— Está bem. — Marcelo concordou e mudou a sua postura para que ela pudesse ficar mais confortável.
À noite, antes de ir para a cama, Marcelo tirou o celular.
— Com qual foto você quer começar a ouvir? — ele perguntou.
Bianca pensou um pouco:
— Pela... foto do parque de diversões?
Marcelo deslizou a galeria do celular e achou uma foto.
— Muito bem, a história do parque de diversões tem que começar por quando Davi morou na nossa casa...
A voz de Marcelo era grave e magnética, perfeita para contar histórias.
Bianca olhava para a foto, a ouvir a história de Marcelo.
Em uma única foto, Marcelo começou falando desde quando Davi se mudou para a casa deles até Davi ser levado de volta para casa por Talita Amaral. Ele contou isso por uma hora inteira.
Ele contava com muitos detalhes e com muita paciência.
Aquelas memórias que ela havia perdido, através das palavras dele, foram delineadas aos poucos e de forma geral.
Bianca ouvia com atenção e, de vez em quando, intervinha para perguntar algum detalhe. Marcelo sempre parava, pensava com cuidado e então respondia.
Por causa do metabolismo da medicação, Bianca andava sentindo bastante sono nos últimos dias.
Enquanto ouvia, as pálpebras foram pesando cada vez mais.
Afinal, o corpo ainda estava em fase de recuperação e a energia era limitada.
A voz de Marcelo ficou mais baixa depois de perceber que ela estava com sono.
— Se está cansada, durma. Amanhã a gente fala de novo. — ele murmurou suavemente.
— Hum... — Bianca respondeu com a voz arrastada. A consciência já estava meio embaçada, mas as mãos ainda seguravam inconscientemente a ponta das roupas dele.
Marcelo deitou-a com cuidado, cobriu-a com o edredom, sentou-se na beira da cama e a observou em silêncio por um instante.
Ela adormeceu. Sua respiração estava uniforme, as bochechas coradas e saudáveis devido ao calor do ambiente.
Ele se inclinou e depositou um beijo suave na testa dela.
— Não se preocupe, vá devagar e tenha uma boa noite de sono.

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