Ele pegou a camisa de caxemira que ela costumava vestir, dobrou-a com cuidado e a guardou no compartimento da mala.
E depois escolheu o livro que ela estava lendo e o limpou com lenços umedecidos de álcool, alinhando-o e guardando do outro lado.
Ao mesmo tempo, Hospital Privado Corning.
Renato Faria estava na rua em frente ao prédio de pacientes, tendo ficado por toda a manhã.
A brisa virava o forro de seu casaco.
Na noite passada, ele trancou-se em seu quarto e ficou bêbado a noite toda.
Logo após se livrar da ressaca, foi para lá.
Não tinha ideia do que fazer.
Só que... ele não pôde evitar vir de pé.
Sua cabeça estava confusa, as palavras "Elisa teve uma criança" ainda rodavam no cérebro.
A razão lhe dizia para se focar no futuro.
Mas isso era muito mais difícil.
Tentara por cinco anos, mas não avançara nenhum passo.
Agora sabia que ela se casou e tinha tido uma criança.
Parecia ficar aprisionado em um labirinto negro onde os quatro cantos tinham um longo muro, cuja luz desaparecera muito antes.
Não, talvez a luz nunca tivesse pertencido a ele.
Ele apenas... tomou o brilho dos outros para se sentir aconchegado e confundiu aquilo como se fosse dele próprio.
O olhar de Renato Faria encontrava-se preso às multidões que andavam no porto por muito tempo.
Seria o tempo de descanso agora.
Conseguiria ele esperar e encontrar com ela lá?
E o que diria?
Parabéns, casada e com criança.
Ou questioná-la por que ela partiu sem se despedir naquela época, por que ela arranjou outra pessoa tão rápido.
Que direito ele tinha?

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