— Não é nada, só não tomei café da manhã e estou com um pouco de fome.
Ele acenou com a mão, levantou-se e pegou o casaco apoiado no encosto da cadeira. — Chega, não vou mais incomodar o descanso da Bianca. Vou para a sua empresa continuar trabalhando como um burro de carga para você. Marcelo, lembre-se de que você me deve uma!
Depois de dizer isso, ele se virou e saiu do quarto a passos largos, quase como se estivesse fugindo.
A porta se fechou atrás dele. Renato encostou-se na parede e fechou os olhos, com o peito subindo e descendo violentamente.
O som das batidas do seu coração ressoava no peito como um tambor, fazendo seus tímpanos doerem.
Ele levantou a mão e pressionou com força o lado esquerdo do peito. Doía muito, como se um pedaço tivesse sido arrancado à força, deixando um vazio cheio de vento frio.
Elisa.
Fazia cinco anos. Ele havia fantasiado com a cena do reencontro inúmeras vezes, mas nunca imaginou que seria em um hospital, daquela maneira.
Ela era a médica; ele era o amigo do paciente.
Ela estava calma e distante; ele, em um estado lamentável.
Ah.
Renato curvou os cantos dos lábios. Queria sorrir, mas só sentiu um gosto amargo na boca.
Ele se endireitou e se acalmou.
Ele não podia ficar assim.
Arrumou a lapela levemente amassada do paletó e começou a caminhar em direção ao elevador.
...
Elisa saiu do quarto de Bianca e caminhou pelo corredor em direção ao seu escritório.
Seus passos continuavam firmes e sua expressão estava serena, sem nenhuma diferença de quando fazia as rondas habituais.
Só ela sabia que as pontas de seus dedos estavam geladas e que o coração batia no peito um pouco mais rápido e pesado.
Renato.
Ela não esperava ver aquele homem ali.
Fazia cinco anos.
Ela achou que nunca mais o veria nesta vida.

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