A expressão brincalhona no rosto de Renato desapareceu imediatamente.
O olhar dele partiu da silhueta de perfil da Dra. Elisa quando ela abriu a porta, até a voz dela ressoar...
Ele havia descruzado as pernas sem perceber, e os dedos agarraram os braços da cadeira de modo instintivo, com as juntas esbranquiçadas.
Os olhos dele se cravaram na Dra. Elisa.
Desde o cabelo curto e bem cortado até o nariz empinado...
Cada detalhe era como uma cena em câmera lenta, marcado no fundo das suas pupilas.
Era ela.
Era Elisa de verdade.
A mulher que havia sumido por cinco anos, oito meses e dezoito dias.
O tempo não havia deixado marcas nela, pelo contrário, a tinha tornado mais serena, independente e radiante.
Lá estava ela vestindo o jaleco, uma médica respeitada.
Ela não era mais aquela garota que ficava de orelha vermelha só por ele dizer uma brincadeira. Nem a menina que passava remédio nele com cuidado e o xingava enquanto ele se machucava na briga.
Renato sentiu a garganta secar, e o coração doeu tanto que mal conseguia respirar.
Neste momento, o sangue pareceu subir para o topo da cabeça e depois se esvair por completo num piscar de olhos. Os ouvidos zumbiam, e todos os sons ao redor ficaram turvos e distantes.
Ele se levantou bruscamente.
Todos olharam para ele.
Bianca e Marcelo ficaram surpresos.
A Dra. Elisa virou a cabeça ao ouvir o barulho.
O olhar dos dois se chocou no ar.
O olhar da Dra. Elisa parou por um instante quando alcançou o rosto de Renato.
Mas foi apenas por um instante.
Em seguida, o olhar dela voltou a ser educado e distante: — Senhor, precisa de ajuda?

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