Mas logo o distanciamento foi substituído por algo mais íntimo.
Talvez fosse um braço que esbarrava sem querer ao virar na cama à noite.
Talvez fosse acordar de manhã e perceber os corpos entrelaçados sem saber quando.
Talvez fosse um abraço cansado em uma noite de hora extra chegando tarde.
O acordo de "uma vez por mês" foi quebrado no sétimo dia após Marcelo se mudar para o quarto principal.
Quebrado de forma silenciosa e natural.
Naquela noite, Bianca saiu do banho, sentou-se ao lado de Marcelo e entregou o óleo capilar para ele.
— Passe o óleo capilar em mim.
Marcelo abaixou o livro, passou o óleo no cabelo dela e o penteou.
O ar ficou cheio do aroma doce do óleo capilar.
Enquanto penteava, não se sabia quem se aproximou primeiro.
Quando Bianca percebeu, os lábios de Marcelo já estavam em sua testa e desceram pelo nariz, até beijarem seus lábios.
Os dedos de Bianca afundaram no cabelo escuro dele, e o braço de Marcelo envolveu a cintura dela, puxando-a para mais perto.
— Marcelo... — Ela chamou o nome dele de forma inarticulada enquanto tentava respirar.
— Hum? — Os beijos dele demoravam no pescoço dela, e sua voz soou rouca.
— Nós... passamos do limite deste mês?
Marcelo parou os movimentos, ergueu a cabeça e a olhou fixamente, com um traço de resignação nos olhos.
— Bianca — Ele suspirou, encostando a testa na dela —, pode não falar sobre limites num momento desses?
Bianca viu a rara expressão de frustração dele: — Está bem, não falo mais.
Ela se inclinou, beijou o canto da boca dele: — O Senhor Amaral decide.
E assim, o limite foi completamente descartado.
A frequência passou de "uma vez por mês" para "duas vezes por semana" e logo se tornou "depende do humor".


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