— Hum. — Marcelo respondeu, sem dizer mais uma palavra. Ele se virou para Bianca: — Vamos para casa?
— Vamos. — Bianca assentiu.
O carro partiu devagar, e Felipe Amaral ficou parado no mesmo lugar.
O vento frio do inverno soprou, e ele sentiu o ar gelado sair de dentro dos seus ossos.
Por que Bianca não acreditou nele?
Marcelo realmente tinha outra pessoa no coração.
No carro.
O aquecedor estava ligado no máximo. Bianca segurava o buquê de tulipas e brincava com as pétalas com as pontas dos dedos, um pouco perdida em pensamentos.
Marcelo sentou-se ao lado dela e olhou em silêncio para o seu perfil.
Ele podia sentir que a atmosfera leve e alegre nela havia diminuído e, naquele momento, estava coberta por uma leve melancolia.
— Bianca. — ele a chamou em voz baixa.
Bianca voltou a si e olhou para ele:
— O quê?
— O que está pensando?
Bianca ficou em silêncio por alguns segundos, apertou mais o buquê em seus braços, e sua voz saiu bem baixa:
— Marcelo, acabei de entregar a carta de demissão no Espaço Criativo.
— Sim, eu sei. — Marcelo assentiu, esperando que ela continuasse.
— E aí, quando saí, encontrei o Felipe Amaral. Ele disse algumas... coisas inexplicáveis. — Bianca fez uma pausa, olhou para ele, com o olhar limpo e aberto. — Eu não acreditei. Não acreditei em uma única palavra.
Marcelo estendeu a mão, segurou a mão dela e esfregou levemente as pontas dos dedos nas costas da mão dela:

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