Marcelo perguntou: — Já terminou?
— Terminei, estava prestes a descer. — Bianca foi para trás da mesa, desligou o computador e pegou a bolsa e o casaco. — Vamos, podemos ir para o restaurante agora.
— Hum.
No caminho para o restaurante, Marcelo falou menos do que o normal.
Bianca conversava com ele e ele respondia, mas sempre de forma breve.
— Ouvi dizer que aquele restaurante exclusivo é muito difícil de conseguir, Emma recomendou várias vezes e finalmente consegui reservar dessa vez.
— Hum.
— Você parece... não estar com muita fome?
— Tudo bem.
Bianca virou o rosto para olhar o perfil de Marcelo.
Ele olhava para frente, com a mandíbula levemente travada e a expressão imperturbável.
Mas ela sentia que havia algo errado com ele.
Estava cansado? Ou aconteceu algo chato no trabalho?
Ela pensou um pouco e não puxou mais assunto.
Homens, difíceis de decifrar.
O restaurante tinha estilo de pátio chinês, os pratos eram realmente deliciosos e refinados; as habilidades do velho mestre faziam jus à fama.
Mas, durante toda a refeição, o clima foi um pouco esquisito.
Marcelo continuou calado e não comeu muito.
Bianca tentou animar o clima algumas vezes, contando coisas engraçadas da empresa ou falando do Raio e do Durino.
Marcelo a escutava, servia a comida no prato dela, mas... não parecia interessado.
Depois do jantar, os dois passearam lentamente pelas ruelas silenciosas do lado de fora do restaurante.
O vento da noite era refrescante, e os postes de luz esticavam a sombra dos dois.
A mão de Bianca enlaçou o mindinho de Marcelo discretamente.
O dedo de Marcelo moveu-se levemente, mas ele não retribuiu o aperto imediatamente como de costume.
Ele deixou que ela o segurasse e continuou andando no mesmo ritmo.
As dúvidas de Bianca foram aumentando.
Ela parou de andar.
Marcelo também parou e virou a cabeça para olhar para ela.
— Marcelo — Bianca ergueu a cabeça, olhou para ele e perguntou diretamente —, o que você tem?
— Como assim? — A expressão de Marcelo não mudou.
— Você está estranho. — Bianca franziu a testa. — Desde que chegou ao meu escritório à tarde, você está estranho. Falando pouco, distraído, e nem comeu direito. Aconteceu algum problema no trabalho? Ou eu fiz algo que te chateou?
Marcelo olhou para ela em silêncio.
— Nada. — Depois de um tempo, ele falou, com uma voz baixa. — Você está bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Amor