acontecerem, independentemente da temperatura molhada das nuvens. As rochas de repente perdiam seus solos firmes em acidentes bem de surpresa.

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