— Marcelo.
— Hum?
— Minhas pernas estão dormentes.
Marcelo deu uma risada baixa, e seu peito vibrou.
Ele a pegou no colo e foi até a porta.
— Aonde vamos? — Bianca perguntou abraçada ao pescoço dele.
— Tomar banho e dormir.
Marcelo foi direto e breve.
— Juntos?
— Qual outra opção?
Um casamento com propósito de amor é muito mais interessante do que um por acordo de negócios.
E muito mais acolhedor.
Marcelo pensou.
Bianca pensou a mesma coisa.
Naquela noite, Bianca teve um sonho muito longo.
Tudo no sonho era familiar e estranho ao mesmo tempo; ela ainda era ela mesma, mas a história tinha tomado outro rumo.
No sonho, desde pequena ela não vivia com sua mãe; havia sido adotada por um casal que não a amava muito e vivia junto com a sua avó.
No sonho, seu apelido era Bianca.
O sonho foi longo, muito longo, da infância para a adolescência e depois para a juventude.
Passou por inúmeras dificuldades e contratempos, sofreu uma traição impiedosa depois de se entregar de corpo e alma, mas também sentiu um amor incondicional.
O sonho foi tortuoso, indo da vida em uma cidade pequena para subir no pódio de grandes campeonatos, de uma casa que não valorizava mulheres para se tornar a herdeira de uma família rica, de ser sozinha... até encontrar Marcelo.
— Marcelo...
Bianca acordou chorando.
As lágrimas caíram silenciosamente pelo canto dos olhos e escorreram para os cabelos; seu coração estava pesado.
Ainda não tinha saído do sonho completamente e, por instinto, encolheu-se.
— Bianca?
Marcelo acordou quase na mesma hora e viu o rosto dela cheio de lágrimas e as sobrancelhas franzidas; ele esticou a mão para tocar o rosto dela e sentiu a umidade gelada.
— Teve um pesadelo? — Ele perguntou, enxugando as lágrimas com os dedos, mas parecia que elas não tinham fim.
Ele se apoiou e puxou-a junto com as cobertas para os seus braços; sua mão passou suavemente pelas costas dela, e com um tom de voz raramente desamparado, ele disse: — Não tenha medo, estou aqui.
Bianca soluçou nos braços dele, lembrando-se do sonho em que Marcelo havia esperado por ela durante seis anos e como ele havia sofrido ao ver a pessoa amada com outro.
Ela esticou os braços e apertou-se contra o pescoço dele, afundando o rosto úmido no seu ombro.
— Marcelo... — Ela falou, com voz de choro e de nariz entupido, dizendo palavra por palavra. — Eu gosto muito de você, sabia?
A mão de Marcelo que acariciava as costas dela parou um pouco.

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